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Itaú e o (esque)cimento: mineração, memória e justiça em Itaú de Minas-MG (2004-2019)

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Resumo

Esse trabalho de História Ambiental segue os rastros dos impactos de uma mineradora ao mesmo tempo que desvenda os mistérios que cercam a memória oficial construída sobre ela. A fábrica de cimento localizada em Itaú de Minas-MG explora a região desde 1939, inicialmente sob o nome de Companhia de Cimento Portland Itaú e, desde 1977, como Votorantim Cimentos. Esse empreendimento se sobrepõe às leis por meio do poder econômico e político, exercendo forte influência sobre as instituições fiscalizadoras. A história da fábrica com o Ministério Público devido aos danos ambientais que ela provoca nos mostrará isso, paga pequenas multas e consegue “carta branca” para poluir. Em 2004, um morador vizinho denunciou a poluição do Córrego do Ferro e do ar. Em 2006, iniciou-se outro processo, relacionado ao derramamento de barro das comportas da hidrelétrica no Rio São João. Posteriormente, em 2013, foi instaurado um outro em razão de emissões de poluentes acima do permitido por lei. No cruzamento desses processos ambientais - que se estenderam até 2019 - com jornais, fotografias, relatórios, textos acadêmicos e literários, e até calendários, esse texto evoca experiências que revela diferentes memórias, e proporciona uma nova perspectiva de contar a história de Itaú de Minas e da fábrica de cimento.

Abstract

This Environmental History study traces the impacts of a mining company while simultaneously uncovering the mysteries surrounding the official memory constructed about it. The cement factory located in Itaú de Minas, Minas Gerais, has exploited the region since 1939, initially under the name Companhia de Cimento Portland Itaú and, since 1977, as Votorantim Cimentos. This enterprise overrides laws through economic and political power, exerting strong influence over regulatory institutions. The history of the factory with the Public Prosecutor’s Office, due to the environmental damage it causes, will demonstrate this: it pays small fines and obtains a “blank check” to pollute. In 2004, a neighboring resident reported the pollution of the Córrego do Ferro and the air. In 2006, another case began, related to the spilling of mud from the hydroelectric dam gates into the São João River. Later, in 2013, another case was initiated due to emissions of pollutants above the limits permitted by law. At the intersection of these environmental cases—which extended until 2019—with newspapers, photographs, reports, academic and literary texts, and even calendars, this text evokes experiences that reveal different memories and provides a new perspective for telling the history of Itaú de Minas and of the cement factory.

Palavras-chave

Fábrica de Cimento, Crise Ambiental, Memória, Itaú de Minas, Cement Factory, Memory, Environmental Crisis

Citação

DOMINGUES, Gustavo Fernandes. Itaú e o (esque)cimento: mineração, memória e justiça em itaú de Minas-MG (2004-2019). 2026. 114 f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2026. DOI http://doi.org/10.14393/ufu.di.2026.304.

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