Publicação: Instrumentalização étnica em conflitos: guerra civil Síria, genocídio em Mianmar e terror de estado no Sudão
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CNPQ::OUTROS::RELACOES INTERNACIONAIS
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Quais razões levam a instrumentalização étnica em conflitos? Há três debates principais a
respeito de conflitos étnicos. Os primordialistas, acreditam que o conflito decorre de ódios e
ressentimentos antigos entre os grupos étnicos com identidades fixas, ignorando processos
estruturais, econômicos e políticos nos quais os grupos estão inseridos e os conflitos irrompem.
Para os epifenomenalistas, a violência étnica é fachada para o antagonismo de classes, sendo
apenas uma aparência incidental de lutas por poder político e econômico. Por fim, na visão dos
construtivistas, o conflito étnico seria resultado da construção de contextos que promovem
associações e geram um ambiente propício para mobilização étnica. Partindo da perspectiva
construtivista, o presente projeto de mestrado tem por objetivo entender a mobilização étnica
como instrumento em conflitos. Para isto, se fará uso de revisão bibliográfica de estudos acerca
da conceituação de etnicidade e da relação entre natureza da identidade étnica e conflito, assim
como será utilizado o método comparativo entre Síria, Mianmar e Sudão. Deste modo, a partir
da observação de países que sofreram com formas semelhantes de instrumentalização étnica,
apesar de localizados em regiões diferentes do globo - Oriente Médio, Ásia e África;
enfrentarem distintos tipos de violência política - guerra civil, genocídio e terror de Estado; e
estarem em diferentes contextos políticos, levanta-se a hipótese de que mobilizadores
instrumentalizam a etnia pois grupos étnicos possuem mais razões, oportunidades e incentivos
para engajamento e adesão devido a: (1) apresentarem maiores queixas contra o Estado ou
status quo quando este não lhe é favorável, principalmente se governado por um grupo étnico
divergente; (2) disporem de maior organização e apoio pelas afinidades identitárias e
proximidades territoriais; e (3) tender a serem menos flexíveis em negociações.
Abstract
What reasons lead to ethnic instrumentalization in conflicts? There are three main debates regarding ethnic conflicts. Primordialists believe that conflict stems from long-standing hatreds and resentments between ethnic groups with fixed identities, ignoring structural, economic, and political processes in which groups are embedded and conflicts erupt. For epiphenomenalists, ethnic violence is a façade for class antagonism, being only an incidental appearance of struggles for political and economic power. Finally, in the view of constructivists, ethnic conflict would be the result of the construction of contexts that promote associations and generate an environment conducive to ethnic mobilization. From the constructivist perspective, this project aims to understand ethnic mobilization as an instrument in conflicts. For this, a bibliographic review of studies on the conceptualization of ethnicity and the relationship between the nature of ethnic identity and conflict will be used, as well as the comparative method between Syria, Myanmar and Sudan. Thus, from the observation of countries that suffered from similar forms of ethnic instrumentalization, despite being located in different regions of the globe - the Middle East, Asia and Africa; confront different types of political violence - civil war, genocide and state terror; and being in different political contexts, it is hypothesized that mobilizers instrumentalize ethnicity because ethnic groups have more reasons, opportunities and incentives for engagement and adherence due to: (1) filing greater complaints against the State or status quo when it is not favorable to them, especially if governed by a divergent ethnic group; (2) have greater organization and support due to identity affinities and territorial proximities; and (3) tend to be less flexible in negotiations.
Palavras-chave
conflitos étnicos, guerra civil, genocídio, terror de Estado, instrumentalização.
Citação
ESPADA, Jordana Strano. Instrumentalização étnica em conflitos: guerra civil Síria, genocídio em Mianmar e terror de estado no Sudão. 2024.27 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Relações Internacionais) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024.
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