Publicação: Uma interpretação da metafísica de Descartes a partir das verdades eternas: que as verdades metafísicas são mais evidentes do que as demonstrações da geometria
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
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Resumo
Descartes inaugura sua metafísica com a tese de 1630, em cartas a Mersenne, nas quais defende
a ideia de que as verdades eternas dependem de Deus. Nossa pesquisa tenta mostrar que essas
cartas anunciam o conteúdo do Tratado de Metafísica, iniciado em 1629, que culminou nas
Meditações, publicadas em 1641. Toda metafísica cartesiana parte de duas questões
fundamentais: a Deus e a alma. O objetivo de Descartes é demonstrar pela razão natural a
existência de Deus e a imortalidade da alma, de modo a alcançar um consentimento universal,
para que ninguém mais ouse lançar injúrias contra Deus. Desde 1630, Descartes estava
confiante de ter encontrado uma prova da existência de Deus mais evidente do que qualquer
verdade da geometria. No entanto, ele ainda precisava encontrar uma forma de persuadir as
pessoas de sua ideia. Para isso, ele vai partir das matemáticas, que figuraram como um modelo
de evidência a ser superado. A própria Física de Descartes será fundada sobre as bases da
metafísica: é a imutabilidade de Deus que sustenta as Leis eternas e imutáveis da natureza que,
por sua vez, provocam a diversidade da matéria. Deus é causa de todas as coisas e Ele as
conserva da mesna maneira que as criou. Descartes não poderia ter encontrado os fundamentos
da sua Física se não fosse por essa via. Nossa pesquisa passa, então, pelas questões metafísicas
que a envolvem, seus aspectos epistemológicos – principalmente no que diz respeito ao acesso
à evidência – e, por último, nossas traduções mostram a amplitude e a consistência da doutrina
das verdades eternas em toda obra cartesiana.
Abstract
Descartes inaugure sa métaphysique avec la thèse de 1630, dans les lettres adressées à
Mersenne, où il défend l'idée que les vérités éternelles dépendent de Dieu. Notre recherche veut
montrer que ces lettres annoncent le contenu du Traité de Métaphysique, commencé en 1629,
qui aboutira aux Méditations, publiées en 1641. Toute la métaphysique cartésienne repose sur
deux questions fondamentales : Dieu et l’âme. Le but de Descartes est de démontrer par la
raison naturelle l’existence de Dieu et l’immortalité de l’âme, afin de parvenir à un
consentement universel, pour que plus personne n’ose faire des injures à Dieu. Dès 1630,
Descartes se sentait assuré d’avoir trouvé une preuve de l’existence de Dieu plus évidente que
n’importe quelle vérité géométrique. Cependant, il devait encore trouver un moyen de
convaincre les autres de son idée. Pour cela, il prend les mathématiques comme modèle
d’évidence à dépasser. La Physique elle-même de Descartes sera fondée sur les bases de la
métaphysique : c’est l’immutabilité de Dieu qui soutient les lois éternelles et immuables de la
nature, qui, à leur tour, engendrent la diversité de la matière. Dieu est la cause de toutes choses,
et il les conserve de la même manière qu’il les a créées. Descartes n’aurait pas pu trouver les
fondements de sa Physique sans passer par cette voie. Notre recherche aborde donc les
questions métaphysiques qui y sont liées, ses aspects épistémologiques – en particulier en ce
qui concerne l’accès à l’évidence – et, enfin, nos traductions montrent l’étendue et la cohérence
de la doctrine des vérités éternelles dans toute l’oeuvre cartésienne.
Palavras-chave
verdades eternas, evidência, Tratado de metafísica, Meditações, Deus
Citação
TEIXEIRA, Suellen Caroline. Uma interpretação da metafísica de Descartes a partir das verdades eternas:
que as verdades metafísicas são mais evidentes do que as demonstrações da geometria. 2024. 279f. Tese (Doutorado em Filosofia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2024.745.