Publicação: O CAPS e a internação psiquiátrica no itinerário terapêutico de pessoas em sofrimento psíquico na perspectiva dos usuários
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
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Resumo
O tema dessa pesquisa se insere no campo da saúde mental. O estudo dos itinerários
terapêuticos pela perspectiva dos usuários dos serviços de saúde não é, ainda, uma temática
que recebe ênfase no âmbito científico, negligenciando-se, assim, a participação ativa dos
destinatários prioritários do processo social complexo denominado Reforma Psiquiátrica na
compreensão da centralidade deles no processo de cuidado. Em razão disso, esta pesquisa
buscou compreender, por meio dos itinerários terapêuticos, a percepção de pessoas (em
sofrimento psíquico e que tinham tido a experiência da internação psiquiátrica) sobre um
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de tipo 1 e a internação psiquiátrica em seus
percursos de busca de saúde. Foram entrevistadas seis pessoas, de 27 a 52 anos, usuárias de
um CAPS tipo I. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e para análise do material transcrito
foram adotados os procedimentos inspirados no conceito de indicadores de González Rey e na
análise temática de conteúdo. Cinco categorias analíticas foram discutidas: (1) O manicômio
está presente, cujos indicadores revelaram a necessidade de fortalecimento da RAPS, pois
antes do esgotamento dos recursos territoriais a internação foi utilizada. A hospitalização
também ocorreu após a inserção no CAPS e as equipes foram significadas como pouco
qualificadas para o cuidar; (2) O CAPS: espaço de convivência e substituto da vida social,
cujos indicadores mostraram o serviço como um espaço de acolhimento, respeito, liberdade e
confiança, mas, simultaneamente, promotor de dependência ao invés de autonomia, e como
único lugar de convívio para alguns entrevistados. Os indicadores se harmonizam com a ideia
da nova forma de cronificação produzida no interior dos dispositivos de
desinstitucionalização; (3) Como surgem as crises: do sofrimento ao rótulo diagnóstico, cujos
indicadores demonstraram que as crises foram desencadeadas por situações concretas de vida
geradoras de experiências de sofrimento pela ausência da garantia de direitos de cidadania,
como alimentação, renda, trabalho, mediação de conflitos familiares. Tais situações
complexas são reduzidas a categorizações diagnósticas, transformando-se em rótulos
reducionistas das experiências de vida; (4) Medicamentos psicotrópicos servem pra quê?,
cujos indicadores mostraram uma multiplicidade de sentidos atribuídos aos psicotrópicos, por
exemplo: curar, controlar, ser coadjuvante de outro tratamento considerado principal e ser
iatrogênico, comparado a um veneno, ou promotor de outra doença ou de obesidade ou de
dependência química; (5) Saúde e apoio social, cujos indicadores revelaram a presença de
recursos informais nos itinerários terapêuticos, como práticas espirituais e culturais,
convivência familiar, apoio de amigos. Como contribuição, este estudo permite refletir sobres
possíveis fragilidades da RAPS em município de menor porte a partir dos itinerários dos
usuários do CAPS tipo 1 entrevistados, o qual guarda caraterísticas de convivência e
substituto da vida social, destinando o cuidado da crise aos serviços de urgência e internações.
Os serviços de atenção primária não aparecem como ponto de cuidado.
Abstract
This research’s theme is inserted in the mental health field. The study of the therapeutic
itineraries through the perspective of the users of health services is not yet a topic that
receives much emphasis in the scientific realm, thus neglecting the active participation of the
primary recipients of the complex social process known as Psychiatric Reform in the
understanding of their centrality in the caring process. For this reason, this research sought to
understand, through the therapeutic itineraries, the perception of people (that are in psychic
suffering and that had been through the experience of psychiatric hospitalization) about a type
1 Center for Psychosocial Support (CAPS) and the psychiatric hospitalization throughout
their path in search for health. Interviews were conducted with six people, between the ages of
27 and 52, patients in a type 1 CAPS. This is a qualitative research and, for the analysis of the
transcripted material, it adopted the procedures inspired in the concept of indicators by
González Rey and in the content thematic analysis. Five analytical categories were discussed:
(1) The mental hospital is present, whose indicators revealed the need for strengthening
RAPS, because before the depletion of territorial resources the hospitalization was used. The
hospitalization also took place after the insertion in the CAPS and the teams were indicated as
poorly qualified for the caring; (2) The CAPS: an interaction space and a substitute for social
life, whose indicators show the service as a foster, respectful, free and reliable space, but, at
the same time, promoter of dependency instead of autonomy, and as the only living space for
some of the interviewees. The indicators blend with the idea of the new form of chronification
created inside the deinstitutionalization devices; (3) How do crisis occur: from the suffering to
the diagnostic label, whose indicators showed that the crisis were triggered by concrete life
situations that generated suffering experiences due to the absence of citizenship rights
guarantees, such as food, income, employment, family conflicts mediation. Such complex
situations are reduced to diagnostic categorizations, transforming into reductionist labels of
life experiences; (4) What is the purpose of psychotropic medication?, whose indicators
showed a multiplicity of meanings assigned to the psychotropics, for example: healing,
controlling, being an accessory to another treatment seen as the main one, and being
iatrogenic, compared to a poison or promoter of another disease, obesity, or chemical
dependency; (5) Health and social support, whose indicators revealed the presence of informal
resources in the therapeutic itineraries, such as spiritual and cultural practices, family
interaction, friends’ support. As a contribution, this study allows for a reflection about the
possible fragilities of RAPS in smaller towns, taking into account the itineraries of the type 1
CAPS users that were interviewed, which holds characteristics of interaction and substitute of
social life, allocating the caring of crises to the urgency and hospitalization services. Primary
care services aren’t considered a point-of-care.
Palavras-chave
itinerário terapêutico, Therapeutic itinerary., serviços de saúde mental, atenção psicossocial, internação psiquiátrica, Mental health services, Psychosocial support, Psychiatric hospitalization
Citação
FRANCO, Daisy Aparecida Alves. O CAPS e a internação psiquiátrica no itinerário terapêutico de pessoas em sofrimento psíquico na perspectiva dos usuários. 2021. 139 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2021. http://doi.org/10.14393/ufu.di.2021.655.
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