Publicação: Toxicidade do acetamiprido e dimetoato para abelha Scaptotrigona postica latreille, 1804
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CNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::GEOCIENCIAS
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Resumo
A polinização realizada por insetos é vital para os ecossistemas terrestres e para a
produção de culturas. Existem lacunas de conhecimento no que diz respeito à extensão e
as causas relacionadas ao declino dos polinizadores, dentre eles podemos citar:
desmatamento, ação de patógenos e parasitoides e a utilização inadequada de produtos
fitossanitários (inseticidas, fungicidas, herbicidas, entre outros). A realização de estudos
que avaliem a toxicidade dos produtos fitossanitários (possíveis agentes contribuintes
do declínio das populações de abelhas) devem ser realizados com uma ampla
diversidade de espécies pertencentes à Superfamilia Apoidea, como por exemplo, as
abelhas nativas sem ferrão. A espécie Scaptotrigona postica Latreille, 1804 se destaca
por ser um meliponíneo que vive em ocos de árvores e é encontrada em todas as áreas
de clima tropical a subtropical. O objetivo deste trabalho foi avaliar a toxicidade aguda
(DL50) dos inseticidas acetamiprido e dimetoato para a abelha nativa sem ferrão S.
postica. Em uma segunda etapa, com base nos dados de DL50 e informações sobre os
níveis de resíduos encontrados dessas moléculas em recursos florais e outros exsudados
vegetais, foram estabelecidas doses subletais para intoxicação das abelhas e verificação
da expectativa de vida em condições laboratoriais. A coleta dos indivíduos ocorreu em
ninhos naturais mantidos no campus Umuarama da Universidade Federal de Uberlândia,
sendo as abelhas transportadas até o laboratório para realização dos estudos. Para o
acetamiprido, os dados de DL50 obtidos foram de 173,04, 105,63 e 58,71 μg i.a./abelha
(equivalente a 0,0118, 0,0072 e 0,0040 μg i.a./mg de massa corpórea), respectivamente
para 24, 48 e 72 horas. No caso do dimetoato em 24, 48 e 72 horas, as DL50 foram
respectivamente de 9,71, 2,50 e 0,59 μg i.a./abelha (equivalente a 0,00066, 0,00017 e
0,00004 μg i.a./mg de massa corpórea). Os resultados obtidos para o teste de
sobrevivência mostraram que doses subletais equivalentes a 1/100 e 1/1000 daquela da
DL50 não afetaram a sobrevivência das abelhas, sendo idênticas ao tratamento controle.
Nesses casos, os tempos letais 50 (TL50) para as doses mencionadas juntamente com o
tratamento controle foram de 104,03 e 124,21 horas, para acetamiprido e dimetoato
respectivamente. No caso do organofosforado, os tratamentos com a dose de 1/10
daquela da DL50 e a própria DL50, formaram um mesmo grupo com TL50 de 80,08
horas. Para o neonicotinoide, a dose de 1/10 daquela da DL50 apresentou TL50
intermediária (63,76 horas) e a menor expectativa de vida foi observada para o
tratamento com a DL50, ou seja, 27,29 horas. Os resultados obtidos sugerem que doses
subletais (1/100 e 1/1000 da DL50) possivelmente podem ser consideradas seguras a S.
postica quando avaliado somente a sobrevivência das abelhas.
Abstract
The pollination by insects is vital for terrestrial ecosystems and crop production. There
are knowledge gaps regarding the extent and causes related to decline of pollinators,
including deforestation, action pathogens and parasitoids and improper use of plant
protection products (insecticides, fungicides, herbicides, etc.). Studies to evaluate the
toxicity of pesticides (possible contributing agents of the decline of bee populations)
should be performed with a wide diversity of species belong to the superfamily
Apoidea, such as the native stingless bees. The species Scaptotrigona Postica Latreille,
1804 stands out for being a meliponineo who lives in hollow trees and founding in all
tropical areas to subtropical. The objective of this study was to evaluate the acute
toxicity (LD50) of acetamiprid and dimethoate insecticides to the native stingless bee S.
Postica. In a second stage, based on data LD50 and information on the residue levels
found these molecules in floral resources and other plant exudates, sublethal doses
established to poison of the bees and verification of lifespan under laboratory
conditions. The collection of individuals occurred in natural nests maintained in
Umuarama campus of the Federal University of Uberlândia, and the bees transported to
the laboratory for carrying out the studies. For Acetamiprid, LD50 data obtained were
173.04, 105.63 and 58.71 μg a.i / bee (equivalent to 0.0118, 0.0072 and 0.0040 μg a.i /
mg body weight), respectively for 24, 48 and 72 hours. In the case of dimethoate 24, 48
and 72 hours, the LD50 were respectively 9.71, 2.50 and 0.59 μg a.i / bee (equivalent to
0.00066, 0.00017 and 0.00004 μg a.i / mg of body mass). The results obtained for the
survival test showed that sublethal doses equivalent to a 1/100 and 1/1000 that of DL50 did
not affect the survival of bees, being identical to the control. In such cases, lethal times
50 (TL50) to the doses mentioned along with the control treatment were 104.03 and
124.21 hours for acetamiprid and dimethoate, respectively. In the case of the
organophosphate treatments with a dose of 1/10 of that of LD50 and LD50, it formed
with a group of LT50 80.08 hours. For the neonicotinoid, the dose of 1/10 LD50 showed
that LT50 intermediate (63.76 hours) and lower life expectancy observed for treatment
with the LD50 is 27.29 hours. The results suggest that sublethal doses (1/100 and 1/1000
LD50) may possibly be considered safe S. Postica when only evaluated the survival of
bees.
Palavras-chave
Qualidade Ambiental, Polinizadores, Avaliação de riscos, Abelhas sem ferrão, Abelhas nativas, Acetamiprido, Dimetoato, Estudo toxicológico, Pollinators, Stingless bee, Acetamiprid, Dimethoate, Toxicological study
Citação
MACEDO, Raquel Chaves. Toxicidade do acetamiprido e dimetoato para abelha Scaptotrigona postica latreille, 1804. 2016. 59 f. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Qualidade Ambiental) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2016.500