Publicação: Para além do "Felizes para Sempre": releituras de Branca de Neve e Cinderela no Ensino de História
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA::HISTORIA MODERNA E CONTEMPORANEA
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O presente trabalho é de natureza bibliográfica e visa analisar a função pedagógica e política dos contos de fadas no Ensino de História. Investiga como as narrativas clássicas operam na construção da passividade feminina para servir à ordem patriarcal e ao sistema capitalista nascente. O estudo busca desnaturalizar os arquétipos da princesa dócil e da bruxa autônoma como construções históricas complementares. Adota a análise documental de mentalidades fundamentada nas categorias de gênero e violência simbólica. Utiliza como fontes os registros cortesãos de Charles Perrault e as compilações dos Irmãos Grimm, confrontando a crueza das tradições orais camponesas com os diferentes processos de domesticação e apropriação patriarcal dessas narrativas. Nesse sentido, demarca-se a distância metodológica e temporal entre os autores, contrastando a adaptação aristocrática operada por Perrault na França do século XVII com a formatação moral e nacionalista conduzida pelos Grimm no século XIX. O tratamento dos dados ancora-se nos aportes teóricos da história das mulheres, nos estudos de gênero e na crítica à acumulação primitiva. Apresenta, como produto pedagógico, uma sequência didática fundamentada no conceito de anacronismo controlado. A proposta integra a narrativa autoral intitulada "Espelhos Quebrados" para estimular a agência política dos estudantes através da releitura crítica de Branca de Neve e Cinderela. Conclui que o maravilhoso clássico funciona como um manual de conduta invisível que silencia a autonomia feminina. A pesquisa demonstra que a transposição didática desses contos promove o despertar da consciência histórica crítico-genética. Reafirma, por fim, a função social da História em desmantelar hierarquias naturalizadas e promover uma cidadania reflexiva e politicamente implicada.
Abstract
This bibliographical study aims to analyze the pedagogical and political function of fairy tales in History Education. It investigates how classical narratives operate in the construction of female passivity to serve the patriarchal order and the emerging capitalist system. The study seeks to denaturalize the archetypes of the docile princess and the autonomous witch as complementary historical constructions. It adopts a documentary analysis of mentalities grounded in the categories of gender and symbolic violence. The sources consist of the courtly texts by Charles Perrault and the compilations by the Brothers Grimm, contrasting the rawness of oral peasant traditions with the different processes of domestication and patriarchal appropriation of these narratives. In this sense, the study demarcates the methodological and temporal distance between the authors, contrasting the aristocratic adaptation carried out by Perrault in 17th-century France with the moral and nationalist formatting conducted by the Grimms in the 19th century. Data analysis is anchored in theoretical contributions from women’s history, gender studies, and the critique of primitive accumulation. As a pedagogical product, it presents a teaching sequence grounded in the concept of controlled anachronism. The proposal incorporates the original narrative entitled "Broken Mirrors" (Espelhos Quebrados) to foster students' political agency through a critical reinterpretation of Snow White and Cinderella. The study concludes that these classical tales function as an invisible code of conduct that silences female autonomy. The research demonstrates that the didactic transposition of these stories promotes the awakening of critical-genetic historical consciousness. Finally, it reaffirms the social role of History in dismantling naturalized hierarchies and promoting reflective and politically engaged citizenship.
Palavras-chave
Ensino de História, History Education, Linguagens e narrativas históricas: produção e difusão, Historical languages and narratives: production and dissemination, Gênero, Gender, Contos de fadas, Fairy tales, Consciência histórica, Historical consciousness
Citação
TOMÉ, Johny Assunção. Para além do "Felizes para Sempre": releituras de Branca de Neve e Cinderela no Ensino de História. 2026. 124 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de História) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.11054.
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