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O papel da retrodica e da profundidade na memória operacional visual

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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA::PSICOLOGIA COGNITIVA, CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA::PSICOLOGIA EXPERIMENTAL

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Resumo

A memória operacional visual (MOV) tem sido majoritariamente estudada com estímulos bidimensionais, negligenciando a natureza tridimensional do ambiente visual. Este estudo investigou o papel da profundidade estereoscópica (anáglifos) e da retrodica sobre o desempenho em MOV, por meio de dois experimentos complementares (N=25 cada), com ideogramas e polígonos irregulares como estímulos. No Experimento 1, a profundidade foi aplicada aos estímulos-alvo; no Experimento 2, exclusivamente à retrodica, com os estímulos permanecendo bidimensionais. Acurácia, tempo de reação, sensibilidade (d') e critério (c) foram analisados por ANOVA de medidas repetidas. No Experimento 1, a profundidade nos estímulos beneficiou a acurácia simetricamente, à frente e atrás do plano de referência, e aumentou a sensibilidade discriminativa de forma mais pronunciada quando a disparidade era cruzada; a condição bidimensional produziu o pior desempenho em ambas as medidas. No Experimento 2, o benefício da retrodica válida generalizou-se à acurácia, ao tempo de reação, à sensibilidade e ao critério; a profundidade aplicada à própria retrodica acelerou especificamente o tempo de reação — mais lento justamente na condição inteiramente bidimensional —, sem afetar de modo significativo a acurácia ou a sensibilidade. Os achados sugerem que a profundidade desempenha funções distintas conforme o ponto da cadeia cognitiva em que é introduzida: como propriedade do objeto, enriquece e individua o traço mnemônico; como propriedade da dica, amplifica a saliência atencional da seleção — contribuindo com uma resposta dependente de contexto para o debate entre memória baseada no objeto e no espaço.

Abstract

Visual working memory (VWM) has been predominantly studied using two-dimensional stimuli, overlooking the three-dimensional nature of the visual environment. This study investigated the role of stereoscopic depth (anaglyphs) and of the retro-cue on VWM performance, across two complementary experiments (N=25 each), using ideograms and irregular polygons as stimuli. In Experiment 1, depth was applied to the stimuli themselves; in Experiment 2, exclusively to the retro-cue, with the stimuli remaining two-dimensional. Accuracy, reaction time, sensitivity (d'), and criterion (c) were analyzed through repeated-measures ANOVA. In Experiment 1, depth in the stimuli benefited accuracy symmetrically, both in front of and behind the reference plane, and increased discriminative sensitivity more markedly when disparity was crossed; the two-dimensional condition produced the poorest performance on both measures. In Experiment 2, the benefit of the valid retro-cue generalized to accuracy, reaction time, sensitivity, and criterion; depth applied to the retro-cue itself specifically sped up reaction time — slowest precisely in the fully two-dimensional condition —, without reliably affecting accuracy or sensitivity. These findings suggest that depth serves distinct functions depending on the point in the cognitive chain at which it is introduced: as an object property, it enriches and individuates the memory trace; as a cue property, it amplifies the attentional salience of selection — contributing a context-dependent answer to the object-based versus space-based memory debate.

Palavras-chave

memória operacional visual, visual working memory, retrodica, retro-cue, profundidade estereoscópica, stereoscopic depth, Teoria de Detecção do Sinal, signal detection theory, individuação de objetos, object individuation

Citação

Ventura, T. F. (2026). O papel da retrodica e da profundidade na memória operacional visual [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Uberlândia]. Repositório Institucional da UFU. http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.641

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