Publicação: Endividamento: buscando as motivações comportamentais e os impactos na saúde
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CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ADMINISTRACAO::ADMINISTRACAO DE EMPRESAS::ADMINISTRACAO FINANCEIRA
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Resumo
Considerando os aspectos inerentes ao comportamento do indivíduo, estabelecidos na literatura
como importantes para explicar uma maior ou menor propensão ao endividamento e as
consequências que uma situação de divida pode incorrer, além da financeira, o presente estudo
teve como objetivos analisar a relação entre endividamento e sintomas de ansiedade, depressão
e sensação qualidade de vida e saúde. Adicionalmente, buscou-se estabelecer um modelo
empírico teórico que considerasse na relação entre endividamento e os sintomas de ansiedade
e depressão e as sensações quanto aos domínios da qualidade de vida e saúde, também as
características comportamentais quanto ao nível de educação financeira (o pilar
“comportamento financeiro” deste conceito), de autocontrole, orientação temporal – presente e
futuro, e de materialismo. Para tanto foram coletadas informações acerca do endividamento,
sintomas de ansiedade, depressão e qualidade de vida por meio da aplicação de questionários
via internet, entre setembro e novembro de 2015; e dos indivíduos que além de comporem tal
amostra, também participaram da pesquisa de Diniz (2015), foram coletados da sua pesquisa,
informações com relação a educação financeira, autocontrole, orientação temporal e
materialismo, para compor um modelo empírico-teórico avaliado no contexto da Modelagem
de Equações Estruturais (SEM). Foi utilizado como filtro, para definir os indivíduos que
participaram de ambas as pesquisas, os e-mails por eles informados. Os resultados bivariados
entre endividamento, ansiedade, depressão e qualidade de vida, apontam uma associação entre
o endividamento e problemas de ansiedade, depressão e uma pior qualidade de vida. Na relação
aos pares, os principais resultados apontaram que um quadro grave de ansiedade e depressão,
está relacionado com o dobro de chances do indivíduo possuir alto endividamento. Para o
modelo de regressão, criou-se a variável Fator Saúde (FS) utilizando o metodo PCA, utilizandoa
como variável dependente e o endividamento e fatores sociodemográficos como variáveis
independentes, encontrando-se o endividamento como variável de maior impacto no fator
saúde, dentre aquelas estatísticamente significativas (endividamento, gênero feminino e >4
dependentes). Ao se incluir os fatores comportamentais nas análises (educação financeira,
autocontrole, orientação temporal e materialismo), identificou-se nos resultados bivariados que
quanto maior a educação financeira, o autocontrole, a orientação temporal para o futuro e menor
a orientação temporal para o presente e o perfil materialista, menores são o endividamento, os
sintomas de ansiedade e depressão e melhores as sensações de qualidade de vida e saúde
apontados. Acerca do modelo empírico-teórico, foram utilizadas as variáveis educação
financeira, autocontrole, orientação temporal, materialismo, endividamento, ansiedade,
depressão, qualidade de vida e saúde, bem como as sociodemográficas como controle.
Encontrou-se principalmente a educação financeira, com atuação direta e significativa para
explicar a propensão ao endividamento, e de forma indireta a atuação do autocontrole e
orientação para o futuro, sendo que estas variáveis apresentaram relação significativa e direta
com educação financeira. Demonstrando que indivíduos que são mais controlados e
preocupados com seu futuro, buscam na educação financeira basear o seu comportamento com
relação ao dinheiro, evitando riscos e dívidas. O modelo ainda apresentou que materialismo não
se mostrou relevante para explicar o endividamento, mas direta e significativo para explicar
sintomas de ansiedade, depressão e sensações de qualidade de vida, sendo que um perfil mais
materialista aumentam a propensão do indivíduo apresentar piores sintomas de ansiedade,
depressão e piores sensações acerca dos domínios de qualidade de vida. Da mesma forma as
variáveis endividamento, atuando de forma direta, e educação financeira, autocontrole e
orientação para o futuro atuando de forma indireta. Além disso a renda (> 3 salários mínimos)
e o número de dependentes (>1 dependente) também foram significativas para explicar maior
endividamento. Dessa forma, ao considerar num mesmo modelo aspectos comportamentais,
endividamento e problemas de saúde e qualidade de vida, ressaltamos a abrangência que ronda
o tema “endividamento”, principalmente aqueles relacionados aos problemas causados ao
indivíduo, não somente os financeiros, e quanto as características que podem ser trabalhadas e
melhoradas para evitar que o indivíduo se torne endividado. Ao adicionar na relação as
características inerentes ao comportamento do indivíduo, entende-se melhor a relação entre tais
variáveis, tendo sido consideradas as motivações comportamentais e os impactos na saúde
relacionados ao endividamento, situação até então não abordada pela literatura, onde encontrou-se
apenas estudos que considerassem ou as características do endividado ou as consequências da
dívida.
Abstract
Considering the aspects inherent in the behavior of the individual, established in the literature
as important to explain a greater or less propensity to indebtedness and the consequences that a
debt situation may incur, besides the financial, the present study had as objectives to analyze
the relation between indebtedness and symptoms of anxiety, depression and feeling quality of
life and health. In addition, we sought to establish a theoretical empirical model that considers
the relationship between indebtedness and anxiety and depression symptoms and sensations
regarding the domains of quality of life and health, as well as the behavioral characteristics
regarding the level of financial education (the " financial behavior "of this concept), selfcontrol,
temporal orientation - present and future, and materialism. Information about debt,
anxiety symptoms, depression and quality of life were collected through the application of
questionnaires via the Internet, between September and November 2015; and of the individuals
who, besides composing such sample, also participated in Diniz's research (2015), were
collected from their research, information regarding financial education, self-control, temporal
orientation and materialism, to compose an empirical-theoretical model evaluated in the context
of Structural Equation Modeling (SEM). It was used as a filter, to define the individuals who
participated in both surveys, the e-mails they informed. The bivariate results between
indebtedness, anxiety, depression and quality of life, point to an association between
indebtedness and anxiety problems, depression and a worse quality of life. In the peer
relationship, the main results indicated that a severe anxiety and depression, is related to double
the chances of the individual having high indebtedness. For the regression model, the variable
Health Factor (HF) was created using the PCA method, using it as a dependent variable and the
indebtedness and sociodemographic factors as independent variables, being the debt as the
variable with the greatest impact on the health factor, among those statistically significant
(indebtedness, female gender and> 4 dependent). By including the behavioral factors in the
analyzes (financial education, self-control, temporal orientation and materialism), it was
identified in the bivariate results that the greater the financial education, the self-control, the
temporal orientation for the future and the shorter the temporal orientation for the present and
the materialistic profile, the lower the indebtedness, the symptoms of anxiety and depression
and the better the sensations of quality of life and health pointed out. On the empiricaltheoretical
model, the variables financial education, self-control, temporal orientation,
materialism, indebtedness, anxiety, depression, quality of life and health were used, as well as
sociodemographic as control variables. Financial education was found, with direct and
significant action to explain the propensity to indebtedness, and indirectly the performance of
self-control and orientation for the future, and these variables presented a significant and direct
relationship with financial education. Demonstrating that individuals who are more controlled
and concerned about their future, seek financial education to base their behavior on money,
avoiding risks and debts. The model also showed that materialism was not relevant to explain
indebtedness, but a direct and significant one to explain symptoms of anxiety, depression and
quality of life sensations. A more materialistic profile increases the individual's propensity to
present worse symptoms of anxiety, depression and worse sensations about the domains of
quality of life. In the same way the variables indebtedness, acting in a direct way, and financial
education, self-control and orientation towards the future acting indirectly. In addition, income
(> 3 minimum wages) and the number of dependents (> 1 dependent) were also significant to
explain higher indebtedness. Thus, when considering the same model of behavioral aspects,
indebtedness and health problems and quality of life in the same model, we highlight the scope
of the theme "indebtedness", especially those related to the problems caused to the individual,
not only financial ones, and the characteristics which can be worked on and improved to prevent
the individual from becoming indebted. By adding the inherent characteristics to the
individual's behavior, the relationship between these variables is better understood, considering
the behavioral motivations and health impacts related to indebtedness, a situation not previously
addressed in the literature, where it was only found studies that consider either the
characteristics of the borrower or the consequences of the debt.
Palavras-chave
Endividamento, Indebtedness, Comportamento, Behavior, Saúde, Health, Educação financeira, Financial education, Materialismo, Materialism, Administração, Administration, Dívidas pessoais, Personal debts, Finanças pessoais - Controle, Personal finances
Citação
SOUZA, Guilherme Santos. Endividamento: buscando as motivações comportamentais e os impactos na saúde. 2019. 88 f. Dissertação (Mestrado em Administração) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2019. DOI http://dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2019.956.