Publicação: Infecções de sítio cirúrgico após cirurgias cardíacas em um hospital
universitário mineiro: incidência, aspectos microbiológicos e epidemiológicos
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CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::IMUNOLOGIA::IMUNOLOGIA APLICADA
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Coorientador
Gontijo, Paulo
Resumo
Infecções de sítio cirúrgico (ISC) após cirurgias cardíacas representam um
grave problema para os pacientes operados em termos de morbidade, mortalidade e
custos. O objetivo deste estudo foi investigar aspectos epidemiológicos destas
infecções nos principais tipos de cirurgias cardíacas, incluindo incidência, etiologia,
patogenia e fatores de risco de infecções hospitalares, divididas em ISC e em outros
sítios anatômicos, bem como a mortalidade hospitalar em pacientes adultos. Foi
realizado um estudo caso vs. controle em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca no
período de novembro de 2005 a agosto de 2009. O procedimento cirúrgico mais
realizado foi a Cirurgia de Revascularização do Miocárdio (CRM) (53%), seguida
pela cirurgia de reparo valvar (CRV) (25,2%), outras cirurgias (14,7%) e cirurgias
combinadas de CRM e CRV (6,9%). A taxa de infecção de sítio cirúrgico foi de 17,6%,
com quase dois terços dos pacientes diagnosticados antes da alta hospitalar. As ISC
incisionais foram detectadas em 65 (14,5%) pacientes e as de órgão/espaço em 10
deles (2,2%). Os seguintes fatores de risco independentes foram associados ao
desenvolvimento de ISC: Índice de Massa Corporal (IMC) ≥ 30 Kg/m2 (OR: 2,20; 95%
CI 1,16 4,16; P=0,0154), Índicie de risco de infecção de sítio cirúrgico 2 (IRIC) (OR:
1,81; 95% CI 1,00 3,29; P=0,0506), cirurgia de revascularização miocárdica (OR: 2,36;
95% CI 1,22 4,58; P=0,0109), hospitalização pós-operatória maior que 7(sete) dias
(OR: 3,60; 95% CI 1,70 7,66; P=0,0008). A colonização nasal prévia do paciente por S.
aureus, também foi um fator predisponente (13,7% vs. 0% no grupo controle, P=
0,0011) apenas quando de análise univariada. A taxa de infecção hospitalar por
episódios, observadas em outros sítios incluindo corrente sanguínea (CS), trato
urinário (ITU) e pulmão (PNM), consideradas como um grupo, superou (68,6%) a de
ISC (31,3%) com uma relação de 2,1 para cada ISC. Estas infecções em outros sítios
anatômicos apresentaram como fatores de risco independentes a co-morbidade
insuficiência renal (OR: 3,55; 95% CI 2,00 6,32; P=<0,0001) e hospitalização pósoperatória
maior que 7 (sete) dias (OR: 5,76; 95% CI 2,93 11,33; P=<0,0001). Os
critérios microbiológicos foram usados no diagnóstico da maioria das ISC (52,0%) e
de outras IHs (59,0%), destacando-se um predomínio de bacilos Gram negativos
(BGN) (63,5%), ausentes no ar da sala de cirurgia, Klebsiella spp. (24,1%) e
Staphylococcus aureus (20,6%) como os patógenos mais freqüentes. Os microrganismos
multiresistentes (66,3%) predominaram entre as amostras recuperadas de espécimes
clínicos. A mortalidade foi significante tanto nos pacientes com ISC (OR: 3,09; 95% CI
1,26 7,59; P=<0,0134) quanto naqueles com infecções graves como PNM e infecções
de CS (P<0,05). Embora as ISC, comuns na prática hospitalar, sejam reconhecidas
cada vez mais como uma medida da qualidade do cuidado oferecido aos pacientes,
resultados mais expressivos, em termos de morbidade, mortalidade e
conseqüentemente custos, sobretudo quando da inclusão das infecções em outros
sítios anatômicos após cirurgias cardíacas, como observado nesta investigação,
devem ser analisados de forma crítica.
Abstract
Surgical site infections (SSI) after cardiac surgery is a significant problem for
patients operated in terms of morbidity, mortality and costs. The objective of this
study was to investigate epidemiological aspects of these infections in the main types
of heart surgeries, including incidence, etiology, pathogenesis and risk factors of
nosocomial infection, divided into ISC and other anatomical sites and hospital
mortality in adult patients. We conducted a study case vs. control in patients
undergoing cardiac surgery between November 2005 and August 2009. The most
common surgical procedure was coronary artery bypass grafting (CABG) (53%),
followed by surgery to repair valve (CRV) (25.2%), other surgeries (14.7%) and
surgery combined CRM and CRV (6.9%). The rate of surgical site infection was
17.6%, with almost two thirds of patients diagnosed before hospital discharge. The
ISC site infections were detected in 65 (14.5%) patients and organ/space in 10
patients (2.2%). The following independent risk factors were associated with the
development of CSI: Body Mass Index (BMI) ≥ 30 kg/m2 (OR: 2.20, 95% CI 1.16 to
4.16, P = 0.0154), Risk index for surgical site infection "2" (IRIC) (OR: 1.81, 95% CI 1.00
to 3.29, P = 0.0506), CABG (OR: 2.36; 95% CI 1.22 to 4.58, P = 0.0109), postoperative
hospitalization greater than 7 (seven) days (OR: 3.60, 95% CI 1.70 to 7.66, P = 0,0008).
The nasal colonization prior patient with S. aureus, was also a predisposing factor
(13.7% vs. 0% in the control group, P = 0.0011) only when the analysis. The rate of
nosocomial infection episodes observed in other sites including the blood stream
(CS) and urinary tract infection (UTI) and lungs (pneumonia), considered as a group
exceeded (68.6%) of the ISC (31.3% ) with a ratio of 2.1 for each ISC These infections
in other anatomical sites presented as independent risk factors for co-morbidity renal
failure (OR: 3.55, 95% CI 2.00 to 6.32, P = <0.0001) and postoperative hospitalization
longer than 7 (seven) days (OR: 5.76, 95% CI 2.93 to 11.33, P<0.0001). Microbiological
criteria were used in the diagnosis of the majority of SSI (52.0%) and other IHS
(59.0%), highlighting a predominance of gram-negative bacilli (GNB) (63.5%), absent
in the air the operating room, Klebsiella spp. (24.1%) and Staphylococcus aureus (20.6%)
as the most common pathogens. Microorganisms multidrug resistant (66.3%)
predominated among the isolates recovered from clinical specimens. Mortality was
significant both in patients with SSI (OR: 3.09, 95% CI 1.26 to 7.59, P<0.0134) and in
those with severe infections like PNM and infections of CS (P<0, 05). Although the
ISC, which are common in hospital practice, are increasingly recognized as a
measure of quality of care offered to patients, more significant results in terms of
morbidity, mortality, and therefore costs, especially when the inclusion of infections
in other anatomical sites after cardiac surgery, as observed in this study, should be
examined critically.
Palavras-chave
Cirurgias cardíacas, Infecções hospitalares, Fatores de risco, Mortalidade hospitalar, Cardiac surgery, Nosocomial infections, Risk factors, Hospital mortality
Citação
FINZI, Marcília Batista de Amorim. Infecções de sítio cirúrgico após cirurgias cardíacas em um hospital
universitário mineiro: incidência, aspectos microbiológicos e epidemiológicos. 2010. 72 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2010.