Publicação: Prevalência do aleitamento materno exclusivo e sua associação com trabalho materno em países da América Latina
Carregando...
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Coleções
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Azeredo, Catarina Machado
Resumo
Introdução: As políticas que garantem às mulheres uma pausa no trabalho por pelo
menos seis meses após o parto aumentam a probabilidade de aleitamento materno
exclusivo (AME) pelo mesmo período. Para mulheres que trabalham fora do lar, o
retorno ao trabalho representa um momento determinante que pode interferir
diretamente na exclusividade e na continuidade ou não da amamentação. A maioria dos
países da América Latina desenvolveu suas legislações de proteção à maternidade entre
1940 e 1970, porém ainda necessitam de aprimoramento. Objetivo: Analisar a
prevalência do AME e sua associação com trabalho materno na América Latina.
Métodos: Estudo transversal, realizado com dados das Pesquisas de Demografia e
Saúde realizadas na Bolívia(2008), Brasil(2006), Colômbia(2010), Guatemala(2015),
Haiti(2017), Honduras(2011), Peru(2011) e República Dominicana(2007). A amostra
foi composta por crianças vivas menores de seis meses e suas respectivas mães. O
desfecho foi a situação do AME(sim/não) e as principais variáveis preditoras foram
trabalho materno atual (sim/não), tipo de ocupação (gerencial; administrativo; vendas;
agricultura; doméstica; trabalho manual) e modalidade do trabalho (formal/informal).
Informações sobre licença maternidade foram coletadas a partir de documentos e
legislações trabalhistas específicas de cada país. A associação entre AME e trabalho foi
realizada por regressão de Poisson, ajustada por escolaridade materna, presença do
companheiro, local de residência, idade materna, tipo de parto, primiparidade, índice de
riqueza e aleitamento materno na primeira hora. Resultados: A prevalência de AME foi
de 58,0% na Bolívia, 41,1% no Brasil, 39,2% na Colômbia, 50,8% na Guatemala,
39,7% no Haiti, 31,1% em Honduras, 68,1% no Peru e 7,6% na República Dominicana.
O percentual de mulheres que declarou trabalhar no momento da entrevista foi de 46,1%
na Bolívia, 24,1% no Brasil, 28% na Colômbia, 19,5% na Guatemala, 21,3% no Haiti,
23,3% em Honduras, 35,4% no Peru e 19,1% na República Dominicana. Dentre as
mulheres que declararam trabalhar, o percentual de mulheres em trabalho formal foi de
43,9% na Bolívia, 87,4% na Colômbia, 60,5% na Guatemala, 83,3% no Haiti, 72,2%
em Honduras, 56,8% no Peru e 64,7% na República Dominicana. O tipo de ocupação
mais prevalente foi na área de vendas, exceto na Bolívia, onde a maioria trabalha na
agricultura. A licença maternidade variou de 12 a 18 semanas nesses países. O trabalho
materno se associou negativamente com AME na Guatemala (RP=0,80;
IC95%=0,64;0,98), Haiti (RP=0,68;IC95%=0,51;0,90) e Honduras (RP=0,65;IC95%=
0,46;0,91). Esses três países possuíam o menor tempo de licença maternidade, sendo
que na Guatemala e em Honduras, 2/3 do subsídio era de responsabilidade da
seguridade social e 1/3 do empregador. No Haiti, 100% do subsídio era de
responsabilidade do empregador. O trabalho informal se associou negativamente com
AME em Honduras (RP=0,74;IC95%=0,55;0,99). Quanto à modalidade de emprego, o
trabalho doméstico se associou negativamente ao AME na República Dominicana
(RP=0,28;IC95%=0,08;0,93). Conclusão: A prevalência de AME foi inferior para
mulheres que estavam trabalhando em três países da América Latina, que também
apresentaram menores durações da licença maternidade. O trabalho materno na
economia informal precisa ser melhor investigado haja vista que esta modalidade de
emprego esteve associada negativamente ao AME em um dos países analisados.
Abstract
Introduction: Policies that guarantee women a break from work for at least six months
after delivery increase the probability of exclusive breastfeeding for the same period.
For women who work outside home, the return to work represents a determining
moment that can directly interfere with the exclusivity and continuity or not
breastfeeding. Most countries in Latin America developed their maternity protection
laws between 1940 and 1970, but they still need improvement. Objective: To analyze
the prevalence of EBF and the association with maternal work in Latin America.
Methods: Cross-sectional study, conducted with data from the Demography and Health
Surveys carried out in Bolivia(2008), Brazil(2006), Colombia(2010), Guatemala(2015),
Haiti(2017), Honduras(2011), Peru(2011) and Dominican Republic(2007). The sample
consisted of live children under six months of age and their mothers. The outcome was
the EBF situation(yes/no) and the main predictor variables were maternal work(yes/no),
type of occupation (managerial; administrative; sales; agriculture; domestic; manual
labor) and employment modality (formal/informal). Information on maternity leave was
collected form country-specific documents and labor laws. The association between
EBF and predictor variables was performed using Poisson regression, adjusted for
maternal education, presence of partner, place of residence, maternal age, type of
delivery, primiparity, wealth índex and breastfeeding in the first hour. Results: The
prevalence of EBF was 58.0% in Bolivia, 41.1% in Brazil, 39.2% in Colombia, 50.8%
in Guatemala, 39.7% in Haiti, 31.1% in Honduras, 68.1% in Peru and 7.6% in the
Dominican Republic. The percentage of women who declared to work was 46.1% in
Bolivia, 24.1% in Brazil, 28% in Colombia, 19.5% in Guatemala, 21.3% in Haiti,
23.3% in Honduras, 35.4% in Peru and 19.1% in the Domican Republic. Among the
women who declared to work, the percentage of women in formal work was 43.9% in
Bolivia, 87.4% in Colombia, 60.5% in Guatemala, 83.3% in Haiti, 72.2% in Honduras,
56.8% in Peru and 64.7% in the Dominican Republic. The most prevalent type of
occupation was in the sales área, except in Bolivia, where the majority work in
agriculture. Maternity leave ranged from 12 to 18 weeks in these countries. Maternal
work was negatively associated with EBF in Guatemala (PR:0.80; CI95%:0.65;0.98),
Haiti (PR:0.68; CI95%:0.51;0.90) and Honduras (PR:0.65; CI95%: 0.46;0.91). These
three countries had the shortest maternity leave, while in Guatemala and Honduras, 2/3
of the subsidy was the responsability of social security and 1/3, of the employer. In
Haiti, 100% of the subsidy was the responsability of the employer. Informal work was
negatively associated with EBF in Honduras (0.74; CI: 0.55; 0.99). As for the type of
employment, domestic work was negatively associated with EBF in the Dominican
Republic (0.28; CI: 0.08; 0.93). Conclusion: The prevalence of EBF was lower in
women who were working in three countries in Latin America, which also had shorter
duration of maternity leave. Maternal work in the informal economy needs to be further
investigated since this type of employment was negatively associated with EBF in one
of the countries analyzed.
Palavras-chave
Aleitamento materno exclusivo, Amamentação, Trabalho materno, Licença maternidade, América Latina, Pesquisas de demografia e saúde, Proteção à maternidade, Breastfeeding, Maternal work, Maternity leave, Latin America, Demography Health and Survey, Maternity protection
Citação
SANTOS, Marília Neves. Prevalência do aleitamento materno exclusivo e sua associação com trabalho materno em países da América Latina. 2020. 52 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2020.3615.