Publicação: Território e políticas educacionais neoliberais: relações entre desigualdade socioespacial e centralidade das avaliações externas em escolas estaduais de ensino médio em Uberlândia-MG
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA::GEOGRAFIA HUMANA
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Resumo
A presente pesquisa analisa as relações entre políticas educacionais neoliberais, avaliações
externas em larga escala e produção das desigualdades educacionais em escolas estaduais de
Ensino Médio localizadas na cidade de Uberlândia (MG), compreendendo a educação como um
fenômeno socioespacial permeado por múltiplos fatores internos e externos à escola. Centra-se
na discussão acerca da consolidação do neoliberalismo e de seus desdobramentos sobre a
educação pública brasileira, evidenciando a centralidade assumida pelas avaliações externas,
pelos modelos de accountability e pelos mecanismos de financiamento na reorganização das
políticas educacionais. Nesse contexto, o estudo tem como objetivo compreender de que
maneira essas políticas se articulam às desigualdades socioespaciais produzidas no espaço
urbano, influenciando as condições de funcionamento das escolas e os resultados obtidos nos
indicadores de desempenho. A pesquisa caracteriza-se como básica, de abordagem qualitativa
e quantitativa, com caráter exploratório e descritivo, fundamentando-se em revisão
bibliográfica e documental, análise de legislações e políticas públicas, levantamento de
indicadores educacionais, socioeconômicos e de infraestrutura urbana, bem como na elaboração
e interpretação de mapas temáticos referentes à cidade de Uberlândia. Os resultados evidenciam
que a utilização de indicadores oriundos de avaliações externas como os do Sistema de
Avaliação da Educação Básica (Saeb) para ranqueamento, responsabilização e distribuição de
recursos tendem a desconsiderar as desigualdades historicamente produzidas no território,
atribuindo às escolas e aos seus sujeitos responsabilidades que extrapolam sua capacidade de
intervenção. A análise espacial demonstra que os resultados educacionais apresentam estreita
relação com a distribuição desigual da infraestrutura urbana, dos equipamentos públicos e das
condições socioeconômicas da população. Conclui-se que a compreensão da qualidade
socialmente referenciada da educação exige incorporar a dimensão territorial à análise das
políticas educacionais, reconhecendo que o enfrentamento das desigualdades demanda ações
que superem a lógica da responsabilização individual e considerem as condições concretas de
produção do espaço geográfico.
Abstract
This research analyzes the connections between neoliberal educational policies, large-scale
external assessments, and the production of educational inequalities in state high schools in the
city of Uberlândia, Minas Gerais, Brazil, viewing education as a socio-spatial phenomenon
shaped by multiple factors both internal and external to schools. It focuses on the consolidation
of neoliberalism and its impact on Brazilian public education, highlighting the central role
played by external assessments, accountability models, and funding mechanisms in the
reorganization of educational policies. In this context, the study aims to understand how these
policies intersect with socio-spatial inequalities produced in urban space, influencing school
operating conditions and educational performance indicators. The research is classified as basic,
exploratory, and descriptive, employing both qualitative and quantitative approaches. It is
grounded in a review of literature and documents, an analysis of legislation and public policies,
a survey of educational, socioeconomic, and urban infrastructure indicators, and the creation
and interpretation of thematic maps of Uberlândia. The results show that using indicators from
external assessments, such as the Basic Education Assessment System of Brazil (Saeb), for
ranking, accountability, and resource allocation tends to overlook historically rooted territorial
inequalities, placing responsibilities on schools and their individuals, exceeding their capacity
for intervention. Spatial analysis reveals a close link between educational outcomes and the
unequal distribution of urban infrastructure, public facilities, and the population's
socioeconomic conditions. The study concludes that understanding educational quality requires
incorporating the territorial dimension into the analysis of educational policies, recognizing that
addressing inequalities demands actions that go beyond the logic of individual accountability
and take into account the concrete conditions under which geographic space is produced.
Palavras-chave
Geografia da educação, Geography of education, Políticas educacionais, Educational policies, Neoliberalismo, Neoliberalism, Avaliações externas, External assessments, Accountability, Accountability, Desigualdades socioespaciais, Socio-spatial inequalities
Citação
CARVALHO NETO, Joel de Souza. Território e políticas educacionais neoliberais: relações entre desigualdade socioespacial e centralidade das avaliações externas em escolas estaduais de ensino médio em Uberlândia-MG. 2026. 183 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Geografia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
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