Publicação: Estudo da associação entre acesso à saúde, desigualdades socioeconômicas e de gênero na mortalidade por câncer cervical entre as regiões do Brasil no período de 2016 a 2022
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
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Resumo
O câncer do colo do útero permanece como importante problema de saúde pública no Brasil,
apesar de ser amplamente evitável por meio de estratégias de vacinação contra o papilomavírus
humano (HPV) e de rastreamento precoce. A persistência de elevadas taxas de mortalidade em
determinados territórios evidencia a influência de desigualdades socioeconômicas, regionais e de
gênero no acesso à prevenção e nos desfechos da doença. Este estudo teve como objetivo analisar
a associação entre acesso aos serviços de saúde, desigualdades socioeconômicas e
vulnerabilidades de gênero na mortalidade por câncer cervical nas cinco grandes regiões do
Brasil, no período de 2016 a 2022. Trata-se de um estudo ecológico, de abordagem quantitativa,
baseado em dados secundários provenientes do DATASUS e do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Foram analisados indicadores de mortalidade por câncer cervical, realização
de exames citopatológicos e histopatológicos, desigualdade de renda, pobreza, informalidade
feminina, violência sexual contra mulheres, homicídios femininos e mortalidade associada a
condições inadequadas de água e saneamento. As análises incluíram estatística descritiva,
correlação de Pearson, regressão linear múltipla e análise espacial por meio de mapas temáticos.
Os resultados evidenciaram marcantes desigualdades regionais, com maiores taxas proporcionais
de mortalidade nas regiões Norte e Nordeste. A violência sexual destacou-se como o fator mais
fortemente associado à mortalidade por câncer cervical, permanecendo estatisticamente
significativa nos modelos multivariados. Indicadores socioeconômicos e de infraestrutura
sanitária também se associaram aos padrões observados, revelando a interdependência entre
vulnerabilidade social, gênero e desfechos em saúde. Conclui-se que a mortalidade por câncer
cervical no Brasil reflete não apenas falhas biomédicas na prevenção, mas, sobretudo,
iniquidades estruturais que limitam a efetividade das políticas públicas quando dissociadas de
ações sociais e territoriais integradas. O enfrentamento desse agravo requer estratégias
intersetoriais que articulem saúde, proteção social e políticas de equidade de gênero, com
fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e redução das desigualdades regionais.
Abstract
Palavras-chave
Câncer cervical, Determinantes sociais da saúde, Gênero, Vulnerabilidade, Saúde Pública, Cervical cancer, Social Determinants of Health, Gender, Inequality, Public Health
Citação
MENDES, Maria Clara de Melo. Estudo da associação entre acesso à saúde, desigualdades socioeconômicas e de gênero na mortalidade por câncer cervical entre as regiões do Brasil no período de 2016 a 2022. 2026. 28 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Saúde Coletiva) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.