Publicação: Efeitos do Mat Pilates associado a contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico em mulheres na pós-menopausa com incontinência urinária de esforço: ensaio clínico randomizado e controlado
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL
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Coorientador
Resende, Ana Paula Magalhães
Resumo
Introdução: A incontinência urinária (IU) acomete mais de 50% das mulheres na pós menopausa. Entretanto, ainda não está esclarecido se o Mat Pilates proporciona benefícios adicionais ao treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) sobre a IU. Objetivo: Avaliar os benefícios do Mat Pilates associado a contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico (MAP) em mulheres na pós-menopausa com de incontinência urinária de esforço (IUE). Métodos: Ensaio clínico controlado e randomizado. Participaram 92 mulheres com IUE, força dos MAP ≥2 e sem uso de terapia hormonal, randomizadas em grupo experimental (57,6 ± 5,2
anos n=46), submetido ao Mat Pilates associado à contração voluntária dos MAP (MP+cvMAP), e grupo controle (57,3 ± 4,4 anos, n=46), submetido ao TMAP. Ambos os grupos realizaram 36 sessões, três vezes por semana, durante três meses, com equalização do número de contrações dos MAP e progressão do treinamento a cada 12 sessões. Previamente, todas participaram de três sessões de conscientização perineal. Foram avaliados: impacto da IU pelo ICIQ-SF (International Consultation on Incontinence Questionnaire), quantidade de perda urinária com o Pad test de uma hora, hábitos urinários por diário miccional por 3 dias e função dos MAP por palpação unidigital e manometria vaginal. A análise estatística foi realizada por
modelos lineares mistos, considerando grupo (TMAP vs. Mat Pilates), tempo (pré e pós intervenção) e a interação grupo × tempo como efeitos fixos (α = 5%). Resultados: No impacto da IU na qualidade de vida, o TMAP houve uma redução de 11,28 (±4,22) para 5,51 (±4,58) e o MP+cvMAP houve uma redução de 12,17 (±4,56) para 7,45 (±4,16) com diferença média de 0,96 (IC 95% −1,00 a 2,92) e ausência de superioridade (p=334). Nos hábitos urinários, observou-se redução da frequência urinária, o TMAP houve uma redução de 3,15 (±1,29) para 2,19 (±0,71) e o MP+cvMAP houve uma redução de 2,82 (±0,93) para 2,64 (±0,92), com
diferenças médias de 0,80 (IC 95% 0,37 a 1,23) mostrando superioridade a favor do TMAP (p<0,001) e nos episódios de perda urinária, o TMAP houve uma redução de 1,82 (±2,19) para 0,45 (±0,74) e o MP+cvMAP houve uma redução de 1,56 (±1,33) para 0,96 (±1,16), com diferenças médias de 0,76 (IC 95% 0,09 a 1,42), sendo que o TMAP mostrou superioridade (p=0,026). Na avaliação dos MAP, apenas as contrações máximas dos MAP houve superioridade entre as intervenções, a favor do TMAP (p=0,047), no TMAP houve um aumento
de 4,24 (±1,86) para 6,19 (±2,11) e o MP+cvMAP houve um aumento de 4,41 (±1,33) para 5,35 (±1,85), com diferenças médias de −0,99 (IC 95% −1,97 a −0,01). A taxa de cura foi de 70% (32/46) no grupo TMAP e de 43% (20/46) no grupo MP+cvMAP. Conclusão: Ambas as intervenções melhoraram o impacto da IUE na qualidade de vida. Entretanto, o TMAP foi superior em desfechos urinários e funcionais relevantes, reforçando sua indicação como tratamento conservador de primeira linha para mulheres na pós-menopausa com IUE.
Abstract
Introduction: Urinary incontinence (UI) affects more than 50% of postmenopausal women.
However, it remains unclear whether Mat Pilates provides additional benefits over Pelvic Floor
Muscle Training (PFMT) for the treatment of UI. Objective: To evaluate the benefits of Mat
Pilates combined with voluntary pelvic floor muscle (PFM) contraction in postmenopausal
women with stress urinary incontinence (SUI). Methods: A randomized controlled trial was
conducted. Ninety-two women with SUI, PFM strength ≥ 2, and no use of hormone therapy
were randomized into an experimental group (57.6 ± 5.2 years, n = 46), which underwent Mat
Pilates combined with voluntary PFM contraction (MP + vcPFM), and a control group (57.3 ±
4.4 years, n = 46), which underwent PFMT. Both groups completed 36 sessions, three times
per week, for three months, with equalization of the number of PFM contractions and training
progression every 12 sessions. Before the intervention, all participants attended three sessions
of perineal awareness training. The following outcomes were assessed: the impact of UI using
the International Consultation on Incontinence Questionnaire–Short Form (ICIQ-SF), the
amount of urinary leakage using the one-hour Pad test, urinary habits using a 3-day bladder
diary, and PFM function using digital palpation and vaginal manometry. Statistical analysis
was performed using linear mixed models, considering group (PFMT vs. Mat Pilates), time
(pre- and post-intervention), and the group × time interaction as fixed effects (α = 5%). Results:
Regarding the impact of UI on quality of life, the PFMT group showed a reduction from 11.28
(±4.22) to 5.51 (±4.58), whereas the MP + vcPFM group showed a reduction from 12.17 (±4.56)
to 7.45 (±4.16), with a mean difference of 0.96 (95% CI −1.00 to 2.92) and no superiority
between interventions (p = 0.334). Regarding urinary habits, urinary frequency decreased from
3.15 (±1.29) to 2.19 (±0.71) in the PFMT group and from 2.82 (±0.93) to 2.64 (±0.92) in the
MP + vcPFM group, with a mean difference of 0.80 (95% CI 0.37 to 1.23), demonstrating
superiority in favor of PFMT (p < 0.001). Urinary leakage episodes decreased from 1.82 (±2.19)
to 0.45 (±0.74) in the PFMT group and from 1.56 (±1.33) to 0.96 (±1.16) in the MP + vcPFM
group, with a mean difference of 0.76 (95% CI 0.09 to 1.42), with PFMT demonstrating
superiority (p = 0.026). In the PFM assessment, only maximal PFM contractions showed
superiority between interventions, in favor of PFMT (p = 0.047). In the PFMT group, maximal
PFM contractions increased from 4.24 (±1.86) to 6.19 (±2.11), whereas in the MP + vcPFM
group they increased from 4.41 (±1.33) to 5.35 (±1.85), with a mean difference of −0.99 (95%
CI −1.97 to −0.01). The cure rate was 70% (32/46) in the PFMT group and 43% (20/46) in the
MP + vcPFM group. Conclusion: Both interventions improved the impact of SUI on quality oflife. However, PFMT was superior in relevant urinary and functional outcomes, reinforcing its
indication as the first-line conservative treatment for postmenopausal women with SUI.
Palavras-chave
Incontinência urinária de esforço, Stress Urinary Incontinence, Pós-Menopausa, Assoalho Pélvico, Pilates, Exercícios, Postmenopause, Pelvic Floor, Pilates, Exercise
Citação
OLIVEIRA, Wanessa Silva de. Efeitos do Mat Pilates associado a contração voluntária dos músculos do
assoalho pélvico em mulheres na pós-menopausa com incontinência urinária de esforço. 2026. 95 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.11073