Publicação: A Ilusão da Invisibilidade: a subjetividade discursiva do tradutor em Bliss de Katherine Mansfield
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CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
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Resumo
Esta pesquisa analisa a subjetividade discursiva do tradutor a partir de quatro
traduções brasileiras do conto Bliss, de Katherine Mansfield. O trabalho parte da
compreensão de que a tradução literária não consiste em um processo neutro de
transferência linguística, mas em uma prática de interpretação que produz sentidos.
Com base nessa perspectiva, a pesquisa amplia a discussão de invisibilidade do
tradutor proposta por Venuti (1995) ao defender que toda tradução é atravessada
por gestos de interpretação produzidos por sujeitos historicamente constituídos. O
referencial teórico reúne a Análise do Discurso francesa, principalmente as
contribuições de Orlandi (2009) e Pêcheux (1999), em diálogo com a concepção de
sujeito de Foucault (1996) e com as discussões de Venuti (1995) sobre
domesticação e estrangeirização. O corpus é composto pelas traduções de Bliss
publicadas por Cupertino (2000), Albano (2020), Vidal (2023) e Varjão (2024). A
análise compara escolhas tradutórias selecionadas, discute as estratégias adotadas
pelos tradutores e relaciona essas escolhas às condições históricas, editoriais e
profissionais que atravessam cada tradução. Os resultados mostram que as
diferenças entre as traduções não decorrem apenas de preferências linguísticas,
mas também das condições de produção que constituem os tradutores como
sujeitos da interpretação. Por fim, o trabalho defende que a subjetividade do tradutor
não corresponde à expressão de uma individualidade, mas a um efeito discursivo
produzido na relação entre linguagem, história e ideologia, o que permite
compreender o tradutor como um tradu-autor.
Abstract
This study examines the translator’s discursive subjectivity through the analysis of
four Brazilian Portuguese translations of Katherine Mansfield’s short story Bliss. It is
based on the understanding that literary translation is not a neutral process of
linguistic transfer but an interpretive practice that produces meaning. From this
perspective, the study widens Venuti’s (1995) notion of the translator’s invisibility and
adds that every translation is shaped by interpretive acts produced by historically
constituted subjects. The theoretical framework draws on French Discourse Analysis,
particularly the works of Orlandi (2009) and Pêcheux (1999), in dialogue with
Foucault’s (1996) conception of the subject and Venuti’s (1995) discussions of
domestication and foreignization. The corpus consists of the translations of Bliss
published by Cupertino (2000), Albano (2020), Vidal (2023), and Varjão (2024). The
analysis compares selected translation choices, discusses the strategies adopted by
the translators, and relates these choices to the historical, editorial, and professional
conditions that shape each translation. The findings show that the differences among
the translations result not only from linguistic preferences but also from the conditions
of production that constitute translators as subjects of interpretation. Finally, the study
argues that the translator’s subjectivity should be understood not as the expression
of individual intention but as a discursive effect produced through the relationship
between language, history, and ideology, allowing the translator to be understood as
a translator-author.
Palavras-chave
tradução literária, subjetividade discursiva, tradu-autor, Bliss, Katherine Mansfield, literary translation, discursive subjectivity, translator-author, Bliss, Katherine Mansfield
Citação
NEVES, Giovana Isadora Lacerda. A ilusão da invisibilidade: a subjetividade discursiva do tradutor em Bliss de Katherine Mansfield. 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Tradução) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
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