Publicação: Predação de moluscos invasores pela ictiofauna: análise no rio Araguari e revisão na bacia hidrográfica do Paraná
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CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS, CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::ECOLOGIA
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Tagliacollo, Victor Alberto
Resumo
A introdução de moluscos invasores em ecossistemas aquáticos tem provocado diversos impactos ecológicos, alterando a estrutura e o funcionamento das comunidades nativas. Na bacia do rio Paraná, espécies como Melanoides tuberculata, Corbicula fluminea e Limnoperna fortunei têm se estabelecido com sucesso, tornandose abundantes em diferentes habitats. Este capítulo apresenta uma revisão da literatura sobre a presença desses moluscos na dieta de peixes da bacia do Paraná, com o objetivo de identificar padrões de predação, espécies consumidoras e possíveis implicações ecológicas da incorporação de invertebrados invasores na alimentação da ictiofauna. A revisão considerou 16 estudos publicados entre 1999 e 2025, que aplicaram métodos visuais de análise de conteúdo estomacal em diferentes regiões da bacia. Os resultados mostram que diversos grupos de peixes, especialmente onívoros e consumidores de invertebrados, incluem moluscos invasores em sua dieta, embora a frequência de consumo varie entre espécies, ambientes e estágios de invasão. Limnoperna fortunei é a espécie mais frequentemente registrada, inclusive em áreas onde a invasão é recente, o que sugere um oportunismo trófico por parte da ictiofauna. A presença constante desses moluscos na dieta de peixes pode indicar sua integração às cadeias alimentares locais, com possíveis consequências para a dinâmica de populações nativas e o fluxo de energia nos ecossistemas. Concluise que, embora a predação por peixes possa atuar como uma forma de controle natural, ela não parece limitar a expansão dos moluscos invasores como em situações de baixa taxa de consumo, ausência de predadores especializados e ciclo reprodutivo rápido dos moluscos, reforçando a necessidade de estratégias de manejo integradas e estudos que avaliem os efeitos tróficos de longo prazo dessas interações.
Abstract
The introduction of invasive mollusks into aquatic ecosystems has caused several ecological impacts, altering the structure and functioning of native communities. In the Paraná River basin, species such as Melanoides tuberculata, Corbicula fluminea, and Limnoperna fortunei have successfully established and become abundant in various habitats. This chapter presents a literature review on the occurrence of these mollusks in the diet of fish from the Paraná basin, aiming to identify predation patterns, consumer species, and potential ecological implications of incorporating exotic invertebrates into the diet of the ichthyofauna. This review considered 16 studies published between 1999 and 2025, which applied visual methods of stomach content analysis in different regions of the basin. The results show that several fish groups, especially omnivores and invertebrate feeders, include invasive mollusks in their diet, although consumption frequency varies among species, habitats, and invasion stages. L. fortunei is the most frequently recorded species, even in recently invaded areas, suggesting rapid trophic adaptation by the fish assemblage. The consistent presence of these mollusks in fish diets may indicate their integration into local food webs, with potential consequences for native population dynamics and energy flow. Although predation by fish may act as a form of natural control, it does not appear to limit the expansion of invasive mollusks, highlighting the need for integrated management strategies and further studies on the longterm trophic effects of these interactions.
Palavras-chave
Ictiofauna, predação, interações tróficas, espécies exóticas, análise alimentar
Citação
CRUZ, Barbara Regina Fernandes da. Predação de moluscos invasores pela ictiofauna: análise no rio Araguari e revisão na bacia hidrográfica do Paraná. 2025. 101 f. Tese (Mestrado em Ecologia, Conservação e Biodiversidade) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2025.5038.
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