Publicação: Bioconservadorismo e transhumanismo: a questão do melhoramento humano através das biotecnologias
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::ETICA
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Resumo
O presente trabalho tem por objetivo analisar o problema do melhoramento humano
através da biotecnologia a partir de algumas vertentes teóricas e reflexões mais
utilizadas na discussão da sua adequação ou inadequação ética, e que consideramos
mais importantes para uma boa avaliação. O primeiro capítulo faz uma apresentação
do problema do melhoramento humano biotecnológico e de algumas das principais
dicotomias conceituais comumente utilizadas no debate. Para tanto, apresentamos
um conceito de melhoramento humano biotecnológico e também noções sobre
tecnologias que podem vir a se tornar parte das práticas de melhoramento
biotecnológico; tratamos então dos pares dicotômicos internalismo e externalismo,
natural e artificial, terapia e melhoramento, e automelhoramento e melhoramento em
futuros indivíduos. O capítulo dois expõe e analisa o debate em torno do chamado do
ideal de conservação ou Bioconservadorismo, posição que defende a
indisponibilidade do patrimônio genético a alterações de melhoramento. Avaliamos
quatro argumentos em favor do Bioconservadorismo, os argumentos: o melhoramento
humano é uma prática eugênica, o melhoramento reforça contextos sociais injustos,
o melhoramento aumenta as desigualdades sociais, o argumento da ladeira
escorregadia (Slippery Slope). Com a análise argumentativa, concluímos o capítulo
mostrando que a posição Bioconservadora não é sólida nem adequada. No capítulo
três se apresenta a posição Transhumanista, em que se defende radicalmente o
melhoramento humano biotecnológico. Consideramos definições e o documento
chamado The Humanist Declaration, elaborado por um conjunto de defensores do
transhumanismo. Há uma apresentação pormenorizada das propostas
transhumanistas do filósofo Nick Bostrom e sua tabela de valores transhumanistas,
com atenção crítica aos problemas decorrentes de uma aceitação incondicional de tal
proposta. Analisamos então a ideia de que a proposta transhumanista apenas
consegue manter-se efetiva caso algumas de suas propostas auxiliares sejam
utilizadas como respostas aos problemas encontrados no transhumanismo; isto
também levantaria outros gêneros de problemas que parecem minar a força da
posição. A conclusão do capítulo é que o Transhumanismo também é posição
inadequada. Em considerações finais ao estudo, resumimos os pontos em que tanto
a proposta bioconservadora, quanto a proposta transhumanista são eticamente
problemáticas, e sustentamos a proposta de um melhoramento humano
biotecnológico moderado, apresentada em suas linhas gerais, como a mais razoável
até o momento.
Abstract
The present work aims to analyze the problem of human enhancement through
biotechnology from some theoretical and reflections more used in the discussion of
their suitability or ethical inadequacy, and that we consider more important for a good
evaluation. The first chapter gives a presentation on the problem of human
biotechnological enhancement and some of the major conceptual dichotomies
commonly used in the debate. To do so, we present a concept of human
biotechnological enhancement as well as notions about technologies that may become
part of biotechnological enhancement practices; we then deal with the dichotomous
pairs internalism and externalism, natural and artificial, therapy and enhancement, and
self enhancement and enhancement in future individuals. Chapter two exposes and
analyzes the debate around the so-called ideal of conservation or Bioconservatism, a
position that defends the unavailability of genetic patrimony to changes in breeding.
We evaluate four arguments in favor of Bioconservatism, the arguments: human
enhancement is an eugenic practice, enhancement reinforces unfair social contexts,
enhancement increases social inequalities, the Slippery Slope argument. With the
argumentative analysis, we conclude the chapter we showed that the Bioconservative
position is neither solid nor adequate. In chapter three the Transhumanist position is
presented, in which the biotechnological human enhancement is radically defended.
We consider definitions and the document called The Humanist Declaration, prepared
by a group of advocates of transhumanism. There is a detailed presentation of the
transhumanist proposals of the philosopher Nick Bostrom and his table of
transhumanist values, with critical attention to the problems arising from an
unconditional acceptance of such a proposal. We then analyze the idea that the
transhumanist proposal can only be effective if some of its auxiliary proposals are used
as answers to the problems encountered in transhumanism; this would also raise other
kinds of problems that seem to undermine the strength of the position. The conclusion
of the chapter is that Transhumanism is also an inadequate position. In final
considerations to the study, we summarize the points in which both the bioconservative
proposal, and the transhumanist proposal are ethically problematic, and we support
the proposal of a moderate human biotechnological enhancement, presented in its
general lines, as the most reasonable so far.
Palavras-chave
Ética, Ethics, Melhoramento Humano, Human Enhancement, Biotecnologias, Biotechnology, Bioconservadorismo, Bioconservation, Transhumanismo, Transhumanism, Filosofia, Philosophy, Ética, Ethics, Biotecnologia, Biotechnology, Humanismo, Humanism
Citação
OLIVEIRA JÚNIOR, Wagner Lafaiete de. Bioconservadorismo e transhumanismo: a questão do melhoramento humano através das biotecnologias - Uberlândia. 2018. 98f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2018. DOI http://dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2018.1315.