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A rede do parto Baré no alto Rio Negro: agência compósita entre humanos e não humanos

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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA::ETNOLOGIA INDIGENA, CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA::SAUDE MATERNO-INFANTIL, CNPQ::OUTROS::CIENCIAS SOCIAIS

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Resumo

Este estudo analisa as práticas e os saberes das parteiras da etnia Baré no Alto Rio Negro, destacando seu papel central na saúde reprodutiva das comunidades indígenas. Baseado em uma abordagem etnográfica, a pesquisa combina dados qualitativos obtidos por meio de entrevistas e observações realizadas durante o trabalho de campo. O estudo dialoga com conceitos da antropologia do corpo e da pessoa, explorando as técnicas manuais utilizadas pelas parteiras e sua relação com as cosmologias e o modo de vida indígena. Os resultados revelam a invisibilidade política das parteiras indígenas dentro do movimento do parto humanizado, apesar de suas técnicas frequentemente servirem de inspiração para suas práticas. Enquanto o movimento critica a violência obstétrica e defende a retomada do protagonismo feminino no parto, ele ainda não contempla plenamente as dimensões mais amplas da violência obstétrica no contexto indígena. Nesses casos, a violência não se limita à medicalização do parto, mas também inclui o desrespeito às práticas de resguardo, aos rituais de enterramento da placenta e a outros aspectos cosmológicos e culturais fundamentais para os partos indígenas. O estudo enfatiza que o fortalecimento das práticas indígenas não pode se restringir ao reconhecimento individual das parteiras. É necessário apoiar toda a rede sociotécnica que sustenta essas práticas, incluindo famílias, lideranças indígenas, pajés, plantas medicinais e entidades espirituais. As parteiras Baré atuam como agentes culturais e políticas, e seus saberes estão profundamente conectados a uma rede mais ampla, essencial para a continuidade e a relevância das tradições de parto indígena. Por fim, esta pesquisa busca contribuir para a formulação de políticas públicas mais inclusivas e para o reconhecimento das práticas Baré como patrimônio cultural imaterial. O estudo inicial sobre as parteiras Baré serve como base para investigações futuras que englobem outras etnias da região, como os Baniwa e os Tukano. Ao fomentar um processo de patrimonialização que valorize não apenas as técnicas e saberes das parteiras, mas também a complexa rede sociotécnica que as sustenta, este trabalho promove a preservação, a continuidade e o empoderamento dessas práticas no contexto contemporâneo.

Abstract

This study analyzes the practices and knowledge of Baré midwives in the Alto Rio Negro region, emphasizing their central role in the reproductive health of Indigenous communities. Based on an ethnographic approach, the research combines qualitative data obtained through interviews and field observations. The study engages with concepts from the anthropology of the body and personhood, exploring the manual techniques used by midwives and their connection to Indigenous cosmologies and ways of life. The findings reveal the political invisibility of Indigenous midwives within the humanized childbirth movement, despite their techniques often serving as inspiration for its practices. While this movement critiques obstetric violence and advocates for women’s empowerment in childbirth, it has yet to fully address the broader dimensions of obstetric violence in Indigenous contexts. In these cases, violence extends beyond the medicalization of birth to include the disregard for postpartum practices, placenta burial rituals, and other cosmological and cultural aspects that are essential to Indigenous birthing traditions. The study emphasizes that strengthening traditional practices should not be limited to the individual recognition of midwives. It is necessary to support the entire sociotechnical network that sustains these practices, including families, Indigenous leaders, shamans, medicinal plants, and spiritual entities. Baré midwives act as cultural and political agents, and their knowledge is deeply interconnected with a broader network that ensures the continuity and relevance of Indigenous birthing traditions. Finally, this research contributes to the development of more inclusive public policies and the recognition of traditional practices as intangible cultural heritage. The initial study on Baré midwives serves as a foundation for future research encompassing other ethnic groups in the region, such as the Baniwa and Tukano. By fostering a heritage recognition process that values not only the techniques and knowledge of midwives but also the complex sociotechnical network that supports them, this work seeks to promote the preservation, continuity, and empowerment of these practices in contemporary contexts

Palavras-chave

Parteiras Baré, Saúde Indígena, Etnografia, Alto Rio Negro, Baré Midwives, Indigenous Health, Ethnography, Upper Rio Negro

Citação

JANSEN, Linda Luz. A rede do parto Baré no alto Rio Negro: agência compósita entre humanos e não humanos. 2025. 177 f. Dissertação (Mestrado em Ciencias Sociais) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.11023

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