Publicação: Desafios na interpretação sobre a natureza da Faculdade da Imaginação em Immanuel Kant
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
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Este trabalho investiga os desafios interpretativos acerca da natureza da faculdade da
imaginação na filosofia de Immanuel Kant. O objetivo não consiste em resolver definitivamente
a questão de sua natureza, mas em compreender por que ela surge como problema e quais
obstáculos dificultam sua solução. Para tanto, realiza-se, primeiramente, uma análise de três
vias interpretativas muito diferentes: a assimilação da imaginação ao entendimento, proposta
por Caimi; a interpretação heideggeriana da imaginação como raiz comum da sensibilidade e
do entendimento; e a defesa de Calábria da imaginação como faculdade sensível. Em seguida,
o estudo recorre a uma leitura analítica das duas edições da Crítica da Razão Pura (1781, 1787)
e da Antropologia de um ponto de vista pragmático (1798), identificando passagens que
reforçam ou contradizem as diferentes posições. O método adotado combina a revisão
bibliográfica de comentadores relevantes com a análise textual direta das obras kantianas,
buscando preservar a fidelidade ao texto do filósofo e identificar as passagens com as maiores
contradições. Os resultados mostram que, embora cada vertente ofereça soluções parciais, todas
enfrentam impasses significativos: a proposta de Caimi preserva a receptividade da
sensibilidade, mas conflita com trechos explícitos que vinculam a imaginação à sensibilidade;
Heidegger oferece uma interpretação radical, mas muito especulativa em comparação a outros
comentadores; já Calábria sustenta o status sensível da imaginação com maior consistência,
embora permaneça a dificuldade de conciliar a atividade dessa faculdade com a caracterização
da sensibilidade como puramente receptiva. A conclusão indica que o problema da natureza da
imaginação em Kant permanece aberto para novas investigações, mostrando-se central para a
epistemologia kantiana e para a compreensão mais ampla da imaginação humana. O estudo,
assim, contribui para ampliar o debate acadêmico, fornecendo subsídios tanto para a
interpretação da obra de Kant quanto para futuras pesquisas filosóficas e interdisciplinares sobre
o papel da imaginação no conhecimento.
Abstract
This study investigates the interpretative challenges concerning the nature of the faculty of
imagination in Immanuel Kant’s philosophy. The objective is not to provide a definitive
solution to the question of its nature, but rather to understand why it emerges as a problem and
what obstacles make its resolution difficult. To this end, an analysis is first carried out of three
very different interpretations: the assimilation of imagination to the understanding, proposed
by Caimi; Heidegger’s interpretation of imagination as the common root of sensibility and
understanding; and Calábria’s defense of imagination as a sensible faculty. The research then
turns to an analytical reading of both editions of the Critique of Pure Reason (1781, 1787) and
the Anthropology from a Pragmatic Point of View (1798), identifying passages that reinforce
or contradict the different positions. The methodology combines a bibliographic review of
relevant commentators with a direct textual analysis of Kant’s works, aiming to remain faithful
to
the philosopher’s writings while highlighting passages that exhibit the greatest
contradictions. The results show that, although each strand offers partial solutions, all face
significant impasses: Caimi’s proposal preserves the receptivity of sensibility but conflicts with
explicit passages that assign imagination to sensibility; Heidegger offers a radical
interpretation, but highly speculative when compared to other commentators; Calábria, in turn,
consistently supports the sensible status of imagination, although the difficulty remains of
reconciling its active character with Kant’s description of sensibility as purely receptive. The
conclusion indicates that the problem of the nature of imagination in Kant remains open to
further investigations, proving central to Kantian epistemology and to a broader understanding
of human imagination. The study thus contributes to expanding academic debate, offering
insights both for the interpretation of Kant’s work and for future philosophical and
interdisciplinary research on the role of imagination in knowledge.
Palavras-chave
Kant, Kant, Imaginação, Imagination, Epistemologia, Epistemology, Sensibilidade, Sensibility, Entendimento, Understanding
Citação
ALVES, Apollo César Abdelnur. Desafios na interpretação sobre a natureza da Faculdade da Imaginação em Immanuel Kant. 2025. 37 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Filosofia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.
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