Publicação: Ensaios sobre Vantagens Comerciais Setoriais, Mudança Estrutural e Complexidade Econômica: Uma Análise Teórica e Empírica com Foco no Brasil Recente
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CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ECONOMIA::ECONOMIA INTERNACIONAL::TEORIA DO COMERCIO INTERNACIONAL, CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ECONOMIA::ECONOMIA INTERNACIONAL::RELACOES DO COMERCIO POLITICA COMERCIAL INTEGRACAO ECONOMICA, CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ECONOMIA::CRESCIMENTO, FLUTUACOES E PLANEJAMENTO ECONOMICO::CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONOMICO
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Resumo
Esta tese é composta por três ensaios, que discutem de maneira complementar os determinantes
da competitividade externa dos países, captado pela razão das elasticidades de Thirlwall, bem
como sua relação com câmbio, mudança estrutural e crescimento econômico de longo prazo. O
primeiro ensaio estima a elasticidade-renda da demanda por exportações e importações para o
Brasil em relação a três grandes parceiros comerciais: Estados Unidos, Holanda e China,
desagrupados em doze setores, em linha com a Lei de Thirlwall Multissetorial (ARAUJO e
LIMA, 2007). Conclui-se que a dinâmica competitiva comercial do Brasil é bem diferente
quando estudado setores e parceiros comerciais específicos, em comparação ao modelo
agregado. O Brasil se destaca negativamente por possuir baixa competitividade dinâmica em
vários produtos industriais com a China e no setor de combustíveis com os EUA e Holanda,
mas é competitivo em alimentos e bebidas básicos com os EUA e em equipamentos de
transporte e insumos industriais básicos com a Holanda. Essas informações podem embasar
uma estratégia de política industrial de inserção externa em setores adjacentes aos já
estabelecidos e internacionalmente competitivos, sobretudo no caso dos combustíveis. O ensaio
dois estima o efeito da taxa de câmbio na alteração das pautas exportadora e importadora do
Brasil, considerando vinte e um grupos de produtos e vinte parceiros comerciais, visando
verificar se um câmbio mais desvalorizado é capaz de desencadear mudanças estruturais
significativas. O câmbio real bilateral é calculado para cada parceiro comercial e este efeito é
controlado pelo efeito-renda. Verifica-se que a apreciação do câmbio está associada a uma
maior participação dos produtos minerais nas exportações, enquanto a desvalorização favorece
alguns setores, marcadamente, o de materiais de transporte, que ganha espaço nas vendas
externas, enquanto perde na pauta importadora, mas os efeitos agregados sobre a complexidade
total dos bens transacionados são, de modo geral, incertos, com significativas diferenças
setoriais. Com esses achados, embora a taxa de câmbio não possa ser negligenciada em uma
estratégia de transformação industrial, seu efeito isolado se mostra insuficiente para o caso
brasileiro. Por fim, o terceiro ensaio estima a razão das elasticidades de um grupo de países
para, posteriormente, desenvolver um modelo matemático e testá-lo empiricamente, buscando
verificar o motivo dessa razão diferir substancialmente entre as nações, já que esta relação
costuma ser um bom preditor do crescimento efetivo de longo prazo. Verifica-se que os países
que conseguem transformar sua estrutura produtiva em direção à bens mais complexos,
conforme definido por Hidalgo e Hausmann (2009), são os que possuem maior competitividade
dinâmica, medida pela combinação da alta propensão marginal a exportar e baixa propensão
marginal a importar. Com isso, políticas bem-sucedidas em alterar o lado da oferta dos países
e inserir externamente seus produtos podem ser capazes de alterar a trajetória de crescimento.
Os ensaios se complementam por discutir os determinantes da razão das elasticidades e verificar
os setores nos quais a política industrial seria mais efetiva, em termos de custo-benefício, para
alavancar o crescimento sustentado de longo prazo do Brasil, levando em conta a estrutura de
oferta vigente e os parceiros comerciais mais relevantes na atualidade.
Abstract
This thesis consists of three essays, which discuss in a complementary manner the determinants
of countries' external competitiveness, captured by the Thirlwall elasticities ratio, as well as
their relationship with exchange rate, structural change and long-term economic growth. The
first essay estimates the income elasticity of demand for exports and imports to Brazil in relation
to three major trading partners: the United States, the Netherlands and China, broken down into
twelve sectors, in line with the Multisectoral Thirlwall Law (ARAUJO and LIMA, 2007). It is
concluded that Brazil's commercial competitive dynamics are quite different when studying
specific sectors and trading partners, compared to the aggregated model. Brazil stands out
negatively for having low dynamic competitiveness in several industrial products with China
and in the fuel sector with the US and the Netherlands, but it is competitive in food and basic
beverages with the US and in transport equipment and basic industrial inputs with the
Netherlands. This information can support an industrial policy strategy for foreign insertion in
sectors adjacent to those already established and internationally competitive, especially in the
case of fuels. Essay two estimates the effect of the exchange rate on changing Brazil's export
and import patterns, considering twenty-one groups of products and twenty trading partners, in
order to verify whether a more devalued exchange rate is capable of triggering significant
structural changes. The bilateral real exchange rate is calculated for each trading partner and
this effect is controlled by the income effect. It appears that the appreciation of the exchange
rate is associated with a greater share of mineral products in exports, while the devaluation
favors some sectors, notably transport materials, which gains space in foreign sales, while
losing in the import basket, but the aggregate effects on the total complexity of traded goods
are generally uncertain, with significant sectoral differences. With these findings, although the
exchange rate cannot be neglected in an industrial transformation strategy, its isolated effect is
insufficient for the Brazilian case. Finally, the third essay estimates the ratio of the elasticities
of a group of countries to later develop a mathematical model and test it empirically, seeking
to verify the reason for this ratio to differ substantially among nations, since this relationship is
usually a good predictor of effective long-term growth. It appears that the countries that manage
to transform their productive structure towards more complex goods, as defined by Hidalgo and
Hausmann (2009), are those with the greatest dynamic competitiveness, measured by the
combination of high marginal propensity to export and low marginal propensity to import. As
a result, policies that are successful in altering the supply side of countries and inserting their
products abroad may be able to alter the growth trajectory. The essays complement each other
by discussing the determinants of the elasticities ratio and verifying the sectors in which the
industrial policy would be more effective, in terms of cost-benefit, to leverage Brazil's sustained
long-term growth, taking into account the supply structure in force and the most relevant
commercial partners today.
Palavras-chave
Lei de Thirlwall, Thirlwall's Law, Complexidade Econômica, Economic Complexity, Mudança Estrutural, Structural Change, Crescimento Econômico, Economic Growth, Taxa de Câmbio, Exchange Rate
Citação
MELLINI, André. Ensaios sobre vantagens comerciais setoriais, mudança estrutural e complexidade econômica: uma análise teórica e empírica com foco no Brasil recente. 2023. 192fl. Tese (Doutorado em Economia) Universidade Federal de Uberlândia. 2023. Disponível em: http://doi.org/10.14393/ufu.te.2023.8030
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