Publicação: Narrativas sobre o Marajó: colonialismo, estereótipos e produção midiática
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CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS
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Resumo
Esta dissertação investiga as narrativas midiáticas contemporâneas
sobre o arquipélago do Marajó, analisando de que modo o colonialismo, os
estereótipos históricos e as lógicas de produção da mídia contribuem para a
construção de representações marcadas pela exotização, pela violência
simbólica e pela homogeneização dos sujeitos amazônicos. A pesquisa parte
de uma abordagem qualitativa, ancorada em referenciais da comunicação e do
pensamento decolonial, articulando análise discursiva de noticias veiculadas
pelo G1, de 2019 a 2024.
O estudo evidencia que o Marajó é frequentemente retratado como
espaço de atraso, miséria e barbárie, em narrativas que reiteram imaginários
coloniais e reforçam hierarquias centro-periferia, apagando a complexidade
histórica, social e cultural da região. Observa-se que tais discursos midiáticos
tendem a descontextualizar problemas sociais, deslocando-os de suas causas
estruturais, ao mesmo tempo em que silenciam as vozes locais e suas formas
de resistência, saberes e modos de vida.
Ao problematizar essas representações, esse trabalho busca contribuir
para uma leitura crítica da produção midiática sobre a Amazônia marajoara,
apontando a necessidade de práticas comunicacionais éticas, plurais e
comprometidas com a escuta dos sujeitos. Defende-se, por fim, que a
desconstrução dos estereótipos é fundamental para a produção de narrativas
que rompam com a lógica colonial e promovam visibilidades mais justas e
complexas.
Abstract
This dissertation investigates contemporary media narratives about the
Marajó Archipelago, analyzing how colonialism, historical stereotypes, and
media production logics contribute to the construction of representations
marked by exoticization, symbolic violence, and the homogenization of
Amazonian subjects. The research adopts a qualitative approach, grounded in
communication studies and decolonial thought, articulating a discursive analysis
of news reports published by G1 from 2019 to 2024.
The study demonstrates that Marajó is frequently portrayed as a space of
backwardness, poverty, and barbarism in narratives that reiterate colonial
imaginaries and reinforce center–periphery hierarchies, thereby erasing the
region’s historical, social, and cultural complexity. It is observed that such media
discourses tend to decontextualize social problems, detaching them from their
structural causes, while simultaneously silencing local voices and their forms of
resistance, knowledge systems, and ways of life.
By problematizing these representations, this work seeks to contribute to
a critical reading of media production about Marajó in the Amazon, highlighting
the need for ethical and plural communicative practices committed to listening
to local subjects. Finally, it argues that the deconstruction of stereotypes is
fundamental to producing narratives that break with colonial logic and promote
more just and complex forms of visibility.
Palavras-chave
Ilha do Marajó, Marajó Island, Mídia, Colonialismo, Media, Colonialism
Citação
SOUSA, Gabriela Araújo de. Narrativas sobre o Marajó: colonialismo, estereótipos e produção midiática. 2026. Dissertação (Mestrado em Tecnologias, Comunicação e Educação) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI: http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.153