Publicação: Perfil, qualidade de vida, estresse laboral, abuso e dependência de álcool dos trabalhadores da estratégia saúde da família
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA
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Resumo
A globalização progressiva, sob a perspectiva de um processo internacional da integração
econômica, social, cultural e política de forma desigual, em detrimento as singularidades de
cada país, o capitalismo exacerbado, as incertezas do mercado de trabalho, o aumento do
desemprego e a ansiedade pelo consumo acarretam inúmeros riscos à sociedade. Dentre os
quais destaca-se o surgimento ou evolução do estresse e o consumo de álcool apontados como
agravantes na influência da qualidade de vida. O objetivo deste estudo foi traçar o perfil
socioprofissional, analisar a prevalência do estresse no trabalho, a qualidade de vida e o grau
de risco do uso e abuso de álcool dos trabalhadores da Estratégia Saúde da Família. Trata-se
de pesquisa quantitativa de caráter epidemiológico, de recorte transversal do tipo descritiva e
analítica. A população total é de 967 trabalhadores da saúde da família de Uberlândia, Minas
Gerais. A amostra de participantes corresponde a 13%, distribuídos em oito equipes,
pertencentes a Estratégia de Saúde da Família e aos Núcleos de Apoio a Saúde da Família,
urbanos e rural. Utilizou-se quatro questionários estruturados e validados, perfazendo 75
questões. Quanto ao perfil dos entrevistados constatou-se que há forte feminização dos
profissionais das equipes de saúde da família, autodeclaradas mulheres cisgênero e
heterossexuais, casadas ou com união estável, acima de 40 anos de idade, católicas e
protestantes, especialistas. O tempo de trabalho na saúde da família é inferior a cinco anos.
Predomina vínculos exclusivos, celetistas e terceirizados. A renda familiar é entre 2 a 5
salários mínimos. A ausência de capacitação regular e frequente, a deficiência nas
informações, a sobrecarga de trabalho e a forma de distribuição das tarefas revelam-se como
fatores estressores de insatisfação e irritabilidade para os trabalhadores. Dos 118 indivíduos
que participaram da pesquisa, 74,7% classificaram sua qualidade de vida como boa ou muito
boa, e com relação a satisfação com a própria saúde (69,4%) avaliaram em satisfeito e muito
satisfeito. As análises dos domínios da qualidade de vida demonstram que maiores escores
foram obtidos pelo domínio físico e relações sociais que obtiveram resultado próximos com
médias de 70,37 e 69,56 respectivamente. Logo após, está o domínio psicológico com média
de 68,68. E por último o domínio meio ambiente que apresentou o pior escore com média de
57,72. Vale salientar que em média 72% dos trabalhadores da saúde da família estão
satisfeitos tanto com a sua qualidade de vida quanto a própria saúde. A metade dos
trabalhadores referiram nunca terem consumido bebida alcoólica. Os resultados do padrão
“binge”, consumo em uma única ocasião apresenta grau preocupante (41%). Quanto a
ocorrência de sintomas de dependência, 92% declararam que nunca perderam controle. Não é
suficiente identificar, conhecer e analisar as mazelas que afligem o trabalhador da saúde, é
necessário ir além, sensibilizar e exigir que os gestores garantam políticas e estratégias do
cuidado dirigido ao trabalhador da saúde. As boas práticas no campo da atenção à saúde dos
cidadãos da rede do Sistema Único de Saúde, em especial nesse momento da atenção em
saúde da família, estão diretamente relacionadas ao potencial intelectual, emotivo, e de
trabalho do trabalhador, que por sua vez, resulta do fortalecimento de sua qualidade de vida e
saúde e no aumento de fatores não estressores laborais.
Abstract
Palavras-chave
Geografia médica, Cuidados primários de saúde, Stress ocupacional, Qualidade de vida, Saúde do trabalhador, Esgotamento profissional, Qualidade de vida, Estratégia saúde da família
Citação
CARLOS, Maria Aparecida. Perfil, qualidade de vida, estresse laboral, abuso e dependência de
álcool dos trabalhadores da estratégia saúde da família. 2017. 85 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2017. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2017.569