Publicação: A mulher jornalista: análise da postura de repórteres telejornalistas esportivas mediante situação de machismo e assédio em coberturas de desporto
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Resumo
O jornalismo, atividade tradicionalmente quase que exclusivamente composta por homens,
com o passar dos anos vem sofrendo mudanças graduais, sobretudo com a entrada da mulher
no mercado formal de trabalho, principalmente no âmbito do jornalismo esportivo, o que se
deu mediante muita luta e, permanecer no território já conquistado por elas, também exige
uma luta diária contra o patriarcalismo ainda presente nesse meio, sexismo e assédio. A partir
dessa inquietação, este estudo objetivou compreender, com base na análise cultural e
audiovisual, as mudanças de postura assumidas por mulheres repórteres telejornalistas
esportivas diante situações de assédio e machismo durante o exercício da profissão. Para
tanto, do ponto de vista metodológico, esta monografia utilizou a análise de casos múltiplos,
proposto por Yin (2015) como método de estudo, bem assim, a descrição dos casos em função
da imagem e do som, proposto por Rose (2008) e norteou-se pelo estudo cultural proposto por
Hall (2016). Foram selecionados quatro casos de jornalistas que passaram por situações de
assédio enquanto realizavam coberturas esportivas entre os anos de 2018 e 2022, sendo elas as
profissionais: Bruna Dealtry, Julia Guimarães, Laura Zago e Jéssica Dias. Deste modo,
buscou-se analisar o cenário cultural tanto da época dos acontecimentos, até os dias atuais,
tentando entender o que mudou entre os casos entre o período de 2018 a 2022, período que é o
recorte desta pesquisa. Conclui-se que houve mudança na postura dessas telejornalistas e
essas mudanças estão contribuindo para que as mulheres galguem cada vez mais espaço no
mercado esportivo. Também se concluiu que as mulheres, mesmo enxergando que foram
vítimas de um assédio, a partir de um beijo na face não consentido, com o passar dos anos e
com as mudanças sociais, começaram a se impor diante de situações de assédio, até
assumirem a postura adotada pela repórter Jéssica Dias em 2022. Não se é possível afirmar
que a postura de parar o que estava sendo feito e não continuar com o que havia sido
proposto, tal qual fez Jéssica Dias após ser assediada, porém, acredita-se que por meio das
análises em perspectiva dos vídeos, nota-se que por meio da postura adotadas por elas, por
conta da recorrência desses casos as próprias mulheres telejornalistas já estão se dando conta
da violência e do assédio de que são vítimas constantes e estão se colocando em um papel
mais ativo, adotando outro tipo de postura, mais imponente. Este trabalho de pesquisa mostra
que, mesmo devagar, com o passar dos anos está ocorrendo um movimento social em relação
às telejornalistas esportivas, o qual, mesmo que não seja de forma tão imersiva, está
mobilizando o meio profissional. Portanto, conclui-se que a postura adotada pelas
profissionais do jornalismo esportivo também expõe encorajamento e, com isso, talvez cause
possíveis mudanças sociais e culturais, que se amplamente discutidas, podem trazer mudanças
para o cenário e contexto cultural atual e futuro.
Abstract
Journalism, an activity traditionally composed almost exclusively of men, over the years has
undergone gradual changes, especially with the entry of women into the formal job market,
mainly in the field of sports journalism, which took place through a lot of struggle and,
remaining in the territory already conquered by them also requires a daily struggle against the
patriarchy still present in this environment, sexism and harassment. Based on this concern,
this study aimed to understand, based on cultural and audiovisual analysis, the changes in
posture assumed by female sports reporters in the face of harassment and machismo situations
during the exercise of their profession. Therefore, from a methodological point of view, this
monograph used the analysis of multiple cases, proposed by Yin (2015) as a study method, as
well as the description of cases in terms of image and sound, proposed by Rose (2008) and
was guided by the cultural study proposed by Hall (2016). Four cases of journalists who
experienced harassment while covering sports between the years 2018 and 2022 were
selected, the professionals being: Bruna Dealtry, Julia Guimarães, Laura Zago and Jéssica
Dias. In this way, we sought to analyze the cultural scenario both from the time of the events
to the present day, trying to understand what changed between the cases between the period
2018 to 2022, the period that is the focus of this research. It is concluded that there has been a
change in the attitude of these telejournalists and these changes are contributing to women
gaining more and more space in the sports market. It was also concluded that women, even
realizing that they were victims of harassment, from a non-consensual kiss on the cheek, over
the years and with social changes, began to impose themselves in the face of harassment
situations, until they assumed the posture adopted by reporter Jéssica Dias in 2022. It is not
possible to say that the posture of stopping what was being done and not continuing with what
had been proposed, as Jéssica Dias did after being harassed, however, it is believed that due to
through the perspective analyzes of the videos, it is noted that through the posture adopted by
them, due to the recurrence of these cases, the women television journalists themselves are
already realizing the violence and harassment of which they are constant victims and are
putting themselves in a more active role, adopting another type of posture, more imposing.
This research work shows that, even slowly, over the years there has been a social movement
in relation to female sports journalists, which, even if not in such an immersive way, is
mobilizing the professional environment. Therefore, it is concluded that the posture adopted
by sports journalism professionals also exposes encouragement and, with that, perhaps causes
possible social and cultural changes, which, if widely discussed, can bring changes to the
current and future cultural context and scenario.
Palavras-chave
Jornalismo, Telejornalismo esportivo, Mulheres, Assédio
Citação
SOUSA, Lyege Evangelista. A Mulher Jornalista: análise da postura de repórteres telejornalistas esportivas mediante situação de machismo e assédio em coberturas de desporto. 2023. 115 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Jornalismo) -- Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2023.
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