Publicação: Efeitos da dieta hiperproteica na ansiedade, na hemodinâmica e em aspectos morfofuncionais do coração de ratos wistar
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA
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Resumo
Introdução: A ansiedade é um mecanismo preparatório de resposta a situações de ameaça e
perigo, envolvendo fatores comportamentais, cognitivos, fisiológicos e afetivos. Indivíduos
ansiosos acreditam que a probabilidade de eventos negativos ocorrerem é muito alta, sentindose
ameaçados e reagindo de maneira equivocada. Em 2017 a OMS publicou pesquisa mostrando
que o Brasil lidera, entre todos os países, em termos de prevalência de transtornos de ansiedade.
A complexa patogênese da ansiedade é mediada por diversos neurotransmissores. O glutamato,
por ser um aminoácido excitatório do SNC, tem, como função, resguardar o animal e protegêlo
diante de algum perigo iminente. É um aminoácido abundante na dieta, sendo encontrado em
grande parte nos alimentos de origem animal. O uso de dietas hiperproteicas vem ganhando
popularidade nos últimos anos, sendo utilizada como estratégia alimentar para promover
redução de peso corporal em indivíduos com sobrepeso e obesidade, e estudos demonstraram
efeitos benéficos na massa muscular e para a saúde cardiovascular. Objetivo: Investigar a
relação da dieta com alto teor de proteínas na ansiedade e em aspectos morfofuncionais e
cardiovasculares de ratos Wistar. Material e Métodos: O experimento foi realizado na Rede
de Biotérios de Roedores da Universidade Federal de Uberlândia (REBIR-UFU) e teve duração
de oito semanas. Foram utilizados 29 ratos machos da raça Wistar, com peso médio entre 250-
300g, divididos em dois grupos, um com dieta padrão normoproteica (C= 14 animais) e outro
com dieta hiperproteica (H=15 animais). A ansiedade foi avaliada pelo teste do labirinto em cruz
elevado (LCE) e os aspectos cardiovasculares por medidas hemodinâmicas invasivas e
ecocardiografía transtorácica. Para as comparações entre os grupos utilizou-se o Teste t de
Student ou a análise de variância (ANOVA), seguida, quando necessário, pelo teste de Tukey.
A significância estatística foi estabelecida para valores de p ≤ 0,05. Resultados: Não houve
diferença estatisticamente significante no teste de ansiedade, porém, o grupo hiperproteico se
mostrou mais agitado apresentando um maior deslocamento durante o teste. Foram encontradas
alterações morfofuncionais significativamente menores no grupo que recebeu a dieta
hiperproteica: volume sistólico final e diastólico final, diâmetro do ventrículo esquerdo na
sístole e frequência cardíaca. A espessura do septo interventricular na diástole foi maior no
grupo hiperproteico. Não foram observadas alterações hemodinâmicas. Conclusão: A dieta
hiperproteica não teve influência na ansiedade mas induziu adaptações morfofuncionais no
coração, sugerindo um menor trabalho cardíaco.
Abstract
Introduction: Anxiety is a preparatory response mechanism to situations of threat and danger,
involving behavioral, cognitive, physiological and affective factors. Anxious individuals
believe that the likelihood of negative events occurring is very high, feeling threatened and
reacting in the wrong way. In 2017, WHO published research showing that Brazil leads, among
all countries, in terms of the prevalence of anxiety disorders. The complex pathogenesis of
anxiety is mediated by several neurotransmitters. Glutamate, as an excitatory amino acid of the
CNS, has the function of protecting the animal and protecting it from any imminent danger. It
is an abundant amino acid in the diet, being found largely in foods of animal origin. The use of
high protein diet has been gaining popularity in recent years, being used as a dietary strategy to
promote body weight reduction in overweight and obese individuals, and studies have shown
beneficial effects on muscle mass and cardiovascular health. Objective: To investigate the
relationship of diet with high protein content in anxiety and in morphofunctional and
cardiovascular aspects of Wistar rats. Material and Methods: The experiment was carried out
at the Rodent Animal Bioterium Network of the Federal University of Uberlândia (REBIRUFU)
and lasted eight weeks. Twenty-nine male Wistar rats were used, with an average weight
between 250-300g, divided into two groups, one with a standard normoproteic diet (C = 14
animals) and another with a high protein diet (H = 15 animals). Anxiety was assessed by the
elevated plus-maze test (CSF) and cardiovascular aspects by invasive hemodynamic
measurements and transthoracic echocardiography. For comparisons between groups, Student's
t-test or analysis of variance (ANOVA) was used, followed, when necessary, by the Tukey test.
Statistical significance was established for p values ≤ 0.05. Results: There was no statistically
significant difference in the anxiety test, however, the hyperproteic group was more agitated
with a greater displacement during the test. Significantly less morphofunctional changes were
found in the group that received the high-protein diet: final stroke volume and final diastolic
volume, left ventricular diameter in systole and heart rate. The thickness of the interventricular
septum in diastole was greater in the hyperprotein group. No hemodynamic changes were
observed. Conclusion: The high protein diet had no influence on anxiety but induced
morphofunctional adaptations in the heart, suggesting less cardiac work.
Palavras-chave
ansiedade, dieta alta em proteína, coração, pressão arterial
Citação
SOUZA, Flander Diego de. Efeitos da dieta hiperproteica na ansiedade, na hemodinâmica e em aspectos morfofuncionais do coração de ratos Wistar. 2020. 51 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2020.492