Publicação: Loucura e cultura: cartografias da extensão de uma clínica
poética
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
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Coorientador
Bueno, Paulo Roberto de Lima
Resumo
Esta pesquisa aborda a complexa questão da Loucura que perpassa o quotidiano e
que se articula em outros territórios que não os das concepções e práticas que acabam por
enclausurá-la numa única perspectiva qual seja: saúde mental. A partir de produções artísticas
que se arriscam a inaugurar com seus trânsitos uma outra concepção da Loucura são
colocados em questão alguns clichês e padronizações que acabam por se impor mesmo
quando a intenção é a de abertura de outras possíveis formas de existencializações. Procura-se
ensaiar propostas de mudança de perspectiva com relação à loucura e das formas de atuação,
implementando posturas críticas frente às próprias práticas colocadas que acabam por destinar
à composição de uma prática com intervenções multiplicadoras. Estas se constroem e são
construídas à medida que ocorrem, em uma relação dialética com o que produz e como se
produz. Considerando a loucura não como desvio da norma, mas principalmente como
possibilitadora de existências singulares, que adoecem por serem desautorizados enquanto
discurso, encaminha-se a investigação procurando manter uma postura ético-político-estética
frente ao adoecimento do louco. A partir de danças em praças e de práticas artísticas um novo
corpo se insinua, uma nova relação com as corporeidades atravessam antigas concepções. Ao
intervir no quotidiano colocando em movimento o trânsito da loucura com a cultura um nãolugar
insurge promovendo rupturas nos campos já estabelecidos. São chances de apreensão do
campo do invisível, do imprevisto, do devir. A partir, mais particularmente, do pensamento de
Foucault, de Deleuze, Guattari, Herrmann e Gil uma tessitura de pensamento sobre a clínica
vai sendo feita com várias formas de entrelaçamento à moda de fuxicos que costurados
potencializam múltiplas possibilidades de habitar dimensões móveis de uma clínica que prima
pela produção, pela criação, pelo poético, rompendo os campos da clínica padrão e
possibilitando uma atuação nas extensões da cultura, por uma saúde poética.
Abstract
This research approaches madness as a complex question which permeates the
everyday life and articulates with questions other than those ones of conceptions and practices
that put it only in the mental health perspective. Some artistic works which take the risk of
inaugurating a new conception of madness allow putting into question some clichés and
standards imposed even when an opening to new ways of existenciality is aimed. This work
seeks to essay some possibilities of changing the perspective that madness and professional
performance follows. It is a critic view of consolidated practices, by proposing a composition
of a practice with multiplying interventions. These latter build and are built insofar as they
happen in a dialogical relationship with what it makes and how it does. This investigation
considers madness not as a deviation but as a possibility of singular existentialities, which
become ill only because they are not authorized discursively. That is why it tries to keep an
ethic, political, and aesthetic position towards the madman sickening. Based on dances in
squares and artistic practices, a new body hints; a new relationship with bodilinesses breaks
through old conceptions. In intervening in the everydayness, by putting into motion the transit
between madness and culture, a non-place emerges and breaks through established fields. It is
a chance of apprehending the invisible, the unexpected, and the passage of one state to
another. Based on Foucault, Deleuze, Guattari, Herrmann, and Gil, a contexture of ideas on
the clinic is made through new ways of interlacement as if it were fuxicos (patchworks) that
once sewed create multiple possibilities of inhabiting movable dimensions of a clinic that
privilege making, creating, and poetizing; that goes beyond the standard clinic domains and
makes possible to work professionally in the field of culture in favor of a poetical health.
Palavras-chave
Arte, Clínica, Art, Madness, Culture, Clinic, Psicanálise, Loucura, Cultura, Arte e doença mental
Citação
BOM-TEMPO, Juliana Soares. Loucura e cultura: cartografias da extensão de uma clínica
poética. 2008. 139 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2008.