Publicação: Cartografias de um acompanhamento terapêutico: tecendo territórios possíveis para a vida
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE, CNPQ::OUTROS, CNPQ::CIENCIAS HUMANAS, CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS, CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS, CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
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Resumo
Este trabalho cartografa a atuação do Acompanhamento Terapêutico (AT) como dispositivo
clínico-político nos processos de produção de subjetividade, a partir de uma experiência de
estágio em Psicologia no contexto da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A pesquisa
acompanha o percurso de Flávia, mulher que mantém vínculo com a RAPS há
aproximadamente vinte anos e que, nos últimos quatro anos, vem sendo acompanhada por um
grupo de estagiários de AT. Sustentado teoricamente pela esquizoanálise de Deleuze e
Guattari e pela metodologia cartográfica, o estudo recusa a lógica do estudo de caso e da
representação, apostando no acompanhamento de processos em curso no território. A escrita
se constrói a partir de cenas vividas no acompanhamento do diário de campo e dos efeitos da
relação que se estabeleceu entre acompanhante e acompanhada. Ao longo do percurso,
analisam-se os impactos das linhas duras — familiares, institucionais e sociais — que
atravessam a trajetória de vida da paciente, bem como as brechas produzidas por linhas de
fuga que permitem a emergência de outros modos de existir. Introduz-se o conceito de
perforsomática para nomear a atuação do corpo do cartógrafo em ato, entendida como uma
prática estético-política que articula atenção, presença e implicação no território. Conclui-se
que o Acompanhamento Terapêutico, articulado à cartografia, afirma o cuidado em liberdade
e a invenção de novos territórios existenciais.
Abstract
This study cartographs the practice of Therapeutic Accompaniment (TA) as a
clinical-political device in the production of subjectivation processes, based on an undergraduate internship experience in Psychology within the Psychosocial Care Network
(RAPS). The research follows the trajectory of Flávia, a woman who has been linked to the
RAPS for approximately twenty years and who, over the last four years, has been
accompanied by a group of TA interns. Grounded in Deleuze and Guattari’s schizoanalysis
and in cartographic methodology, the study rejects the logic of case study and representation,
focusing instead on the follow-up of ongoing processes in the territory. The writing is
composed through lived scenes of accompaniment, field diary records, and the shared
construction of the patient’s narrative, understood as life in relation. Throughout the process,
the effects of rigid lines — familial, institutional, and social — are analyzed, as well as the
openings created by lines of flight that allow the emergence of other modes of existence. The
concept of perforsomatics is introduced to describe the cartographer’s embodied performance
in action, conceived as an aesthetic-political practice that integrates attention, presence, and
implication in the territory. The study concludes that Therapeutic Accompaniment, articulated
with cartography, affirms care in freedom and the invention of new existential territories.
Palavras-chave
Acompanhamento Terapêutico, Cartografia, Esquizoanálise, Processos de Subjetivação, Saúde Mental, Therapeutic Accompaniment, Cartography, Schizoanalysis, Subjectivation Processes, Mental Health
Citação
SILVEIRA, José Junio Gabriel. Cartografias de um acompanhamento terapêutico: tecendo territórios possíveis para a vida. 2026. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026.