Publicação: Desigualdade social e consumo de alimentos ultraprocessados entre adolescentes brasileiros: uma análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2019)
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
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Coorientador
Rinaldi, Ana Elisa Madalena
Resumo
Introdução: O consumo alimentar é influenciado por condições socioeconômicas, sendo
comum o baixo consumo de alimentos in natura e a alta ingestão de ultraprocessados entre
grupos de baixa renda. A adolescência, uma fase sensível às desigualdades sociais, envolve
mudanças biológicas, psicológicas e sociais que interagem com o ambiente. Nesses contextos,
adolescentes têm maior exposição a ambientes obesogênicos, onde ultraprocessados são
amplamente disponíveis e promovidos. Objetivo: Analisar a desigualdade social e o alto
consumo de alimentos ultraprocessados entre adolescentes brasileiros. Métodos: Parte- se de
um estudo transversal, cujos dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE),
realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2019, com uma
amostra de 154.072 adolescentes, de 13 a 17 anos, regularmente matriculados em escolas
públicas e privadas. Neste estudo empregou-se como indicador de desigualdade social o
índice de riqueza estimado por meio da análise de componentes principais. Foi realizada a
intersecção entre a desigualdade social, analisada pelo índice de riqueza, e as seguintes
variáveis sociodemográficas: sexo, cor de pele, tipo de administração da escola e área
domiciliar. Para o desfecho - alto consumo de alimentos ultraprocessados - considerou-se <alto
consumo= a ingestão diária igual ou superior a 5 tipos de alimentos ultraprocessados, dentre os
13 grupos de alimentos ultraprocessados. Utilizou-se a diferença e razão como medidas simples
e seus intervalos de confiança estimados pela regressão linear e regressão de Poisson. Como
medidas complexas, utilizou-se o Índice de Inclinação da Desigualdade (SII) e Índice de
Concentração (CIX). Resultados: Foi observado que o alto consumo de alimentos
ultraprocessados é mais prevalente e desigual em adolescentes de baixa renda
(47,2%;IC95%:46,1;48,3); (D: - 8,6; IC95%:-10,4;-6,8); (R: 0,81; IC95%: 0,78;0,85); (SII: -
9,2; IC95% :-11,4;-6,9); (CIX: -3,2; IC95%: -4,0; -2,4) em todos os subgrupos 3 meninos,
minorias raciais (preta, parda), estudantes de escolas públicas e residentes em ambas as áreas.
Todavia, observou-se também o alto consumo de alimentos ultraprocessados entre os grupos
de adolescentes mais ricos (49,5%; IC95%: 46,0; 52,9); (D: 6,5; IC95%: 3,0; 10,0); (R:
1,15; IC95%: 1,07; 1,23); (SII: 7,7; IC95%: 4,6; 10,7); (CIX: 2,28; IC95%: 1,2; 3,4),
quando observado o ambiente escolar privado. Conclusão: Os adolescentes com menor renda
consomem mais ultraprocessados nas intersecções: sexo, cor de pele, estudantes de escolas
públicas e na área de residência.
Abstract
Introduction: Food consumption is influenced by socioeconomic conditions, with low
consumption of natural foods and high intake of ultra-processed foods being common among
low-income groups. Adolescence, a phase sensitive to social inequalities, involves biological,
psychological and social changes that interact with the environment. In these contexts,
adolescents are more exposed to obesogenic environments, where ultra-processed foods are
widely available and promoted. Objective: To analyze social inequality and the high
consumption of ultra-processed foods among Brazilian adolescents. Methods: This is a crosssectional
study, whose data are from the National School Health Survey (PeNSE), conducted
by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) in 2019, with a sample of
154,072 adolescents, aged 13 to 17, regularly enrolled in public and private schools. In this
study, the wealth index estimated through principal component analysis was used as an
indicator of social inequality. The intersection between social inequality, analyzed by the
wealth index, and the following sociodemographic variables was performed: sex, skin color,
type of school administration, and household area. For the outcome - high consumption of
ultra-processed foods - <high consumption= was considered to be the daily intake equal to or
greater than 5 types of ultra-processed foods, among the 13 groups of ultra- processed foods.
The difference and ratio were used as simple measures and their confidence intervals
estimated by linear regression and Poisson regression. As complex measures, the Inequality
Slope Index (SII) and Concentration Index (CIX) were used. Results: It was observed that
high consumption of ultra-processed foods is more prevalent and more unequal in low-income
adolescents (47.2%; 95%CI: 46.1; 48.3); (D: -8.6; 95%CI: -10.4; -6.8); (R: 0.81; 95%CI: 0.78;
0.85); (SII: -9.2; 95%CI: -11.4; -6.9); (CIX: -3.2; 95%CI: -4.0; -2.4) in all subgroups 3 boys,
racial minorities (black, brown,), public school students and residents in both areas. However,
high consumption of ultra-processed foods was also observed among the wealthiest groups of
adolescents (49.5%; 95%CI: 46.0; 52.9); (D: 6.5; 95%CI: 3.0; 10.0); (R:1.15; 95%CI: 1.07;
1.23); (SII: 7.7; 95%CI: 4.6; 10.7); (CIX: 2.28; 95%CI: 1.2; 3.4), when observing the
private school environment. Conclusion: Adolescents with lower income consume more
ultra-processed foods in the following intersections: sex, skin color, students in public schools
and area of residence.
Palavras-chave
Desigualdade social, Consumo alimentar, Adolescentes, Social inequality, Food consumption, Adolescents
Citação
SANTOS, Marília Martins. Desigualdade social e consumo de alimentos ultraprocessados entre adolescentes: uma analíse dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE, 2019). 2025. 46 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2025.5114.