Publicação: Padrões crononutricionais e suas associações com desfechos metabólicos: resultados do National Health and Nutrition Examination Survey 2003–2018
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::NUTRICAO
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Maia, Yara Cristina de Paiva, Crispim, Cibele Aparecida
Resumo
Introdução: A duração do jejum tem sido amplamente investigada na literatura em relação ao
metabolismo, à perda de peso e às doenças crônicas. No entanto, estudos populacionais que
descrevem sua distribuição e variação entre diferentes subgrupos ainda são limitados. Além
disso, o horário e a regularidade da ingestão alimentar influenciam os ritmos circadianos e o
metabolismo, estando associados a diversos desfechos em saúde como a obesidade e a síndrome
metabólica. Evidências populacionais de longo prazo que integrem padrões de jejum e horário
da ingestão alimentar ainda são escassas. Objetivos: Descrever os padrões de jejum ao longo
de um período de 16 anos entre adultos e idosos, de acordo com características
sociodemográficas (manuscrito 1). O segundo objetivo foi avaliar a associação entre padrões
crononutricionais, definidos pelo horário da primeira e da última ingestão alimentar, e
desfechos metabólicos em adultos e idosos (manuscrito 2). Material e métodos: Foram
analisados 32.053 (manuscrito 1) e 7.895 participantes (manuscrito 2) de oito ciclos do National
Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) (2003-2018). Informações sobre a
duração do jejum e o horário da ingestão alimentar foram obtidas por dois recordatórios
alimentares de 24h. O primeiro episódio alimentar foi definido como a primeira ingestão de
alimentos ou bebidas contendo energia, registrada após as 05:00. O último episódio alimentar
correspondeu à última ingestão calórica do dia. Os padrões de jejum foram definidos como o
intervalo entre a última e a primeira ingestão, incluindo duração, ponto médio e jejum noturno
(18:00-6:00). Variáveis adicionais de crononutrição incluíram duração e ponto médio da
alimentação, horários da primeira e da última ingestão, além do número de refeições e da
ingestão total de energia (manuscrito 1). Para o manuscrito 2, foi estabelecido um padrão
crononutricional com base nos horários medianos populacionais da primeira e da última
ingestão alimentar, classificados em categorias de ingestão mais cedo ou mais tarde. As
associações foram avaliadas por modelos de regressões lineares, logísticos e multinomiais,
ajustados por potenciais fatores de confusão, em ambos os manuscritos. No manuscrito 2,
regressão de Poisson foi utilizada para analisar a associação entre o padrão crononutricional e
desfechos metabólicos, incluindo glicemia de jejum, triglicerídeos, colesterol HDL, obesidade,
obesidade abdominal e síndrome metabólica. Resultados: Os padrões de jejum diferiram entre
subgrupos sociodemográficos (p < 0.001), com padrões mais tardios entre adultos mais jovens
e indivíduos com menor escolaridade e renda, e mais precoces entre idosos. Diferenças na
duração do jejum e do jejum noturno (18:00-6:00) também foram observadas (p < 0.001), e os
padrões observados nas análises estratificadas foram consistentes com aqueles da amostra total.
Ao longo de 16 anos, ocorreram mudanças modestas, incluindo aumento do jejum noturno
(18:00-6:00) (p = 0.026), antecipação do horário da última ingestão (p = 0.048), menor
frequência alimentar (p = 0.028) e ingestão total de energia (p = 0.003) (manuscrito 1). No
manuscrito 2, padrões de ingestão mais tardios estiveram associados a maior prevalência de
triglicerídeos elevados (RP, 1.23; IC 95%: 1.05-1.46) e glicemia de jejum elevada (RP, 1.13; IC
95%: 1.03-1.24; RP, 1.16; IC 95%: 1.05-1.28), em comparação ao padrão mais precoce de
ingestão (manuscrito 2). Conclusão: Padrões de jejum mais tardios foram mais comuns entre
adultos mais jovens e indivíduos com menor escolaridade e renda, enquanto padrões mais
precoces foram mais frequentes entre idosos. Ao longo do tempo, observaram-se apenas
mudanças modestas nos padrões de jejum e nas demais variáveis crononutricionais (Manuscrito
1). Além disso, padrões de ingestão alimentar mais tardios estiveram associados a piores
desfechos metabólicos (Manuscrito 2). Esses achados podem contribuir para a compreensão
dos padrões de jejum em diferentes subgrupos populacionais e reforçam o papel do timing
alimentar como fator relevante na compreensão e potencial prevenção de distúrbios metabólicos
em nível populacional.
Abstract
Introduction: Fasting duration has been widely investigated in relation to metabolism, weight
loss, and chronic diseases. However, population-based studies describing its distribution and
variation across sociodemographic subgroups remain limited. In addition, the timing and
regularity of food intake influence circadian rhythms and metabolism and have been associated
with various health outcomes such as obesity and metabolic syndrome. Long-term population
based evidence integrating fasting patterns and eating timing remains scarce. Objectives: : To
describe fasting patterns over a 16-year period among adults and elderly according to
sociodemographic characteristics (manuscript 1). The second objective was to evaluate the
association between chrononutrition patterns, defined by the timing of the first and last eating
episodes, and metabolic outcomes in adults and elderly (manuscript 2). Materials and
Methods: A total of 32,053 (manuscript 1) and 7,895 participants (manuscript 2) from eight
cycles of the National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) (2003-2018) were
analyzed. Information on fasting duration and eating timing was obtained from two 24-hour
dietary recalls. The first eating episode was defined as the first intake of energy-containing
foods or beverages recorded after 05:00, and the last eating episode corresponded to the final
caloric intake of the day. Fasting patterns were defined as the interval between the last and first
eating episodes, including fasting duration, fasting midpoint, and night fasting duration (18:00
6:00). Additional chrononutrition variables included eating duration, eating midpoint, timing of
the first and last eating episodes, number of eating occasions, and total energy intake
(manuscript 1). For manuscript 2, a chrononutrition pattern was defined based on the population
median timing of the first and last eating episodes, categorized into earlier and later intake
patterns. Associations were assessed using linear, logistic, and multinomial regression models
adjusted for potential confounders in both manuscripts. In manuscript 2, Poisson regression was
used to examine the association between chrononutrition patterns and metabolic outcomes,
including fasting glucose, triglycerides, HDL cholesterol, obesity, abdominal obesity, and
metabolic syndrome. Results: Fasting patterns differed across sociodemographic subgroups (p
< 0.001), with later patterns more common among younger adults and individuals with lower
educational attainment and income, and earlier patterns among elderly individuals. Differences
in fasting duration and night fasting duration (18:00-6:00) were also observed across subgroups
(p < 0.001), and findings from stratified analyses were consistent with those from the overall
sample. Over the 16-year period, modest changes in fasting patterns were observed, including
slight increases in night fasting duration (18:00–6:00) (p = 0.026), earlier timing of the last
eating episode (p = 0.048), fewer eating occasions (p = 0.028), and lower total energy intake (p
= 0.003) (manuscript 1). In manuscript 2, later eating patterns were associated with a higher
prevalence of elevated triglycerides (PR: 1.23; 95% CI: 1.05-1.46) and elevated fasting glucose
(PR: 1.13; 95% CI: 1.03-1.24; PR: 1.16; 95% CI: 1.05-1.28), compared with earlier eating
patterns. Conclusion: Later fasting patterns were more common among younger adults and
individuals with lower educational attainment and income, whereas earlier patterns were more
frequent among elderly. Over time, only modest changes were observed in fasting patterns and
other chrononutrition variables (manuscript 1). Additionally, later eating patterns were
associated with worse metabolic outcomes (manuscript 2). These findings contribute to the
understanding of fasting patterns across population subgroups and highlight the role of eating
timing as a relevant factor in the understanding and potential prevention of metabolic disorders
at the population level.
Palavras-chave
Crononutrição, Hora das refeições, Jejum, Ritmo circadiano, Chrononutrition, Circadian rhythm, Fasting, Mealtime
Citação
FERREIRA, Isabela Borges. Padrões crononutricionais e suas associações com desfechos
metabólicos: resultados do National Health and Nutrition Examination Survey 2003–2018. 2026. 83 f. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI: http://doi.org/10.14393/ufu.te.2026.10013.
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