Publicação: O amor do mundo e o sentimento de absurdo: enunciações da Revolta
em Hannah Arendt e Albert Camus
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
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Resumo
Esta dissertação se propõe a pensar o nosso tempo. Trata-se de uma reflexão sobre o
amor do mundo, sobre o (não)sentido da vida e sobre a importância da política. Ela se
fundamenta nas obras de dois pensadores do século XX, contemporâneos dos campos
de concentração e extermínio: Albert Camus (1913-1960) e Hannah Arendt (1906-
1975). Pretendemos construir uma interpretação do amor ao mundo em Camus e Arendt
a partir da ideia de revolta do homem moderno. Voltar-se contra uma morte sem
sentido que derramaria a inutilidade sobre todas as coisas são noções presentes em
ambos os autores. Por que apostar no mundo, se fluindo na direção da morte a vida do
homem arrastaria consigo todas as coisas humanas para a ruína e a destruição? Se toda
nossa vida nada mais é do que uma corrida em direção à morte? Camus defende que a
revolta é o próprio movimento da vida. Arendt acredita que os homens, embora tenham
de morrer, não foram feitos para morrer, mas para começar algo novo. A finalidade
principal deste diálogo (im)pertinente é questionar nossa atual situação política,
sobretudo da inação do homem contemporâneo. Este vive uma vida insignificante,
dedicada somente ao trabalho, ao consumo e à diversão, e substitui a ação livre e
espontânea pelo comportamento. Contra esta existência entorpecida, Arendt e Camus
enfatizam a capacidade humana de recusa e revolta. Ao se revoltarem, os homens
provam que são maiores que a morte. Eles marcam o mundo com o seu selo na vivência
do amor que pertence a este mundo.
Abstract
Cette dissertation se propose à penser notre temps. C'est une réflexion sur l'amour du
monde, sur le (non)sens de la vie et sur l'importance de la politique. Elle se base sur les
oeuvres de deux penseurs du siècle XX, de contemporains des champs de concentration
et d'extermination: Albert Camus (1913-1960) et Hannah Arendt (1906-1975). Nous
voulons construire une interprétation de l'amour au monde chez Camus et Arendt a
partir de l'idée de la révolte de l'homme moderne. Se tourner contre une mort sans aucun
sens que confére l'inutilité sur toutes les choses sont des notions présents dans les deux
auteurs. Pourquoi investir dans le monde, si en courant dans la direction de la mort,
toutes les choses humaines sont condamnées à la destruction? Si toute notre vie n'est
rien de plus qu'une course vers la mort? Camus affirme que la révolte est le mouvement
même de la vie. Arendt croit que les hommes, ils bien que doivent mourir, ne sont pas
faits pour mourrir, mais pour commencer. La finalité principale de ce dialogue (im)
pertinent est interroger notre actuelle situation politique, surtout l'inaction de l'homme
contemporain. Celui-ci vit une vie insignifiante, dévouée seulement au travail, à la
consommation et au divertissement, et substitue l'action libre et spontanée par le
comportement. Contre cette forme d existence médiocre, Arendt et Camus soulignent la
capacité humaine de refus et de révolte. La révolte prouve que les hommes sont plus
grands que la mort. Ils marquent le monde avec leur timbre dans l'expérience
d appartenir au monde.
Palavras-chave
História social, Camus, Albert, 1913 - 1960 - Crítica e interpretação, Arendt, Hannah, 1906 - 1975 - Crítica e interpretação, Mundo, Amor, Revolta, Morte, Política, Ação, Camus, Arendt, Monde, Amour, Révolte, Mort, Politique, Action, Camus, Arendt
Citação
VAZ, Ricardo Vieira. O amor do mundo e o sentimento de absurdo: enunciações da Revolta
em Hannah Arendt e Albert Camus. 2012. 142 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2012. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2012.53