Publicação: O impacto da religiosidade na depressão em mulheres que vivenciaram uma perda gestacional ou infantil.
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CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::ENFERMAGEM::ENFERMAGEM OBSTETRICA
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Resumo
A gravidez é um período de intensa conexão emocional para as mulheres,
envolvendo criação de vínculos e expectativas sobre o bebê. Contudo, eventos inesperados
como a morte fetal interrompem com esse planejamento, delineando uma tragédia que pode
levar ao luto complicado e a sintomas depressivos. Após uma perda gestacional ou infantil, as
mulheres enfrentam desafios emocionais, assumindo a gestão de suas emoções em meio a
falta de reconhecimento do luto e à carência de espaços para expressar sua dor. Desse modo, a
vivência do luto emerge como resposta afetiva natural e esperada, configurando-se em um
processo singular e complexo. Estudos indicam que a religiosidade pode ser um recurso
importante no enfrentamento do luto, proporcionando conforto, reconstrução e ressignificação
da vida. No entanto, a forma como essas crenças são vivenciadas e interpretadas pode variar,
influenciando positiva ou negativamente na saúde mental. Objetivo: Analisar a influência de
variáveis sociodemográficas e religiosidade/espiritualidade nos sintomas de depressão em
mulheres que vivenciaram a perda gestacional ou infantil. Metodologia: Foi realizado um
estudo observacional, seccional, de abordagem quantitativa com 71 mulheres participantes de
grupos de apoio ao luto perinatal online, utilizando plataformas como Google Meet,
WhatsApp, E-mail e Instagram. Foram aplicados os seguintes questionários: Questionário de
caracterização sociodemográfica e clínica; Índice de Religiosidade da Universidade Duke,
Escala de Coping Espiritual-Religioso e a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo. A
influência simultânea de todas as variáveis foi analisada por meio de regressão linear
múltipla. Resultados: A amostra foi composta por 71 mulheres, sendo que 52 (73,2%)
tiveram perda gestacional e 19 (26,8%) infantil. Segundo os critérios de classificação da
EPDS, 50 mulheres (70,4%) apresentaram pontuação compatível com provável depressão
pós-parto. O tempo decorrido desde a perda foi um preditor importante para a depressão, com
maiores pontuações associadas a perdas mais precoces. A religiosidade organizacional teve
um efeito significativo na redução dos sintomas de depressão, podendo funcionar como um
fator de proteção. Enquanto o coping religioso negativo correlacionou-se com o aumento de
índices de depressão, evidenciando o impacto psicológico do uso negativo da religião como
mecanismo de enfrentamento. Conclusão: A comunicação empática e o suporte familiar e
social são fundamentais na superação do luto, enquanto o despreparo dos profissionais de
saúde pode agravar o sofrimento das famílias enlutadas. Compreender o papel da religião e do
apoio social é essencial para a criação de intervenções eficazes na recuperação emocional das
mulheres enlutadas, promovendo uma assistência mais integral e que mobilize o respeito e a
empatia diante da diversidade de experiências e estratégias de enfrentamento do luto.
Abstract
Pregnancy is a period of intense emotional connection for women, involving
bonding and expectations about the baby. However, unexpected events such as fetal death
interrupt this planning, outlining a tragedy that can lead to complicated grief and depressive
symptoms. After a pregnancy or infant loss, women face emotional challenges, taking on the
management of their emotions amid a lack of recognition of their grief and a lack of space to
express it. In this way, the experience of mourning emerges as a natural and expected
affective response, becoming a unique and complex process. Studies indicate that religiosity
can be an important resource in coping with bereavement, providing comfort, reconstruction
and a new meaning to life. However, the way in which these beliefs are experienced and
interpreted can vary, influencing mental health positively or negatively. Objective: To
analyze the influence of sociodemographic variables and religiosity/spirituality on symptoms
of depression in women who have experienced gestational or infant loss. Methodology: An
observational, cross-sectional, quantitative study was carried out with 71 women participating
in online perinatal bereavement support groups, using platforms such as Google Meet,
WhatsApp, E-mail and Instagram. The following questionnaires were administered:
Sociodemographic and clinical characterization questionnaire; Duke University Religiosity
Index, Spiritual-Religious Coping Scale and the Edinburgh Postpartum Depression Scale. The
simultaneous influence of all the variables was analyzed using multiple linear regression.
Results: The sample consisted of 71 women, of whom 52 (73.2%) had a gestational loss and
19 (26.8%) an infant loss. According to the EPDS classification criteria, 50 women (70.4%)
had a score compatible with probable postpartum depression. The length of time since the loss
was an important predictor of depression, with higher scores associated with earlier losses.
Organizational religiosity had a significant effect on reducing symptoms of depression, and
may function as a protective factor. Negative religious coping, on the other hand, was
correlated with an increase in depression scores, highlighting the psychological impact of the
negative use of religion as a coping mechanism. Conclusion: Empathetic communication and
family and social support are fundamental in overcoming bereavement, while the lack of
preparation on the part of health professionals can aggravate the suffering of bereaved
families. Understanding the role of religion and social support is essential for creating
effective interventions for the emotional recovery of bereaved women, promoting more
comprehensive care that mobilizes respect and empathy in the face of the diversity of
experiences and coping strategies.
Palavras-chave
Luto Materno, Maternal Bereavement, Depressão Pós Parto, Postpartum Depression, Religiosidade, Religiosity, Espiritualidade, Spirituality, Grupos de apoio, Support Groups, Assistência de Enfermagem, Nursing Care
Citação
CARDOSO, Isabella Rodrigues. O impacto da religiosidade na depressão em mulheres que vivenciaram uma perda gestacional ou infantil. 2024. 41 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2024.
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