Publicação: Categorização racial e ações afirmativas no Ensino Superior
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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
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O fenômeno do preconceito racial segue se manifestando no Brasil não apenas de maneira
explícita, como também de forma velada, consequência de uma lógica estrutural e histórica que
o perpetua. Uma vez que as universidades são instituições responsáveis também pela formação
cidadã, urge investigar as manifestações de preconceito racial neste contexto. O objetivo do
presente estudo foi investigar a atitude sobre ações afirmativas para grupos raciais e seu efeito
sobre a categorização racial de faces como brancas ou pretas, à luz do Modelo da Discriminação
Justificada (MDJ), em uma amostra de jovens adultos universitários (n=42). Os participantes
foram aleatoriamente divididos em três grupos experimentais, delimitados por notícias fictícias
contendo informações distintas quanto às consequências das ações afirmativas na universidade,
e posteriormente responderam a uma tarefa de categorização racial. Para investigar medidas
explícitas de preconceito, foram utilizados instrumentos padronizados de autorrelato, enquanto
as medidas implícitas foram observadas a partir do dot-probe, uma tarefa de seletividade
atencional. A amostra apresentou resultados bastante uniformes de progressismo político, alto
endosso às cotas raciais e medidas explícitas de preconceito baixas. O limiar de categorização
aponta que os participantes estão propensos a identificarem as pessoas como pretas
anteriormente ao ponto médio da tarefa, indicando uma percepção não universal da categoria
“raça”. Não houve diferenças relevantes nos tempos de resposta da tarefa dot-probe, algo
potencialmente relacionado à tendência igualitária geral da amostra. Assim, reafirma-se a
importância das ações afirmativas para a ampliação da diversidade na universidade, além de
sua necessária complementação com estratégias institucionais de letramento racial.
Abstract
The phenomenon of racial prejudice continues to manifest in Brazil not only explicitly but also
covertly, as a consequence of a structural and historical logic that perpetuates it. Since
universities are institutions also responsible for citizenship education, there is an urgent need
to investigate manifestations of racial prejudice in this context. The aim of the present study
was to investigate attitudes toward affirmative action for racial groups and their effect on the
racial categorization of faces as white or black, in light of the Justified Discrimination Model
(JDM), in a sample of young adult university students (n=42). Participants were randomly
assigned to three experimental groups, defined by fake news containing different information
regarding the consequences of affirmative action in the university, and subsequently responded
to a racial categorization task. Standardized self-report instruments were used to investigate
explicit measures of prejudice, while implicit measures were observed using the dot-probe task,
a task of attentional selectivity. The sample showed highly uniform results of political
progressivism, high endorsement of racial quotas, and low explicit measures of prejudice. The
categorization threshold indicates that participants are inclined to identify people as black prior
to the task's midpoint, indicating a non-universal perception of the "race" category. There were
no relevant differences in response times for the dot-probe task, something potentially related
to the general egalitarian tendency of the sample. Therefore, the importance of affirmative
action for increasing diversity in universities is reaffirmed, along with its necessary
complementation with institutional strategies for racial literacy.
Palavras-chave
Percepção de raça, Ações afirmativas, Diversidade, Preconceito, Race perception, Affirmative action, Diversity, Prejudice
Citação
VENTURA, Túlio Fischer. Categorização racial e ações afirmativas no Ensino Superior. 2024. 46 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024.
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