Publicação: Perfil dos pacientes com câncer de mama encaminhados pela regulação municipal para a oncologia clínica de um hospital público e análise do tempo de acesso ao tratamento
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA::CLINICA MEDICA::CANCEROLOGIA
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Coorientador
Canto, Paula Philbert Lajolo
Resumo
Introdução: O tempo transcorrido entre o diagnóstico e o início do tratamento oncológico
constitui indicador central de qualidade do cuidado e está diretamente associado ao
prognóstico do câncer de mama. No Brasil, a Lei nº 12.732/2012 estabelece o prazo máximo
de 60 dias para o início do tratamento após a confirmação diagnóstica. Entretanto, o
cumprimento formal da legislação é um desafio, sobretudo em contextos de fragmentação
da Rede de Atenção à Saúde. Objetivo: Avaliar de forma integrada os tempos assistenciais
entre o diagnóstico e o início do tratamento oncológico em pacientes com câncer de mama
encaminhadas pela regulação municipal para o hospital público de referência em oncologia,
bem como caracterizar o perfil sociodemográfico e clínico dessas pacientes. Métodos:
Estudo quantitativo, retrospectivo e descritivo, realizado a partir da análise de 82 registros
assistenciais de pacientes com câncer de mama, encaminhadas pela regulação municipal,
atendidas em primeira consulta na Oncologia Clínica de um hospital público de referência
no município de Uberlândia, Minas Gerais, entre maio de 2024 e fevereiro de 2025. Foram
analisados os intervalos temporais: tempo entre o anatomopatológico e o início do primeiro
tratamento (T principal), estratificado entre pacientes com tratamento prévio fora da
instituição e aquelas sem tratamento prévio; tempo entre diagnóstico e encaminhamento via
regulação municipal (T1); tempo entre encaminhamento e primeira consulta especializada
(T2); e tempo entre a primeira consulta e o início do tratamento no serviço especializado
(T3). Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva, com ênfase em medidas de
tendência central e dispersão. Resultados e Discussão:Ocorreu predomínio do sexo feminino
(97,6%) , a idade mediana foi 62 anos e a maioria dos pacientes residiam no município de
Uberlândia (93,9%). As pacientes foram principalmente de E II(45,1%) e a quadrantectomia
foi o procedimento mais frequentemente realizado (72%). Observou-se tempo médio de 72
dias entre a confirmação diagnóstica e o início do tratamento, com mediana de 66 dias e
desvio padrão elevado, indicando ampla variabilidade nos percursos assistenciais. A
estratificação do tempo principal revelou diferenças relevantes entre pacientes que
realizaram tratamento prévio antes do acesso ao serviço especializado e aquelas que
iniciaram o tratamento exclusivamente no hospital de referência. O intervalo entre o
diagnóstico e o encaminhamento (T1) apresentou mediana de 71 dias, configurando-se como
o principal gargalo da linha de cuidado. Em contraste, os tempos intra-hospitalares,
especialmente entre o encaminhamento e a primeira consulta oncológica (T2) e entre a
consulta especializada e o início do tratamento (T3), mostraram-se mais reduzidos e
homogêneos. Os resultados indicam que os atrasos no início do tratamento oncológico são
predominantemente cumulativos e concentram-se nas etapas pré-hospitalares da linha de
cuidado, refletindo fragilidades na capacidade diagnóstica, na articulação entre os níveis
assistenciais e nos processos de regulação do acesso. Conclusão: Observou-se que o tempo
médio entre a confirmação diagnóstica do câncer de mama e o início do tratamento é
majoritariamente superior ao tempo preconizado por lei e que as principais causas envolvidas
estão na fase pré serviço especializado.
Abstract
Introduction: The time elapsed between diagnosis and initiation of oncologic treatment
constitutes a central indicator of quality of care and is directly associated with breast cancer
prognosis. In Brazil, Federal Law No. 12,732/2012 establishes a maximum period of 60 days
for the initiation of treatment after diagnostic confirmation. However, formal compliance
with this legislation is a challenge, especially in contexts of fragmentation of the Health Care
Network. Objective: To evaluate in an integrated manner the care-related time intervals
between diagnosis and initiation of oncologic treatment in patients with breast cancer
referred through municipal regulation to the public oncology referral hospital, as well as to
characterize the sociodemographic and clinical profile of these patients. Methods:
Quantitative, retrospective, and descriptive study, carried out through the analysis of 82 care
records of patients with breast cancer referred through municipal regulation, seen at the first
consultation in the Medical Oncology Department of a public oncology referral hospital in
the municipality of Uberlândia, Minas Gerais, between May 2024 and February 2025. The
following time intervals were analyzed: time between histopathological diagnosis and
initiation of first treatment (primary time), stratified between patients with prior treatment
outside the institution and those without prior treatment; time between diagnosis and referral
through municipal regulation (T1); time between referral and first specialized consultation
(T2); and time between the first consultation and initiation of treatment at the specialized
service (T3). Data were subjected to descriptive statistical analysis, with emphasis on
measures of central tendency and dispersion. Results and Discussion: There was a
predominance of female patients (97.6%), the median age was 62 years, and most patients
resided in the municipality of Uberlândia (93.9%). Patients were mainly stage II (45.1%),
and quadrantectomy was the most frequently performed procedure (72%). A mean time of
72 days was observed between diagnostic confirmation and initiation of treatment, with a
median of 66 days and a high standard deviation, indicating wide variability in care
pathways. Stratification of the primary time revealed relevant differences between patients
who underwent prior treatment before access to the specialized service and those who
initiated treatment exclusively at the referral hospital. The interval between diagnosis and
referral (T1) showed a median of 71 days, configuring the main bottleneck in the care
pathway. In contrast, intrahospital times, especially between referral and the first oncology
consultation (T2) and between the specialized consultation and initiation of treatment (T3),
were shorter and more homogeneous. The results indicate that delays in the initiation of
oncologic treatment are predominantly cumulative and are concentrated in the pre-hospital
stages of the care pathway, reflecting weaknesses in diagnostic capacity, articulation
between levels of care, and access regulation processes. Conclusion: It was observed that
the mean time between histopathological confirmation of breast cancer and initiation of
treatment is mostly longer than the period recommended by law and that the main causes
involved are in the pre-specialized care phase.
Palavras-chave
Acesso à saúde, Access to health, Câncer de mama, Breast cancer, Tempo para tratamento, Time to treatment, Linha de cuidado, Care pathway, Gestão em saúde, Health management
Citação
LOPES, Gustavo Ribeiro. Perfil dos pacientes com câncer de mama encaminhados pela regulação municipal para a oncologia clínica de um hospital público e análise do tempo de acesso ao tratamento. 2026. 44 f. Trabalho de Conclusão da Residência Médica (Residência em Oncologia Clínica) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
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