Publicação: Efeito de uma estratégia de transição do cuidado baseada em videomonitoramento, teach-back e entrevista motivacional no autocuidado de pacientes com insuficiência cardíaca: ensaio clínico randomizado
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Almeida Neto, Olmar Pereira de
Resumo
Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, associada a
elevados índices de hospitalização, mortalidade e reinternações, frequentemente
relacionados à baixa adesão terapêutica, à fragmentação do cuidado e às fragilidades no
período de transição entre os níveis da rede de atenção à saúde. Estratégias estruturadas de
transição do cuidado, associadas ao uso de tecnologias como o videomonitoramento e
metodologias de mudança comportamental, têm sido propostas como alternativas para
fortalecer o autocuidado e reduzir desfechos adversos. Objetivo: Avaliar a efetividade de
uma estratégia estruturada de transição do cuidado hospitalar para a atenção básica,
associada ao acompanhamento clínico remoto por videomonitoramento, ancorado em
entrevista motivacional (EM) e teach-back, no autocuidado de pacientes com IC, em
comparação ao cuidado usual, ao longo de 180 dias de seguimento. Material e Métodos:
Ensaio clínico randomizado, unicêntrico, com avaliação cega dos desfechos, conduzido
com pacientes com IC descompensada e fração de ejeção reduzida (FEVE <40%),
atendidos no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. Os participantes
foram randomizados em grupo intervenção (GI) e grupo controle (GC). Na alta hospitalar,
o GI recebeu cartilha educativa, compartilhamento do sumário de alta com a atenção
primária e consultas de enfermagem por videomonitoramento via WhatsApp® aos 7, 30,
60 e 180 dias pós-alta, utilizando EM e TB. O GC recebeu o cuidado usual. O desfecho
primário foi o autocuidado, avaliado pela Escala Europeia de Autocuidado. A análise
longitudinal foi realizada por meio de Equações de Estimativas Generalizadas (GEE), com
modelos ajustados para idade, sexo, fração de ejeção e classe funcional NYHA. As análises
foram realizadas no software R. Resultados: Um total de 140 pacientes foram incluídos
(GC = 73; GI = 67), com idade média de 65,59 ± 13,72 anos no GC e 63,94 ± 14,28 anos
no GI, classe funcional II da NYHA (n = 60; 42,9%), e FEVE de 30,49 ± 6,49%. A GEE
ajustada por idade, sexo, FEVE e classe funcional da NYHA demonstrou interação
significativa entre grupo e tempo (χ² = 27,22; p < 0,001). As médias ajustadas dos escores
totais de autocuidado permaneceram estáveis no GC ao longo do seguimento. Observou-se
redução progressiva dos escores de autocuidado ao longo do tempo no GI, sendo 29,07 ±
0,92 na linha de base, 24,38 ± 1,08 aos 30 dias, 19,84 ± 0,75 aos 60 dias e 19,92 ± 0,90 aos
180 dias. As diferenças ajustadas entre os grupos (GI − GC) foram de −0,78 na linha de
base, −6,28 aos 30 dias, −9,32 aos 60 dias e −10,09 pontos aos 180 dias, respectivamente,
indicando melhora clínica e estatisticamente significativa do autocuidado no GI.
Observaram-se menores taxas de reinternação (GC = 32,14% vs. GI = 11,76%) e
mortalidade (GC = 5,36% vs. GI = 1,96%) no GI. Conclusões: A intervenção de transição
do cuidado conduzida por enfermeiros, que combinou EM+TB e videomonitoramento
clínico, melhorou significativamente o autocuidado de pacientes com IC ao longo de 180
dias, assim como houve redução de reinternações e mortalidade no GI, apoiando a
incorporação dessas estratégias aos modelos de transição do cuidado para fortalecer o
engajamento do paciente e sustentar o autocuidado.
Abstract
Introduction: Heart failure (HF) is a complex clinical syndrome associated with high rates of
hospitalization, mortality, and readmissions, often related to poor therapeutic adherence,
fragmentation of care, and weaknesses during the transition between levels of the healthcare
system. Structured care transition strategies, combined with the use of technologies such as
video monitoring and behavior change methodologies, have been proposed as alternatives to
strengthen self-care and reduce adverse outcomes. Objective: To evaluate the effectiveness of
a structured hospital-to-primary care transition strategy, combined with remote clinical followup via video monitoring, grounded in motivational interviewing (MI) and teach-back (TB), on
self-care in patients with HF, compared to usual care, over a 180-day follow-up period.
Materials and Methods: This was a single-center randomized clinical trial with blinded
outcome assessment, conducted with patients with decompensated HF and reduced ejection
fraction (LVEF <40%), treated at the Hospital de Clínicas of the Federal University of
Uberlândia. Participants were randomized into an intervention group (IG) and a control group
(CG). At hospital discharge, the IG received an educational booklet, sharing of the discharge
summary with primary care, and nursing consultations via video monitoring through
WhatsApp® at 7, 30, 60, and 180 days post-discharge, using MI and TB, while the CG received
usual care. The primary outcome was self-care, assessed using the European Self-Care Scale.
Longitudinal analysis was performed using Generalized Estimating Equations (GEE), with
models adjusted for age, sex, ejection fraction, and NYHA functional class, and analyses were
conducted using R software. Results: A total of 140 patients were included (CG = 73; IG = 67),
with a mean age of 65.59 ± 13.72 years in the CG and 63.94 ± 14.28 years in the IG,
predominantly NYHA functional class II (n = 60; 42.9%), and a mean LVEF of 30.49 ± 6.49%.
The GEE model adjusted for age, sex, LVEF, and NYHA functional class showed a significant
interaction between group and time (χ² = 27.22; p < 0.001). Adjusted mean total self-care scores
remained stable in the CG over time, whereas a progressive reduction in scores was observed
in the IG (29.07 ± 0.92 at baseline, 24.38 ± 1.08 at 30 days, 19.84 ± 0.75 at 60 days, and 19.92
± 0.90 at 180 days). Adjusted between-group differences (IG − CG) were −0.78 at baseline,
−6.28 at 30 days, −9.32 at 60 days, and −10.09 points at 180 days, indicating a clinically and
statistically significant improvement in self-care in the IG. Lower rates of readmission (32.14%
vs. 11.76%) and mortality (5.36% vs. 1.96%) were also observed in the IG. Conclusions: The
nurse-led care transition intervention, combining MI, TB, and clinical video monitoring,
significantly improved self-care in patients with HF over 180 days, in addition to reducing
readmissions and mortality, supporting the incorporation of these strategies into care transition
models to enhance patient engagement and sustain self-care
Palavras-chave
Insuficiência Cardíaca, Autocuidado, Telemedicina, Transição do Cuidado, Enfermagem, Ensaio Clínico Randomizado, Heart Failure, Self Care, Telemedicine, Transitional Care, Nursing, Randomized Controlled Trial
Citação
SANTOS, Leonardo Daniel Reis. Efeito de uma estratégia de transição do cuidado baseada em videomonitoramento, teach-back e entrevista motivacional no autocuidado de pacientes com insuficiência cardíaca: ensaio clínico randomizado. 2026. 82 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.DOI: http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.297 .
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