Publicação: Avaliação carcinogênica da fluoxetina em células epiteliais de D. melanogaster
Carregando...
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Programa
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
A depressão é um problema crescente de saúde pública, sendo a fluoxetina o antidepressivo
mais utilizado. Apesar de seu amplo uso, os dados sobre sua genotoxicidade em altas
concentrações são escassos e divergentes. Este estudo determinou a toxicidade e o potencial
carcinogênico de diferentes concentrações de fluoxetina em células epiteliais de Drosophila
melanogaster. A metodologia envolveu ensaio de sobrevivência com larvas de terceiro estágio
submetidas ao tratamento crônico com fluoxetina (0,125 a 2 mg/mL). Para avaliar a
carcinogenicidade, aplicou-se o Ensaio de Detecção de Tumores Epiteliais, utilizando a
progênie trans-heterozigota para o gene supressor tumoral warts (mwh+/+wts). Os dados foram
analisados estatisticamente pelo teste do Chi-quadrado. Os resultados de toxicidade mostraram
que a sobrevivência é inversamente proporcional à concentração, sendo que apenas a dose de 2
mg/mL reduziu significativamente a sobrevivência (40%) frente ao controle negativo (85%).
No ensaio de tumores, as concentrações até 1 mg/mL não diferiram do controle, indicando
ausência de carcinogenicidade em doses baixas. Contudo, a concentração de 2 mg/mL provocou
aumento significativo na indução de tumores (80 tumores em 41 moscas). Conclui-se que a
fluoxetina possui perfil toxicogênico dependente da dose. O efeito carcinogênico em 2 mg/mL
não ocorre por ação direta no DNA, mas sim por estresse oxidativo severo decorrente de
disfunção mitocondrial e desregulação do cálcio intracelular, que sobrecarregam os sistemas de
reparo e induzem apoptose.
Abstract
Depression is a growing public health issue, and fluoxetine is the most widely prescribed
antidepressant. Despite its extensive use, data regarding its high-dose genotoxicity remains
scarce and divergent. This study evaluated the toxicity and carcinogenic potential of different
fluoxetine concentrations in epithelial cells of Drosophila melanogaster. The methodology
utilized a survival assay with third-instar larvae under chronic treatment with fluoxetine (0.125
to 2 mg/mL). Carcinogenicity was assessed through the Epithelial Tumor Detection Test, using
trans-heterozygous progeny for the warts tumor suppressor gene (mwh+/+wts). Data were
statistically evaluated using the Chi-square test. Toxicity results demonstrated that survival is
inversely proportional to concentration, as only the 2 mg/mL dose significantly reduced survival
(40%) compared to the negative control (85%). In the tumor assay, concentrations up to 1
mg/mL showed no significant differences from the control, indicating a lack of carcinogenicity
at low doses. However, the 2 mg/mL concentration caused a statistically significant increase in
tumor induction, yielding 80 tumors across 41 flies. In conclusion, fluoxetine exhibits a strictly
dose-dependent toxicogenic profile. The carcinogenic effect at 2 mg/mL does not result from
direct DNA interaction, but rather from severe oxidative stress triggered by mitochondrial
dysfunction and intracellular calcium dysregulation, which overwhelm cellular repair systems
and induce apoptosis.
Palavras-chave
ISRS, Instabilidade genômica, Depressão, Genomic instability, Depression
Citação
SALES, Beatris de Souza. Avaliação carcinogênica da fluoxetina em células epiteliais de D. melanogaster. 2026. 23 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas) - Universidade Federal de Uberlândia, Ituiutaba, 2018.