Publicação: A experiência de mulheres em relacionamentos abusivos: violências, desafios e superações
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
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Resumo
Esta pesquisa qualitativa, fundamentada na abordagem fenomenológico-existencial, teve
como objetivo compreender as experiências de mulheres que vivenciaram relacionamentos
abusivos, enfatizando os sentidos atribuídos à violência, os fatores associados à permanência
na relação e os processos de ruptura. Participaram do estudo seis mulheres adultas que haviam
sofrido violência praticada por parceiros íntimos. Os dados foram produzidos por meio de
entrevistas semiestruturadas e analisados segundo a hermenêutica fenomenológica. Os
resultados evidenciaram que processos de socialização marcados por desigualdades de gênero,
naturalização da violência, silenciamento, ausência de acolhimento e modelos familiares
violentos favoreceram a vulnerabilidade das participantes aos relacionamentos abusivos. As
narrativas revelaram diferentes formas de violência, especialmente psicológica, física e
sexual, além de controle, manipulação, isolamento e dependência emocional, produzindo
impactos significativos na autonomia e na saúde mental das mulheres. Também foram
identificados obstáculos para o rompimento da relação, como o medo, a esperança de
mudança do agressor e a fragilidade das redes de apoio. Em contrapartida, destacaram-se
como fatores de emancipação o acesso à informação, o fortalecimento da rede de apoio, o
letramento sobre violência de gênero e o acesso aos serviços especializados. Conclui-se que a
violência contra a mulher constitui um fenômeno estrutural, cuja compreensão a partir das
experiências das próprias mulheres contribui para fortalecer políticas públicas, redes de
proteção e práticas de acolhimento mais qualificadas.
Abstract
This qualitative study, based on a phenomenological-existential approach, aimed to
understand the experiences of women who have experienced abusive relationships,
emphasizing the meanings attributed to violence, the factors associated with remaining in the
relationship, and the processes of separation. Six adult women who had experienced violence
perpetrated by intimate partners participated in the study. Data were produced through
semi-structured interviews and analyzed according to phenomenological hermeneutics. The
results showed that socialization processes marked by gender inequalities, the normalization
of violence, silencing, lack of support, and violent family models contributed to participants’
vulnerability to abusive relationships. The narratives revealed different forms of violence,
especially psychological, physical, and sexual violence, as well as control, manipulation,
isolation, and emotional dependency, generating significant impacts on women’s autonomy
and mental health. Barriers to ending the relationship were also identified, such as fear, hope
for the aggressor’s change, and fragile support networks. Conversely, access to information,
strengthening of support networks, gender violence awareness, and access to specialized
services emerged as factors that promoted emancipation. It is concluded that violence against
women constitutes a structural phenomenon, and its understanding from women’s own
experiences contributes to strengthening public policies, protection networks, and more
qualified support practices.
Palavras-chave
relacionamento abusivo, violência contra a mulher, violência de gênero, fenomenologia
Citação
Nogueira, J. D. (2026). A experiência de mulheres em relacionamentos abusivos: violências, desafios e
superações (Trabalho de Conclusão de Curso). Universidade Federal de Uberlândia, Graduação em Psicologia, Uberlândia, Minas Gerais.
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