Publicação: Ancestralidade e identidade negra feminina em Conceição Evaristo, Alzira Rufino, Alda Espírito Santo e Conceição Lima
Carregando...
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Coleções
Área do conhecimento
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
Esta tese investe na discussão acerca da produção literária de autoria negra feminina. A pesquisa
mobiliza quatro vozes femininas fundamentais para a composição de um corpus que
compreende as obras poéticas Poemas da Recordação e outros Movimentos de Conceição
Evaristo (2021), Eu, Mulher Negra, Resisto de Alzira Rufino (1998), É nosso o solo Sagrado
da Terra de Alda Espírito Santo (1978/2010) e A dolorosa raiz de Micondó de Conceição Lima
(2012). De maneira articulada, a análise dessas produções evidencia a constituição de uma
práxis intelectual que se alicerça na ancestralidade e na recuperação de legados de resistência
contra a hegemonia branca, racista, classista e sexista, subproduto das estruturas de dominação
do sistema colonial. Fundamentalmente, esta pesquisa postula a poesia como um dispositivo de
existência capaz de desvelar e problematizar a complexa matriz de opressão histórica,
evidenciando discursos poéticos que buscam desestabilizar e reconfigurar padrões
epistemológicos tradicionalmente impostos à mulher negra nos âmbitos social, político e
cultural. Amparada por um aporte teórico interdisciplinar que engloba estudos sobre
ancestralidade, identidade, colonialidades, teorias pós-coloniais e feminismo negro
interseccional, a tese busca contribuir para a visibilidade de uma literatura que estabelece um
confronto epistemológico direto com as narrativas legitimadoras do colonialismo tanto no
Brasil quanto no continente africano. Tais obras engajam-se na redefinição da subjetividade
feminina negra, desmantelando imagens pré-estabelecidas a partir da corporeidade e da
vocalidade marginalizadas, resultando na manifestação de uma nova epistemologia vivenciada
pela “escrevivência” das autoras que promove a descolonização da fala e a inscrição de uma
substância identitária de (re)existência. Portanto, o objetivo primordial desta tese consiste em
analisar a escrita negra feminina sob o viés da ancestralidade como eixo de afirmação
identitária, examinando sua incidência na configuração das subjetividades representadas.
Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em um amplo levantamento bibliográfico que
integra autores como Joel Candau (2011,2021), Manuel Castells (2000), Kabengele Munanga
(2006,2008), Neusa Santos Sousa (1983), Stuart Hall (2006,2014), Caio Prado Júnior (2000),
Emília Viotti da Costa (1988), Aimé Césaire (2020), Frantz Fanon (2002,2008), Aníbal Quijano
(2005), Lélia Gonzalez (1988,2020), Nelson Maldonado-Torres (2022), Walter Mignolo
(2003,2014), Sueli Carneiro (2003,2019), Catherine Walsh, Grada Kilomba, Gloria Anzaldúa
(2000), Kimberlé Crenshaw (2004), Carla Akotirene (2019), Patrícia Hill Collins (2002,2019)
entre outros de igual relevância para a obtenção dos resultados. Nesse sentido, verificou-se que
essas escritas constituem um ato de refundação identitária, na qual a dor do passado histórico é
transmutada e metabolizada em uma força política e subjetiva essencial para a edificação de
uma nova ordem de escopo existencial e social.
Abstract
This dissertation engages in a critical discussion of literary production authored by Black
women. The study mobilizes four fundamental female voices in the composition of a corpus
comprising the poetic works Poemas da Recordação e outros Movimentos by Conceição
Evaristo (2021), Eu, Mulher Negra, Resisto by Alzira Rufino (1998), É nosso o solo Sagrado
da Terra by Alda Espírito Santo (1978/2010), and A dolorosa raiz de Micondó by Conceição
Lima (2012). Taken together, the analysis of these works highlights the constitution of an
intellectual praxis grounded in ancestry and the recovery of legacies of resistance against white,
racist, classist, and sexist hegemony—byproducts of the structures of domination inherent to
the colonial system. Fundamentally, this research posits poetry as a device of existence capable
of unveiling and problematizing the complex matrix of historical oppression, foregrounding
poetic discourses that seek to destabilize and reconfigure epistemological standards
traditionally imposed upon Black women within social, political, and cultural spheres.
Supported by an interdisciplinary theoretical framework encompassing studies on ancestry,
identity, colonialities, postcolonial theory, and intersectional Black feminism, this dissertation
seeks to contribute to the visibility of a body of literature that directly confronts narratives
legitimizing colonialism in Brazil and across the African continent. These works engage in
redefining Black female subjectivity, dismantling pre-established images through marginalized
corporeality and vocality, resulting in the emergence of a new epistemology experienced
through the authors’ “escrevivência” (writing-as-lived-experience), which promotes the
decolonization of speech and inscribes an identity substance of (re)existence. Therefore, the
primary objective of this dissertation is to analyze Black women’s writing through the lens of
ancestry as an axis of identity affirmation, examining its incidence in the configuration of the
represented subjectivities. Methodologically, the research is grounded in an extensive
bibliographic survey incorporating scholars such as Joel Candau (2011, 2021), Manuel Castells
(2000), Kabengele Munanga (2006, 2008), Neusa Santos Sousa (1983), Stuart Hall (2006,
2014), Caio Prado Júnior (2000), Emília Viotti da Costa (1988), Aimé Césaire (2020), Frantz
Fanon (2002, 2008), Aníbal Quijano (2005), Lélia Gonzalez (1988, 2020), Nelson Maldonado-
Torres (2022), Walter Mignolo (2003, 2014), Sueli Carneiro (2003, 2019), Catherine Walsh,
Grada Kilomba, Gloria Anzaldúa (2000), Kimberlé Crenshaw (2004), Carla Akotirene (2019),
and Patricia Hill Collins (2002, 2019), among others of equal relevance to the attainment of the
study’s results. In this regard, it was verified that these writings constitute an act of identity
refoundation, in which the pain of the historical past is transmuted and metabolized into a
political and subjective force essential to the construction of a new existential and social order.
Palavras-chave
Ancestralidade, Identidade negra feminina, Literatura, Colonialidade de gênero, Estudos Literários, Interseccionalidade, Ancestry, Black female identity, Gender coloniality, Intersectionality
Citação
SILVA, Ana Rosária Soares. Ancestralidade e identidade negra feminina em Conceição Evaristo, Alzira Rufino, Alda Espírito Santo e Conceição Lima. 2026. 213 f. Tese (Doutorado em Estudos Literários) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.108.