Publicação: Uma possível solução aos paradoxos da Ética Populacional: avaliando a tentativa de explicar como a Conclusão Repugnante pode ser verdadeira embora pareça obviamente falsa
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::ETICA
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Resumo
Para resolvermos os problemas da Ética Populacional, como o problema da mudança climática,
precisamos saber qual teoria axiológica é verdadeira, na medida em que precisamos saber qual
decisão é a melhor decisão a ser tomada. No entanto, a literatura sobre axiologia populacional
nos mostra que qualquer teoria axiológica implica alguma conclusão altamente contraintuitiva,
que parece obviamente falsa (como a Conclusão Repugnante, por exemplo). Portanto, é razoável
inferir que não estamos justificados a acreditar em nenhuma dessas teorias. Segue-se que nós
não temos como ter certeza sobre qual decisão é a melhor decisão a ser tomada. Logo, nos
encontramos numa situação de incerteza axiológica. Investigo nesta dissertação uma forma de
reagirmos a essa situação de incerteza axiológica, que consiste em explicar como a Conclusão
Repugnante pode ser verdadeira, embora pareça obviamente falsa. Mais especificamente, avalio
dois tipos de explicação, a explicação da qualidade e a explicação da quantidade. De início,
defendo juntamente a Cowie (2019) que a explicação da qualidade não é plausível, na medida em
que não consegue lidar bem com as objeções da Conclusão Muito Repugnante e da Conclusão
Repugnante Reversa. Em seguida, investigo se a explicação da quantidade, apesar de escapar
dessas objeções, é uma explicação plausível. Contra as versões dessa explicação da quantidade
avançadas por Broome (2004) e Huemer (2008), reproduzo as objeções de Mogensen (2022) a
elas, especialmente a objeção do limite superior. Contribuo para essa discussão ao avançar uma
réplica a essa objeção do limite superior e uma possível tréplica a essa réplica. Posteriormente,
avalio outras duas objeções a essa explicação da quantidade, avançadas por Temkin (2012) e
Pummer (2013), e reproduzo a réplica avançada por Figueredo (2022) contra essas objeções.
Também contribuo com a literatura ao avançar uma nova objeção a essa explicação da quantidade,
que consiste em acusá-la de não explicar como a Conclusão Repugnante pode ser verdadeira
embora pareça obviamente falsa, na medida em que ela não torna a Conclusão Repugnante
menos contraintuitiva. Por fim, concluo a dissertação sistematizando as maiores dificuldades a
serem superadas pelo defensor da explicação da quantidade a fim de que essa explicação nos
justifique a acreditar que a Conclusão Repugnante é verdadeira ao invés de falsa.
Abstract
To solve the problems of Population Ethics, such as the problem of climate change, we need
to know which axiological theory is true, to the extent that we need to know which decision is
the best decision to make. However, the literature on population axiology shows us that any
axiological theory implies some highly counterintuitive conclusion, which seems obviously
false (such as the Repugnant Conclusion, for example). Therefore, it is reasonable to infer
that we are not justified to believe any of these theories. It follows that we cannot be sure
about which decision is the best decision to make. Therefore, we find ourselves in a situation
of axiological uncertainty. I investigate in this dissertation a way to react to this situation of
axiological uncertainty, which consists in explaining how the Repugnant Conclusion can be true,
although it seems obviously false. More specifically, I investigate two types of explanation, the
explanation of quality and the explanation of quantity. At first, I argue with Cowie (2019) that
the explanation of quality is not plausible, in that it cannot deal well with the objections of the
Very Repugnant Conclusion and the Reverse Repugnant Conclusion. Then I investigate whether
the explanation of quantity, despite escaping these objections, is a plausible explanation. Against
the versions of this explanation of quantity advanced by Broome (2004) and Huemer (2008),
I reproduce the objections advanced by Mogensen (2022) to them, especially the upper limit
objection. I contribute to this discussion by putting forward a reply to this objection of the upper
limit and a possible rejoinder to that reply. Subsequently, I evaluate two other objections to this
explanation of quantity, advanced by Temkin (2012) and Pummer (2013), and reproduce the
replica advanced by Figueredo (2022) against these objections. I also contribute to the literature
by advancing a new objection to this explanation of quantity, which consists in accusing it of
not explaining how the Repugnant Conclusion can be true although it seems obviously false,
in that it does not make the Repugnant Conclusion less counterintuitive. Finally, I conclude
the dissertation systematizing the greatest difficulties to be overcome by the defender of the
explanation of quantity in order that this explanation justifies us to believe that the Repugnant
Conclusion is true instead of false.
Palavras-chave
Ética Populacional, Axiologia Populacional, Conclusão Repugnante, Population Ethics., Population Axiology, Repugnant Conclusion
Citação
FIGUEREDO, André Luis Lindquist. Uma possível solução aos paradoxos da Ética Populacional: avaliando a tentativa de explicar como a Conclusão Repugnante pode ser verdadeira embora pareça obviamente falsa. 2024. 100 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024. DOI https://doi.org/10.14393/ufu.di.2024.5051.
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