Publicação: Identificação e Diagnóstico na Era dos Algoritmos: O Mal-Estar Psíquico entre a Rede Social e a Clínica
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
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Resumo
O presente trabalho investiga como a hiperconectividade e o funcionamento algorítmico das redes
sociais reconfiguram a percepção do sujeito sobre o sofrimento psíquico, promovendo uma busca
acelerada por diagnósticos. A pesquisa fundamenta-se na psicanálise de Freud e Lacan em diálogo
com autores contemporâneos, utilizando a Análise Psicanalítica do Discurso (APD) para examinar a
transição do diagnóstico clínico para o autodiagnóstico digital. Historicamente, observa-se uma
ruptura entre a diagnóstica psicanalítica e o modelo descritivo do Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais (DSM), que, ao priorizar critérios estatísticos, facilita a fragmentação da
subjetividade em rótulos prontos para o consumo digital. Através da análise de vinhetas clínicas e
relatos extraídos de redes sociais o estudo articula o conceito de mal-estar na civilização, de Freud e
à teoria da identificação. Conclui-se que o diagnóstico, mediado por algoritmos, opera como uma
medida paliativa moderna e uma "prótese de identidade", oferecendo uma ilusão de unidade que
tampona a angústia do não-saber. Esse fenômeno desafia a ética da escuta psicanalítica, uma vez que
o sujeito tende a alienar sua história singular em favor de uma identidade patológica pré-fabricada,
demandando do analista a sustentação de um espaço que restitua a palavra ao sujeito frente à
automação do diagnóstico contemporâneo.
Abstract
The present study investigates how hyperconnectivity and the algorithmic functioning of social media
reconfigure the subject's perception of psychic suffering, promoting an accelerated search for
diagnoses. The research is grounded in the psychoanalysis of Freud and Lacan in dialogue with
contemporary authors, utilizing Psychoanalytic Discourse Analysis (PDA) to examine the transition
from clinical diagnosis to digital self-diagnosis. Historically, a rupture is observed between
psychoanalytic diagnostics and the descriptive model of the Diagnostic and Statistical Manual of
Mental Disorders (DSM), which, by prioritizing statistical criteria, facilitates the fragmentation of
subjectivity into labels ready for digital consumption. Through the analysis of clinical vignettes and
reports extracted from social media, the study articulates Freud’s concept of "Civilization and Its
Discontents" and the theory of identification. It concludes that diagnosis, mediated by algorithms,
operates as a modern palliative measure and an "identity prosthesis," offering an illusion of unity that
buffers the anguish of not-knowing. This phenomenon challenges the ethics of psychoanalytic
listening, as the subject tends to alienate their singular history in favor of a pre-fabricated pathological
identity, demanding from the analyst the sustenance of a space that restores the word to the subject
in the face of the automation of contemporary diagnosis.
Palavras-chave
Diagnóstico, Diagnosis, Psicanálise, Psychoanalysis, Mal-estar, Discontent, Identificação, Identification
Citação
BORGES, Nicolly Caruline. Identificação e Diagnóstico na Era dos Algoritmos: O Mal-Estar Psíquico entre
a Rede Social e a Clínica. 2026. 30 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
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