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A cartografia como instrumento de controle: do mapeamento de fronteiras ao imperialismo de dados no ciberespaço

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CNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::GEOCIENCIAS::GEODESIA::CARTOGRAFIA BASICA

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O presente trabalho tem como objetivo geral analisar criticamente a evolução histórica da cartografia enquanto instrumento de dominação geopolítica e controle social, identificando as permanências e as mutações técnicas que se estendem das representações analógicas do Estado nação oitocentista ao monitoramento digital contemporâneo. O trabalho teve como centralidade metodológica a pesquisa qualitativa, orientada pelas chaves teóricas da Geografia Crítica, da História da Cartografia e da Geopolítica Contemporânea. Os resultados evidenciam que a padronização métrica e espacial no início do século XX, bem como as demarcações de limites das comissões militares, funcionaram como "armaduras de papel" para viabilizar a expansão capitalista e impor a soberania nacional do Estado sobre áreas tidas como vazios demográficos (terra nullius). Esse processo operou criminalmente por meio da expropriação sistemática de populações originárias e de apagamentos de elementos biofísicos. Em contrapartida, constata se a emergência das contra-cartografias e do automapeamento indígena como táticas de salvaguarda da memória coletiva e de resistência espacial. A transição para a era digital sofisticou o controle territorial por meio dos algoritimos qinstitui um imperialismo de dados que reatualiza os silêncios cartográficos históricos e desterritorializa as populações periféricas.

Abstract

This study aims to critically analyze the historical evolution of cartography as an instrument of geopolitical domination and social control, identifying the continuities and technical transformations spanning from the analog representations of the 19th-century nation-state to contemporary digital monitoring. Methodologically, the work centers on qualitative research guided by the theoretical frameworks of Critical Geography, the History of Cartography, and Contemporary Geopolitics. The results demonstrate that metric and spatial standardization in the early 20th century, alongside boundary demarcations by military commissions, functioned as "paper armor" to facilitate capitalist expansion and impose state sovereignty over areas perceived as demographic voids (*terra nullius*). This process operated through the criminal, systematic expropriation of Indigenous populations and the erasure of biophysical elements. Conversely, the study observes the emergence of counter-cartographies and Indigenous self mapping as tactics for safeguarding collective memory and fostering spatial resistance. The transition to the digital era has sophisticated territorial control through algorithms, establishing a form of data imperialism that reinscribes historical cartographic silences and deterritorializes peripheral populations.

Palavras-chave

Cartografia crítica, Território, Imperialismo de dados, Geopolítica, Contra-cartografia

Citação

PEREIRA, Igor Henrique. A cartografia como instrumento de controle: Do mapeamento de fronteiras ao imperialismo de dados no ciberespaço. 2026. 25 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Geografia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.

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