Publicação: Em que solos é possível que Dê(Lírios)? Relato de Experiência de uma Oficineira em uma Unidade de Internação em Saúde Mental
Carregando...
Tipo do documento
Data
Direito de acesso
Coleções
Programa
Área do conhecimento
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Autores
Orientador
Coorientador
Resumo
Esta pesquisa buscou compreender a experiência vivenciada por uma oficineira em uma
Unidade de Internação em Saúde Mental, investigando, sob esse olhar, como as oficinas
interferem nas formas de cuidado e nas dinâmicas institucionais vigentes. As oficinas
analisadas foram promovidas pelo projeto de extensão Dê Lírios na Unidade de Internação em
Saúde Mental (UISM) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia
(HC-UFU). Com base no conceito de dispositivo formulado por Foucault e em sua
apropriação por autores do campo da saúde mental, entende-se que o dispositivo manicomial
continua operando por meio de práticas medicalizantes, disciplinadoras e excludentes, mesmo
após os avanços institucionais da Reforma Psiquiátrica. Nesse contexto, as oficinas
terapêuticas emergem como práticas coletivas que, a partir de recursos artísticos e criativos,
abrem espaço para modos de cuidado que escapem dessas normativas. Trata-se de uma
pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada em um relato de experiência. Os
dados foram gerados por meio de observações e diários de campo elaborados durante quinze
oficinas realizadas entre junho e setembro de 2025, analisados através da Análise Temática.
Os resultados evidenciaram que as oficinas constituem espaços de encontro, desejo e
expressão da subjetividade, possibilitando experiências de criação, liberdade e
reconhecimento dos usuários para além da posição de paciente. Ao mesmo tempo, revelaram
que a dinâmica institucional é atravessada por relações de poder que impõem limitações, e é
justamente no interior dessa estrutura que as oficinas precisam operar. Concluiu-se que as
oficinas terapêuticas ganham potência quando se constituem como espaços abertos ao
inesperado, orientados pelos interesses e demandas dos participantes. A disponibilidade dos
oficineiros para sustentar encontros não rigidamente definidos favoreceu a construção de
experiências singulares de cuidado, contribuindo para a criação de brechas na rotina hospitalar
e para o tensionamento, ainda que pontual, da lógica manicomial vigente.
Abstract
This study explored the lived experience of a therapeutic workshop facilitator in an inpatient
mental health unit, examining how therapeutic workshops shape care practices and
institutional dynamics. Workshops were conducted through the Dê Lírios extension project at
the Mental Health Inpatient Unit of the Clinical Hospital of the Federal University of
Uberlândia (HC-UFU), Brazil. Grounded in Michel Foucault's theoretical perspective, the
study assumes the asylum apparatus continues to operate through medicalizing, disciplinary,
and exclusionary practices despite advances achieved by the Brazilian Psychiatric Reform.
Within this context, therapeutic workshops emerge as collective practices that draw on artistic
and creative resources to promote forms of care that move beyond institutional norms. This
qualitative, exploratory study was developed as an experience report. Data were generated
through participant observation and field diaries produced during fifteen workshops held
between June and September 2025 and analyzed using Thematic Analysis. Findings showed
therapeutic workshops fostered spaces for encounter, desire, and expression of subjectivity,
enabling participants to engage in experiences of creativity, freedom, and recognition beyond
the identity of psychiatric patients. At the same time, institutional practices remained
permeated by power relations that constrained these experiences, requiring workshops to
operate within existing institutional boundaries. Therapeutic workshops proved most
meaningful when they remained open to unpredictability and were guided by participants
interests and needs. Facilitators willingness to embrace encounters without predetermined
outcomes supported singular experiences of care, opened spaces within everyday hospital
routines, and, although modestly, challenged the persistence of asylum logic.
Palavras-chave
Oficinas terapêuticas, Reforma Psiquiátrica, Dispositivo manicomial, Dispositivo Disciplinar, Resistência, Saúde mental
Citação
ALVES, Ana Júlia Dias. Em que solos é possível que Dê(Lírios)? Relato de Experiência de uma Oficineira em uma Unidade de Internação em Saúde Mental. 2026. 59 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.
DOI
Coleções
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Embargado
