Publicação: Respostas subjetivas relacionadas à ingestão alimentar e estado de ansiedade após noites de trabalho versus noites de sono
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Resumo
As respostas subjetivas às refeições, como fome, desfrute da refeição e
saciedade são alteradas pelo encurtamento do tempo de sono, mas este efeito é pouco
estudado em trabalhadores em turnos – um modelo típico de restrição de sono. Objetivos:
O objetivo deste estudo prospectivo e observacional foi de comparar as respostas
subjetivas às refeições e o estado de ansiedade após noites de trabalho versus noites de
sono regular, e investigar as associações entre as respostas às refeições e os níveis de
ansiedade sob essas duas condições. Métodos: O estudo avaliou 34 homens que
trabalhavam no turno noturno em regime de 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas
de descanso. As avaliações incluíram o nível de fome, o desfrute das refeições e o nível
de saciedade em todas elas, que foram avaliados por meio de uma escala visual análoga
em três dias não-consecutivos após noites de trabalho e três dias não-consecutivos após
noites de sono; o estado de ansiedade (IDATE-E), avaliado em um dia após noite de
trabalho e um dia após noite de folga; e o padrão do sono, avaliado em três dias após
noites de trabalho e três dias após noites de sono. Os dados referentes aos dias seguidos
às noites de trabalho e às noites de sono foram agrupados e comparados. A análise de
regressão linear foi realizada para estudo das associações entre o nível de ansiedade e as
respostas subjetivas relacionadas às refeições. Resultados: Nos dias seguidos às noites
de trabalho, os trabalhadores apresentaram maior média nos escores de fome antes do
almoço e nos escores de ansiedade quando comparados aos dias seguidos às noites de
sono (p=0.007 e 0.001, respectivamente). A regressão linear indicou que após uma noite
de trabalho os escores de ansiedade se associaram negativamente à fome antes do café da
manhã (β= -0.44, p = 0.04, R² = 0.18) e almoço (β= -0.35, p = 0.03, R² = 0.19), ao desfrute
das refeições (β= -0.34, p = 0.03, R² = 0.22) e ao número de refeições ao longo do dia (β=
-0.37, p = 0.03, R² = 0.21), o que não ocorreu com a mesma magnitude após as noites de
sono regular. Conclusão: O turno noturno aumenta os escores de fome antes do almoço
e os níveis de ansiedade dos indivíduos, o que parece interferir nas respostas subjetivas
associadas ao consumo alimentar desses trabalhadores. Isso pode, ao menos em parte,
justificar as alterações no padrão de ingestão alimentar geralmente observadas nestes
trabalhadores.
Abstract
Subjective responses to meals, like hunger, enjoyment and satiety, are
altered by the shortening of sleep time, but this effect is poorly studied in shift workers –
a typical model of sleep restriction. Objectives: The aim of this prospective and
observational study was to compare the subjective perceptions to meals and the level of
anxiety after working nights shift versus nights of regular sleep, and investigated the
associations between the responses to meals and the levels of anxiety under these two
conditions. Methods: The study evaluated 34 male night shift workers who worked a 12-
hour shift followed by a 36-hour rest period. Evaluations included hunger, enjoyment of
eating foods and satiety to all meals, which were evaluated with a visual analogue scales
in three non-consecutive days after working night shift and three non-consecutive days
after regular sleep; state of anxiety (in a day after working night shift and a day after
regular sleep); and sleep pattern (in three days after working night shift and three days
after regular sleep). Data referring to the days that followed night shift work and nights
of regular sleep were grouped together and compared. Linear regression were used to
indicate associations between hunger and anxiety. Results: In the days following a
worked night shift, workers presented higher mean hunger scores before lunch and higher
anxiety scores than for the day after nights of regular sleep (p=0.007 and 0.001,
respectively). Linear regression indicate that after a worked night shift, anxiety scores
were negatively associated with hunger before breakfast (β= -0.44, p = 0.04, R² = 0.18)
and lunch (β= -0.35, p = 0.03, R² = 0.19); enjoyment of eating foods (β= -0.34, p = 0.03,
R² = 0.22) and quantity of meals throughout the day (β= -0.37, p = 0.03, R² = 0.21), which
did not occur to the same magnitude after a night of regular sleep. Conclusion: Night
shift increases the mean hunger and anxiety scores and seems to interfere with the
responses associated with food consumption, which may in part justify the alterations in
food intake pattern regularly observed in these workers.
Palavras-chave
Trabalho noturno, Sono, Nutrição, Fome, Ansiedade, Saciedade, Trabalho em Turnos, Psicologia, Night work, Sleep, Nutrition, Hunger, Anxiety, Satiety, Shift Work, Psychology
Citação
SANTA-CECÍLIA-SILVA, Ane A. Respostas subjetivas relacionadas à ingestão alimentar e estado de
ansiedade após noites de trabalho versus noites de sono - Uberlândia. 2016. 88 p. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016. DOI http://dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2018.820 .