Publicação: A racionalidade neoliberal em enunciados institucionais estatais brasileiros: um estudo arquegenealógico
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CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA
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Resumo
Esta tese se inscreve na Linha de Pesquisa Linguagem, sujeito e discurso do Programa
de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL) da Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Apresenta-se, como objetivo, analisar a racionalidade neoliberal no
discurso estatal do Brasil entre 2016 e 2022, considerando o funcionamento dos efeitos
de verdade na constituição da subjetividade, com base nos Estudos Discursivos
foucaultianos e na problematização do objeto neoliberalismo, incluindo seus campos
associados e irrupções no tempo presente. Para tanto, foi selecionada uma amostragem
de enunciados ligados ao discurso institucional estatal político durante os anos
mencionados, compreendendo um período em que o Brasil passou por acontecimentos
políticos, factuais e discursivos, tanto em esfera econômica e social, quanto no que
tange à constituição da subjetividade. No que concerne à estrutura textual, o texto
divide-se em três seções. Em Teoria e método na arquegenealogia foucaultiana,
abordam-se concepções fundamentais ao estudo proposto, desde a problematização da
história e da verdade, bem como o discurso, a acontecimentalização, subjetividade e o
método arquegenealógico descrito por Foucault (2019). Nessa seção, também
introduzimos a análise arquegenealógica do discurso neoliberal e as características do
neoliberalismo no Brasil e seus contrastes com o liberalismo clássico. Em As
emergências do neoliberalismo, centra-se no neoliberalismo como nova arte de
governar a si e aos outros, com ênfase nos acontecimentos nos anos de 2016 a 2022 que
emergiram esse objeto e seus domínios associados. Destaca-se, neste ponto, a
concepção de biopolítica e exemplos de práticas estatais que a envolvem. Já em
Arquegenalogia da racionalidade neoliberal no Brasil, discorre-se acerca da seleção
dos enunciados e os campos associados ao neoliberalismo, tais como: a função do
Estado; o trabalho e a individualização do trabalhador; a defesa das Reformas e das
privatizações; o nacionalismo antidemocrático e a biopolítica. Discute-se, nessa etapa,
como o Estado é objetivado e objetiva o indivíduo no discurso neoliberal, enfim,
delineando uma razão de mundo, ou seja, uma racionalidade que manifesta-se na
subjetividade e nas práticas estatais no Brasil. Consideram-se, então, os acontecimentos
no recorte de tempo já mencionado, que associaram-se ao domínio neoliberal, a saber: o
impeachment de Dilma Rousseff, a entrada de Michel Temer na presidência, as eleições
de 2018, o ataque direto às políticas públicas e aos sujeitos marginalizados, bem como a
pandemia do coronavírus e a emergência de novas estratégias de biopolítica partida do
Estado. Em direção ao entendimento e reflexões propostas, observa-se a pertinência de
estudos da objetivação e subjetivação e sua relação com o discurso, com base nos
escritos foucaultianos e de autores que, até os dias de hoje, estudam o neoliberalismo,
sendo possível pensar no tema não só enquanto concepção da economia política, mas
como um modo de existência. Em suma, pensa-se neste modo de existência, aqui
denominado de empreendedorismo de si, como expressamente emergente no presente,
inclusive no Brasil. Os estudos realizados indicam que o discurso neoliberal objetiva e
subjetiva os sujeitos, visibilizando modos de vida individualizantes, cujo discurso do
empreendedorismo de si é parte, haja vista os efeitos de verdade constitutivos dessa
subjetividade do presente, isto é, classificatória ao sujeito pelos seus feitos e conquistas,
o subjetivando “empreendedor de si” enquanto há absolvição do Estado em relação às
demandas sociais de saúde, segurança e educação.
Abstract
Esta tesis forma parte de la Línea de Investigación Lenguaje, Sujeto y Discurso del
Programa de Posgrado en Estudios Lingüísticos (PPGEL) de la Universidad Federal de
Uberlândia (UFU). Su objetivo es analizar la racionalidad neoliberal en el discurso
estatal brasileño entre 2016 y 2022, considerando el funcionamiento de los efectos de la
verdad en la constitución de la subjetividad, con base en los Estudios Discursivos
foucaultianos y la problematización del objeto del neoliberalismo, incluyendo sus
campos asociados e irrupciones en la actualidad. Para ello, se seleccionó una muestra de
enunciados vinculados al discurso político institucional del Estado durante los años
mencionados, abarcando un período en el que Brasil atravesó acontecimientos políticos,
fácticos y discursivos, tanto en el ámbito económico como en el social, así como en lo
que respecta a la constitución de la subjetividad. Respecto a la estructura textual, el
texto se divide en tres secciones. En Teoría y método en la arquegenealogía
foucaultiana, se abordan conceptos fundamentales del estudio propuesto, desde la
problematización de la historia y la verdad, así como del discurso, la eventalización, la
subjetividad y el método arquegenealógico descrito por Foucault (2019). En esta
sección, también presentamos el análisis arquegenealógico del discurso neoliberal y las
características del neoliberalismo en Brasil, así como sus contrastes con el liberalismo
clásico. En Las Emergencias del Neoliberalismo, se centra en el neoliberalismo como
un nuevo arte de autogobernarse y gobernarse a sí mismo y a los demás, con énfasis en
los acontecimientos de 2016 a 2022 que dieron origen a este objeto y sus dominios
asociados. En este punto, destacamos el concepto de biopolítica y ejemplos de prácticas
estatales que lo involucran. En Arquegenealogía de la Racionalidad Neoliberal en
Brasil, se analiza la selección de enunciados y campos asociados al neoliberalismo,
como: la función del Estado; el trabajo y la individualización del trabajador; la defensa
de las reformas y las privatizaciones; el nacionalismo antidemocrático y la biopolítica.
Esta etapa analiza cómo es objetivado el Estado y objetiva al individuo en el discurso
neoliberal, delineando en última instancia una cosmovisión, es decir, una racionalidad
que se manifiesta en la subjetividad y las prácticas estatales en Brasil. Posteriormente,
se consideran los eventos del período mencionado asociados con el régimen neoliberal,
a saber: el impeachment de Dilma Rousseff, la investidura de Michel Temer como
presidente, las elecciones de 2018, el ataque directo a las políticas públicas y a los
sujetos marginados, así como la pandemia del coronavirus y el surgimiento de nuevas
estrategias biopolíticas impulsadas por el Estado. Para la comprensión y las reflexiones
propuestas, observamos la relevancia de los estudios sobre objetivación y subjetivación
y su relación con el discurso, basados en los escritos de Foucault y autores que, hasta la
fecha, estudian el neoliberalismo. Esto permite pensar el tema no solo como una
concepción de la economía política, sino como un modo de existencia. En resumen, este
modo de existencia, aquí denominado emprendimiento del yo, se percibe como
emergente en el presente, incluso en Brasil. Los estudios realizados indican que el
discurso neoliberal objetiva y subjetiva a los sujetos, visibilizando formas de vida
individualizadoras, de las cuales forma parte el discurso del emprendimiento del yo,
dados los efectos de verdad que constituyen esta subjetividad del presente, es decir,
clasificando al sujeto por sus acciones y logros, subjetivándolo como un "emprendedor
del yo", mientras que existe una absolución del Estado en relación con las demandas
sociales de salud, seguridad y educación.
Palavras-chave
Michel Foucault, Michel Foucault, Discurso neoliberal estatal, Discurso neoliberal de Estado, Subjetivação, Subjetivación, Racionalidade neoliberal, Racionalidad neoliberal, Empreendedorismo de si, Emprendimiento del yo
Citação
Squigati, Tainá Camila Pires Mello dos Santos. A racionalidade neoliberal em enunciados institucionais estatais brasileiros: um estudo arquegenealógico. 2025. 120 f. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2025.5056.