Publicação: As forças destrutivas do capital: o mito do desenvolvimento sustentável sob os auspícios do neoliberalismo
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::EPISTEMOLOGIA
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Resumo
O colapso ambiental nos coloca diante do aumento das desigualdades econômicas, políticas e
sociais, da ascensão do autoritarismo e da deterioração das condições de existência da vida
humana e de outros seres vivos. Contraditoriamente, vivemos em sociedades que comportam o
mais alto desenvolvimento tecnológico, ao mesmo tempo que rios invadem casas e histórias são
soterradas em meio a desastres ambientais cada vez mais frequentes. Diante dessa problemática,
a partir da década de 1970, a preocupação com a questão ambiental passa a ganhar maior
repercussão em nível global. Desse contexto surge o conceito de sustentabilidade, amplamente
difundido a partir da percepção de que o modelo econômico e a lógica do lucro infinito
produzem graves impactos ambientais e sociais. É nesse cenário que se insere o objeto de estudo
deste trabalho: o conceito de sustentabilidade e suas limitações na superação da crise ambiental
contemporânea, à luz do legado de Karl Marx, Friedrich Engels e de importantes intérpretes
marxistas. Diante disso, coloca-se o problema de compreender em que medida o conceito de
sustentabilidade, apresentado como resposta à crise ambiental contemporânea, é capaz de
enfrentar as determinações que produzem essa própria crise no interior do modo de produção
capitalista. A pesquisa tem como hipótese que o conceito de sustentabilidade assume um caráter
ideológico no contexto do neoliberalismo, voltado à manutenção da ordem vigente e, por isso,
o chamado desenvolvimento sustentável se apresenta como uma proposta de reforma do
sistema, isto é, como uma tentativa de resolução momentânea das crises ambientais,
funcionando apenas como paliativo, porque estas medidas não enfrentam suas causas
estruturais. Portanto, o objetivo principal deste trabalho é compreender como a proposta de
sustentabilidade ambiental, apresentada como solução para as drásticas crises climáticas atuais,
assumem um caráter ideológico e classista no século XXI. O trabalho estrutura-se em duas
partes: (ii) na fundamentação teórica da articulação entre três conceitos fundamentais para a
compreensão da crise ambiental contemporânea — ideologia, alienação e natureza — a partir
dos textos marxianos, especialmente A Ideologia Alemã, Manuscritos Econômico-Filosóficos
(1844) e O Capital, e, (ii) na análise de que as crises econômicas, políticas e climáticas são
inerentes ao modo de produção capitalista e se intensificam com a fragmentação da vida social
promovida pelo ideário neoliberal, a partir da contextualização histórica e da análise crítica do
conceito de sustentabilidade em seus aspectos econômicos, políticos e sociais. A perspectiva
teórico-metodológica que orienta esta pesquisa, de caráter qualitativo, se fundamenta no legado
marxiano e marxista e tem como método o materialismo histórico-dialético. Parte-se do
pressuposto de que a crise ambiental não constitui um fenômeno isolado, mas é a expressão das
contradições inerentes ao modo de produção burguês, o que permite apreender a realidade em
sua totalidade, para além da aparência imediata dos fenômenos. Karl Marx e Friedrich Engels
compreenderam as determinações históricas e sociais que configuram as sucessivas crises
sistêmicas, bem como a mediação entre a relação do ser humano e a natureza pelo modo de
produção da vida material. A escolha do tema justifica-se pela necessidade de analisar a
sustentabilidade não como um conceito puramente técnico, mas como um constructo
atravessado por tensões de classe e contradições estruturais do capitalismo.
Abstract
The environmental collapse confronts us with rising economic, political, and social inequalities,
the surge of authoritarianism, and the deterioration of the conditions for the existence of human
life and other living beings. Contradictorily, we live in societies capable of the highest
technological development, while rivers flood homes and lives and histories are buried amid
increasingly frequent environmental disasters. Faced with this problem, starting in the 1970s,
concern for the environmental issue gained greater global resonance. From this context emerged
the concept of sustainability, widely spread through the perception that the economic model and
the logic of endless profit generate severe environmental and social impacts. It is within this
scenario that the object of study of this work is framed: the concept of sustainability and its
limitations in overcoming the contemporary environmental crisis, in light of the legacy of Karl
Marx, Friedrich Engels, and key Marxist scholars. In light of this, the problem arises to
understand to what extent the concept of sustainability—presented as a response to the
contemporary environmental crisis—is capable of addressing the very determinations that
produce this crisis within the capitalist mode of production. The hypothesis of this research is
that the concept of sustainability assumes an ideological character in the context of
neoliberalism, aimed at maintaining the existing order; thus, so-called sustainable development
presents itself as a proposal for systemic reform—a temporary attempt to resolve environmental
crises that functions merely as a palliative because these measures do not tackle their structural
causes. Therefore, the main objective of this work is to understand how the proposal for
environmental sustainability, presented as a solution to current drastic climate crises, assumes
an ideological and class-based character in the 21st century. The work is structured into two
parts: (i) the theoretical foundation of the articulation between three fundamental concepts for
understanding the contemporary environmental crisis—ideology, alienation, and nature—based
on Marxian texts, especially The German Ideology, Economic and Philosophic Manuscripts of
1844, and Capital; and (ii) the analysis showing that economic, political, and climate crises are
inherent to the capitalist mode of production and intensify with the fragmentation of social life
promoted by neoliberal ideology, drawing from historical contextualization and critical analysis
of the concept of sustainability in its economic, political, and social aspects. The qualitative,
theoretical-methodological perspective guiding this research is grounded in the Marxian and
Marxist legacy, employing historical-dialectical materialism as its method. It proceeds from the
assumption that the environmental crisis is not an isolated phenomenon, but rather the
expression of inherent contradictions of the bourgeois mode of production, allowing for the
grasp of reality in its totality beyond the immediate appearance of phenomena. Karl Marx and
Friedrich Engels understood the historical and social determinations shaping successive
systemic crises, as well as the mediation between human relations and nature through the mode
of producing material life. The choice of this topic is justified by the need to analyze
sustainability not as a purely technical concept, but as a construct shaped by class tensions and
structural contradictions of capitalism.
Palavras-chave
Sustentabilidade, Sustainability, Neoliberalismo, Ideologia, Crise Ambiental, Neoliberalism, Ideology, Environmental Crisis
Citação
CARNEIRO, Bruna Beatriz. Lemes. As forças destrutivas do capital: o mito do desenvolvimento sustentável sob os auspícios do neoliberalismo. 2026. 46 f.Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Filosofia) - Universidade Federal de Uberlândia, 2026