Publicação: Avaliação da ultrassonografia hepática com dopplerfluxometria em pacientes portadores de hepatite C crônica
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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INTRODUÇÃO: A hepatite C é uma importante causa de hepatopatia crônica no
mundo. A avaliação do grau de fibrose hepática na hepatite C crônica (HCC) é
importante para o melhor manejo clínico. Entretanto, até o momento, a biópsia
hepática é o único teste aceito para esta finalidade, apesar de suas contraindicações
e complicações. Novos métodos para avaliação não invasiva de fibrose
hepática estão sendo pesquisados. Uma proposta é o ultrassom com Doppler, por
ser um método não invasivo, amplamente disponível e de baixo custo.
OBJETIVOS: Comparar parâmetros laboratoriais e ultrassonográficos com Doppler
hepático entre pacientes portadores de HCC com um grupo controle sadio e
correlacionar o índice venoso portal (IVP), índice esplênico, histograma hepático e
razão hepatorrenal (RHR) com graus de fibrose hepática.
MATERIAL E MÉTODOS: 50 pacientes portadores de HCC com biópsia hepática e
44 controles sadios foram submetidos a exames laboratoriais e ultrassonográfico
com Doppler. Foram avaliados vários parâmetros ultrassonográficos, com destaque
para velocidade máxima e mínima da veia porta, IVP, índices de pulsatilidade e
resistividade da artéria hepática, índice esplênico, histograma hepático, RHR e
padrões de velocidade de fluxo da veia hepática. Compararam-se as médias entre
os grupos, bem como foram correlacionados os graus de fibrose com os parâmetros
ultrassonográficos. Utilizou-se o programa SPSS 17 para a análise estatística.
RESULTADOS: os grupos foram pareados quanto ao sexo e idade. No grupo de
pacientes biopsiados, 5 (10%) apresentaram grau de fibrose F0, 12 (24%) fibrose
F1, 22(44%) fibrose F2, 9 (18%) fibrose F3 e 2 (4%) fibrose F4. Todos os pacientes
apresentavam algum grau de inflamação à biópsia e apenas 4 pacientes
apresentaram esteatose moderada ou acentuada. Houve diferença significante entre
os grupos quando se comparou as enzimas hepáticas AST, ALT e GGT (p<0,001),
assim como as plaquetas (p=0,001). Encontrou-se diferença significante também
nos parâmetros ultrassonográficos IVP (p<0,001), índice esplênico (p=0,003),
histograma hepático (p<0,001) e RHR (p<0,001). O padrão trifásico da veia suprahepática
predominou em ambos os grupos. Os parâmetros ultrassonográficos foram
correlacionados com os graus de fibrose e plotados na curva ROC. O IVP
apresentou correlação inversa de r=-0,448 (p<0,001), AUROC de 78,4% (IC 95%:
68,8-88%) e ponto de corte em 0,28 (S=73,5% e E=71,1%); o índice esplênico
demonstrou correlação de r=0,354 (p=0,001). A correlação do histograma hepático
foi de r=0,416 (p<0,001), AUROC 74,4% (IC 95%: 58,5-90,3%), ponto de corte de
77,5 (S=60% e E=74,4%); a RHR correlacionou-se com a fibrose com r=0,509
(p<0,001), AUROC de 62,4% (IC 95%: 46,4-78,5%) e ponto de corte de 1,22
(S=60% e E=65,9%). Nenhum dos parâmetros foi significante para diferenciação dos
graus de fibrose hepática.
CONCLUSÕES: O número de plaquetas e as enzimas hepáticas AST, ALT e GGT
diferiram significativamente entre os grupos de pacientes com HCC e controle, assim
como os parâmetros ultrassonográficos IVP, índice esplênico, histograma hepático e
RHR. Houve correlação moderada e significante entre a fibrose e os dados
ultrassonográficos apresentados anteriormente. Porém estes parâmetros não foram
significantes em diferenciar os graus de fibrose no grupo de pacientes portadores de
HCC.
Abstract
INTRODUCTION: Hepatitis C is an important cause of chronic liver disease
worldwide. The grading of hepatic fibrosis in chronic hepatitis C (CHC) is important
for better clinical management. However, until now, liver biopsy is the only test
accepted for this purpose, despite their contraindications and complications. New
methods for noninvasive assessment of hepatic fibrosis are under investigation. One
proposal is the Doppler ultrasound, as a noninvasive, widely available and
inexpensive.
OBJECTIVES: To compare laboratory parameters and liver Doppler ultrasound of
patients with CHC with a healthy control group and to correlate the portal vein index
(PVI), splenic index, liver histogram and hepatorenal ratio (HRR) with degrees of
hepatic fibrosis.
MATERIAL AND METHODS: 50 patients with CHC with liver biopsy and 44 healthy
controls underwent laboratory tests and Doppler ultrasound. We evaluated several
ultrasound parameters, especially maximum and minimum speed of the portal vein,
PVI, pulsatility index and resistance of the hepatic artery, splenic index, liver
histogram, HRR and patterns of flow velocity of the hepatic vein. Compared the
means between groups and were correlated with the degree of fibrosis with
sonographic parameters. We used SPSS 17 for statistical analysis.
RESULTS: The groups were matched for sex and age. Of the patients who
underwent biopsy, 5 (10%) had F0 fibrosis, 12 (24%) F1 fibrosis, 22 (44%) F2
fibrosis, 9 (18%) F3 fibrosis and 2 (4%) F4 fibrosis. All patients had some degree of
inflammation on biopsy and only four patients had moderate or severe steatosis.
There was significant difference between groups when comparing the liver enzymes
AST, ALT and GGT (p<0.001), and platelets (p=0.001). There was significant
difference in sonographic parameters of PVI (p<0.001), splenic index (p=0.003), liver
histogram (p<0.001) and HRR (p<0.001). The triphasic pattern of supra-hepatic vein
was predominant in both groups. The ultrasonographic parameters were correlated
with the degree of fibrosis and plotted the ROC curve. The PVI revealed an inverse
correlation of r=-0.448 (p<0.001), AUROC of 78.4% (95% CI: 68.8 to 88%) and cutoff
of 0.28 (Sensibility=73.5% and Specificity=71.1%), spleen index showed a correlation
of r=0.354 (p=0.001). The correlation of liver histogram was r=0.416 (p<0.001),
AUROC 74.4% (95% CI: 58.5 to 90.3%), a cutoff of 77.5 (Sensibility=60% and
Specificity=74.4%); The HRR was correlated with fibrosis with r=0.509 (p<0.001),
AUROC of 62.4% (95% CI: 46.4 to 78.5%) and a cutoff of 1.22 (Sensibility=60% and
Specificity=65.9%). None of the parameters was significant for differentiating the
degree of hepatic fibrosis.
CONCLUSIONS: The platelet count and liver enzymes AST, ALT and GGT were
significantly different between groups of patients with CHC and control, as well as the
sonographic parameters PVI, splenic index, liver histogram and HRR. There were
significant and moderate correlation between fibrosis and ultrasonographic data
presented previously. However these parameters were not significant in
differentiating the degree of fibrosis in the group of patients with CHC.
Palavras-chave
Veia porta, Ultrassonografia, Doppler, Hepatite C, Fibrose, Fígado, Portal vein, Ultrasonography, Doppler, Hepatitis C, Fibrosis, Liver, Hepatite C - Diagnóstico por imagem, Doppler, Ul-trassonografia
Citação
ROCHA, Haroldo Luís Oliva Gomes. Avaliação da ultrassonografia hepática com dopplerfluxometria em pacientes portadores de hepatite C crônica. 2011. 67 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2011.