Publicação: As fronteiras entre razão e desrazão em Michel Foucault
Carregando...
Arquivos
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Coleções
Programa
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
Foucault afirma que a loucura é uma figura mutável e constituída historicamente. O filósofo
mostra como a concepção de "Loucura" mudou ao longo do tempo, e nos convida a analisar
quais condições históricas possibilitaram que ela fosse considerada doença mental nos dias
atuais. Ele questiona: Como chegou a nossa cultura a dar à doença o sentido de desvio e ao
doente um status que o exclui? O louco na Idade Clássica foi impedido de circular livremente
nas cidades, trancafiado nas novas casas de internamento. Ele passa a ser percebido como
desrazoado, destituído de razão, ocupando o lugar de ―Outro‖ na sociedade, além de ter sido
totalmente excluído da esfera da verdade. Nesse contexto, a razão passa a ser o critério que
desclassifica tudo aquilo que não pertence a sua ordem. Foucault identifica uma cisão entre
Razão e Desrazão, a partir da qual se considera tudo o que foge à ordem da razão como
ausência de razão. Temos o intuito de investigar de que forma a cisão razão e desrazão se deu,
e de que forma ela foi decisiva no processo que culminou na loucura como doença mental.
Houve uma grande mudança no que diz respeito à loucura e ao louco na Idade Clássica em
relação à Idade Moderna. Já na Idade Moderna, devido à uma série de mudanças históricas,
com o marco da reforma realizada por Pinel e Tuke, o advento da psiquiatria e alterações
significativas na dimensão dos internamentos, o louco torna-se, por fim, um alienado. A
loucura assume a forma de alienação, e o louco passa a ser um indivíduo cuja interioridade
possui algo de inalienável (uma natureza, uma essência ou uma verdade). Se antes o louco era
visto como alguém destituído de razão, agora essa razão se encontra apenas encoberta, e pode
ser, portanto, resgatada; o louco é agora passível de cura. A loucura torna-se relativa à uma
interioridade, à alma, à mente; ela é psicologizada, e o louco passa a ser doente mental.
Foucault afirma que a loucura passa a apresentar uma linguagem antropológica, na qual
podemos identificar a seguinte ambiguidade: o homem, simultaneamente, descobre sua
verdade e se depara com a perda dessa mesma verdade. Na modernidade a doença mental se
torna relativa à estrutura antropológica envolvendo a tríade: o homem, sua loucura e sua
verdade.
Abstract
Palavras-chave
Razão, Desrazão, Doença mental, Loucura
Citação
SÁ, Marina Barbosa. As fronteiras entre razão e desrazão em Michel Foucault. 2020. 49 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Filosofia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2021.