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Medicalização da adolescência e abuso de psicofármacos: controle social, racionalidade tecnológica e a crise do laço social na sociedade administrada

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CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA

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Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar criticamente o fenômeno do abuso de psicofármacos entre adolescentes na sociedade contemporânea a partir de uma perspectiva interdisciplinar entre a Teoria Crítica e a Psicanálise. A pesquisa problematiza a medicalização da adolescência, entendida como um mecanismo de controle social sustentado pela racionalidade tecnológica e justificado pelo discurso técnico-científico. Nessa sociedade administrada que determina narrativas, controla percepções, e molda comportamentos, a medicalização surge como sintoma social dominante e revela a incapacidade de oferecer espaços simbólicos para elaboração das angústias, assim como impõe um modo de gozo que silencia o sujeito em espera e, com isso, obstrui o surgimento do desejo. O aumento do uso e abuso de psicofármacos entre os jovens evidencia que as promessas de eficiência da tecnologia acabaram por gerar efeitos destrutivos e irracionais no tecido social e nas relações intersubjetivas. Esse cenário explicita profundas transformações no laço social, que por sua vez influenciam na constituição dos sujeitos e na produção de subjetividades. As adicções, automutilações, passagens ao ato, tentativas de suicídio, dentre outras manifestações são interpretadas como respostas a essa violência e a dificuldade de simbolizar os intensos afetos que emergem a partir da puberdade, que a psiquiatria insiste em classificar por meio de diagnósticos. Conclui-se que a verdadeira crise não está nos adolescentes, mas numa ordem social que prefere a gestão técnica do gozo ao risco ético do desejo.

Abstract

This study aims to critically analyse the phenomenon of psychotropic drug abuse among adolescents in contemporary society from an interdisciplinary perspective combining Critical Theory and Psychoanalysis. The research problematizes the medicalization of adolescence, understood as a mechanism of social control sustained by technological rationality and justified by techno-scientific discourse. In this administered society that determines narratives, controls perceptions, and shapes behaviours, medicalization emerges as a dominant social symptom, revealing the system's inability to provide symbolic spaces for processing anguish while imposing a mode of jouissance that silences the emerging subject and obstructs desire. The increasing use and abuse of psychotropic drugs among youth demonstrates how technology's promises of efficiency have generated destructive and irrational effects on society and intersubjective relationships. This scenario exposes profound transformations in social bonds, which in turn influence the subject formation and the production of subjectivities. Addictions, self-harm, acting-out behaviours, suicide attempts, and other manifestations are interpreted as responses to this violence and to the difficulty in symbolizing the intense affects emerging from puberty - affects that psychiatry insists on classifying through diagnostic categories. The study concludes that the true crisis lies not in adolescents, but in a social order that prefers the technical management of jouissance over the ethical risk of desire.

Palavras-chave

adolescência, adolescence, medicalização, medicalization, psicofármacos, psychotropic drugs, teoria crítica, Critical Theory, psicanálise, psychoanalysis

Citação

FERREIRA, Sophia da Silveira. Medicalização da adolescência e abuso de psicofármacos: Controle social, racionalidade tecnológica e a crise do laço social na sociedade administrada. 2025. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.

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