Publicação: Povos indígenas na revista O Malho (1902-1953): considerações sobre o simbolismo nacional, o exotismo e a educação para a civilização
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
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A presente pesquisa analisa as representações dos povos indígenas na revista ilustrada O Malho ao longo de todo seu período de circulação (1902-1953). Inserido no campo da História da Educação e da História Cultural, o estudo investiga de que modo o periódico, por meio de um vasto acervo verbo-visual (charges, caricaturas, fotografias e crônicas), atuou como um dispositivo pedagógico informal que contribuiu para a formação do imaginário social e na educação do olhar de seus leitores sobre as populações indígenas. Para o percurso metodológico, realizou-se um levantamento e análise documental das diferentes fases editoriais da revista, categorizando as imagens e discursos conforme suas intencionalidades didáticas e políticas. A análise dos dados revelou a predominância de três categorias representativas: o indígena como símbolo nacional (alegoria cívica e sátira política); o indígena e a educação para a civilização (focado na catequese, na tutela do SPI e na integração ao trabalho); e o indígena como figura exótica (explorado pela curiosidade e folclore). Conclui-se que O Malho colaborou na produção de um "índio de papel", distanciado dos povos indígenas reais e suas culturas. Essa construção ideológica oscilava entre a exaltação mítica e a subalternização, legitimando projetos de intervenção estatal e naturalizando a tutela como sinônimo de civilização, refletindo de que maneira o periódico educava seu público sobre os assuntos indígenas.
Abstract
This research analyzes the representations of indigenous peoples in the illustrated magazine O Malho throughout its entire circulation period (1902-1953). Situated within the fields of History of Education and Cultural History, the study investigates how the periodical, through a vast verbo-visual collection (cartoons, caricatures, photographs, and chronicles), acted as an informal pedagogical device in shaping the social imaginary and in the "education of the gaze" of its readers regarding indigenous populations. Regarding the methodological path, a survey and documentary analysis of the magazine's different editorial phases were carried out, categorizing images and discourses according to their didactic and political intentions. The data analysis revealed the predominance of three representative categories: the indigenous person as
a national symbol (civic allegory and political satire); the indigenous person and education for civilization (focused on religious catechesis, state tutelage via the SPI, and integration into the labor force); and the indigenous person as an exotic figure (explored through curiosity and
folklore). It is concluded that O Malho collaborated in the production of a "paper Indian," distanced from real indigenous peoples and their cultures. This ideological construction oscillated between mythical exaltation and subalternation, legitimizing state intervention
projects and naturalizing tutelage as a synonym for civilization, reflecting how its audience was educated on indigenous matters.
Palavras-chave
povos indígenas, representação, O Malho, História da Educação
Citação
SILVA, Jonathas Trindade da. Povos indígenas na revista O Malho (1902-1953): considerações sobre o simbolismo nacional, o exotismo e a educação para a civilização. 2026. 97 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.122.
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