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A Geografia e a Luta Antirracista: uma leitura crítica do Novo Ensino Médio (2017) e da BNCC (2018)

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Resumo

Esta dissertação opera uma leitura crítica das recentes reformas educacionais brasileiras — a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Novo Ensino Médio (NEM) — sob a ótica da Geografia e da luta antirracista. O estudo problematiza como a "globalização perversa" (Milton Santos) estrutura um modelo de ensino pautado na pedagogia das competências, promovendo o que se denomina "adolescência adulterada". O objetivo central é analisar as contradições entre o Currículo de Referência de Minas Gerais (CRMG) e a urgência de uma práxis educativa anticolonial. Metodologicamente, a pesquisa qualitativa vincula a análise documental ao relato de experiência docente (2023-2025). A fundamentação teórica articula Antonio Gramsci, Paulo Freire e Samora Machel para sustentar a tríade "hegemonia-libertação-homem novo". Os resultados revelam que a reforma educacional, ao priorizar uma lógica de empregabilidade precária, silencia o racismo estrutural e desidrata o pensamento espacial crítico. Conclui-se que a superação desse modelo exige a retomada do território como categoria de resistência, reafirmando o ensino de Geografia como instrumento de emancipação da juventude negra e trabalhadora.

Abstract

This thesis confronts the neoliberal education project embodied in the National Common Curricular Base (BNCC) and the New High School (NEM), analyzing its impacts on Geography teaching and the anti-racist struggle in Minas Gerais. The investigation denounces how "perverse globalization" (Milton Santos) operates a kidnapping of geographical consciousness, replacing critical thinking with competence-based pedagogy and resulting in an "adulterated adolescence". The objective is to reveal the abyss between the Minas Gerais Reference Curriculum (CRMG) and the urgency of an anti-colonial educational praxis. Through qualitative research and a teaching experience report (2023-2025), the work mobilizes the "hegemony-liberation-new man" triad, based on Gramsci, Paulo Freire, and Samora Machel. The analysis demonstrates that the current reforms impose a logic of passivity in the face of power structures, silencing structural racism, socio-spatial contradictions, and territorial sovereignty. It concludes that school geography must break with the logic of precarious employability to reaffirm itself as an instrument of re-existence and emancipation for black and working-class youth.

Palavras-chave

Ensino de Geografia, Geography Education, Luta Antirracista, BNCC, Novo Ensino Médio, Geografia Anticolonial, Neoliberalismo, Formação crítica, Prática docente, Cidadania mutilada, Anti-racist Struggle, BNCC (National Common Core Curriculum), New High School Curriculum, Anti-colonial Geography, Neoliberalism, Critical thinking, Teaching practice, Mutilated citizenship

Citação

FARIA, Edy Wilson Silva. A Geografia e a Luta Antirracista: uma leitura crítica do Novo Ensino Médio (2017) e da BNCC (2018). 2026. 82 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.306.

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