Publicação: Associação do ácido úrico sérico com o consumo alimentar e metabólitos da cafeína na urina na população dos estados unidos. NHANES 2011-2012
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::NUTRICAO::ANALISE NUTRICIONAL DE POPULACAO
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Introdução: A hiperuricemia, condição caracterizada pela presença de níveis elevados
de ácido úrico (AU) no organismo, tem sido amplamente estudada para compreender suas
associações com fatores dietéticos e metabólitos da cafeína. No entanto, é importante ressaltar
que os resultados desses estudos são controversos, tornando a compreensão da relação entre
dieta e AU um campo ainda em desenvolvimento. Além da avaliação do consumo alimentar, é
fundamental considerar a associação do AU com marcadores bioquímicos que predizem de
forma mais precisa o consumo, tais como os metabólitos da cafeína presentes no organismo.
Objetivo: avaliar a associação da ingestão dietética e dos metabólitos de cafeína com os níveis
séricos de AU. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal utilizando dados da Pesquisa
Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (NHANES) 2011-2012. A amostra consistiu em 3956
adultos com idade acima de 20 anos e uma subamostra de 1252 indivíduos com informações
sobre cafeína e seus metabólitos na urina. A ingestão dietética foi avaliada por meio de dois
recordatórios alimentares de 24 horas. A presença de cafeína e 15 de seus metabólitos na urina
foi avaliada por LC-tandem MS com ionização por electrospray. O AU sérico foi medido pelo
método colorimétrico. Foram realizadas regressões lineares e logísticas para as associações.
Resultados: Nas análises de regressão linear, a ingestão de carboidratos (β=-0,001; p=0,043),
gordura saturada (β=-0,020; p=0,015), fibras (β=-0,018; p=0,012), cálcio (β=-0,004; p=0,006),
magnésio (β=-0,008; p=0,050) e cereais (β=-0,009; p=0,029) estavam inversamente associados
ao AU sérico, enquanto a ingestão de álcool (β=0,010; p<0,001) estava positivamente associada
aos níveis séricos de AU. Nas análises de regressão logística, a ingestão de álcool (OR=1,02,
IC 95%= 1,007 - 1,037) estava associada a uma maior chance de hiperuricemia, enquanto a
ingestão de vegetais (OR=0,99, IC 0,989 – 0,998) estava associada a uma menor chance de
hiperuricemia. Os fatores dietéticos explicaram os níveis séricos de AU de 0,1% a 1,0%. Os
metabólitos de cafeína, paraxantina (β= -0,004, p= 0,006), teobromina (β= -0,004, p= <0,001),
ácido 7-metilúrico (β= -0,003, p= 0,0033), ácido 3,7-dimetilúrico (β= -0,029, p= 0,024), 3-
metilxantina (β= -0,001, p= 0,038) e 7-metilxantina (β= -0,001, p= 0,001) estavam
inversamente associados ao AU sérico, enquanto o ácido 1,3-dimetilúrico (β= 0,001, p= 0,012)
estava positivamente associado ao AU sérico. Nas análises de regressão logística, a teobromina,
o ácido 3-metilúrico, o ácido 7-metilúrico e a 3-metilxantina estavam associados a uma menor
chance de hiperuricemia. Conclusão: Este estudo evidencia que a ingestão de carboidratos,
gordura saturada, fibras, cálcio, magnésio e cereais está inversamente associada aos níveis
séricos de AU, enquanto a ingestão de álcool apresenta uma associação positiva. Além disso, a
presença de teobromina e seus metabólitos, juntamente com a paraxantina, mostraram uma
associação inversa com os níveis séricos de AU, enquanto o ácido 1,3-dimetilúrico apresentou
uma associação positiva. Estes resultados destacam a importância da dieta e dos metabólitos e
sua associação com AU sérico.
Abstract
Introduction: Hyperuricemia, is a condition characterized by elevated levels of uric acid
(UA) in the body, has been extensively studied to understand its associations with dietary
factors and caffeine metabolites. However, it is important to note that the results of these studies
are controversial, making the understanding of the relationship between diet and UA a field still
under development. In addition to evaluating dietary intake, it is essential to consider the
association of UA with biochemical markers that more accurately predict consumption, such as
caffeine metabolites present in the body. Objective: To evaluate the association of dietary
intake and caffeine metabolites with serum UA levels. Methods: A cross-sectional study was
conducted using data from the National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES)
2011-2012. The sample consisted of 3956 adults aged over 20 years and a subsample of 1252
individuals with information on caffeine and its metabolites in urine. Dietary intake was
assessed through two 24-hour dietary recalls. The presence of caffeine and 15 of its metabolites
in urine was evaluated by LC-tandem MS with electrospray ionization. Serum UA was
measured by the colorimetric method. Linear and logistic regressions were performed for the
associations. Results: In linear regression analyses, carbohydrate intake (β=-0.001; p=0.043),
saturated fat intake (β=-0.020; p=0.015), fiber intake (β=-0.018; p=0.012), calcium intake (β=-
0.004; p=0.006), magnesium intake (β=-0.008; p=0.050), and cereal intake (β=-0.009; p=0.029)
were inversely associated with serum UA levels, whereas alcohol intake (β=0.010; p<0.001)
was positively associated with serum UA levels. In logistic regression analyses, alcohol intake
(OR=1.02, 95% CI= 1.007 - 1.037) was associated with a higher chance of hyperuricemia, while
vegetable intake (OR=0.99, 95% CI= 0.989 – 0.998) was associated with a lower chance of
hyperuricemia. Dietary factors explained serum UA levels from 0.1% to 1.0%. Caffeine
metabolites, including paraxanthine (β= -0.004, p= 0.006), theobromine (β= -0.004, p= <0.001),
7-methyluric acid (β= -0.003, p= 0.0033), 3,7-dimethyluric acid (β= -0.029, p= 0.024), 3-
methylxanthine (β= -0.001, p= 0.038), and 7-methylxanthine (β= -0.001, p= 0.001), were
inversely associated with serum UA levels, while 1,3-dimethyluric acid (β= 0.001, p= 0.012)
was positively associated with serum UA levels. In logistic regression analyses, theobromine,
3-methyluric acid, 7-methyluric acid, and 3-methylxanthine were associated with a lower
chance of hyperuricemia. Conclusion: This study highlights that carbohydrate intake, saturated
fat intake, fiber intake, calcium intake, magnesium intake, and cereal intake are inversely
associated with serum UA levels, while alcohol intake shows a positive association.
Furthermore, theobromine and its metabolites, along with paraxanthine,
exhibited an inverse association with serum UA levels, while 1,3-dimethyluric acid showed a
positive association. These studies emphasize the importance of dietary factors and metabolites
and their association with serum UA.
Palavras-chave
Ácido úrico, uric acid, hiperuricemia, hyperuricemia, ingestão alimentar, food intake, cafeína, caffeine, metabolitos da cafeina, caffeine metabolites
Citação
LIMIRIO, Larissa Silva. Associação do ácido úrico sérico com o consumo alimentar e metabólitos da cafeína na urina na população dos estados unidos. NHANES 2011-2012. 2023. 98 f. Tese (Doutorado em CIências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2023. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.te.2023.436
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